Ensino

Ensino. Pedag. 1) Noção. É a ação educativa que, partindo do mestre, se dirige ao aluno para obter dele um crescimento intelectual através da interiorização de conceitos que o tornarão capaz de compreender a realidade do mundo em que vive.

2) Ao seu conteúdo, o ensino costuma dividir-se em humanístico e técnico. E deve ensinar o homem a ser homem.

3) Meios. O ensino pode ser feito de maneira tradicional através da conversação, da exposição, do diálogo ou usando meios audiovisuais — aperfeiçoamento da técnica para enriquecer a comunicação de valores de forma ocasional ou sistemática.

4) Âmbito. Todo o ensino deve estar ao serviço da educação, deve ser educação. Abrir a inteligência à verdade.

5) Graus. Primário, secundário, universitário.

6) A quem compete o ensino. — Os pais têm o direito e o dever de educar os filhos, quer por si mesmos, quer por pessoas de sua confiança e preferência. Subsidiariamente, o Estado, a quem compete promover o bem comum. "O dever de educar, que pertence primariamente à família, necessita de ajuda de toda a sociedade". (1)


Ensino. É a transmissão de conhecimentos, de informações necessárias à educação, ou a um fim determinado.

Na Grécia, quanto ao ensino, coube o mérito de inovador a Aristóteles com sua escola peripatética. Em Roma refletia as características de uma sociedade centralizada na instituição da família, onde o pai dispunha de pleno direito sobre os filhos e o privilégio da educação. Mas quando a família não estava à altura de ministrar uma mais elevada instrução recorria a um mestre, geralmente grego, chamado pedagogo, que hospedava em casa. Para atender às famílias menos abastadas começaram a aparecer, aos poucos, escolas — ludi — de instituição privada. Eram escolas "elementares", onde se aprendia a ler e escrever e "médias", onde se ensinava a língua latina e grega. Posteriormente apareceram as escolas de retórica, uma espécie de escola superior ou de terceiro grau. Na Alta Idade Média, tanto a escola como a cultura em geral, que por muitos anos ficaram armazenadas nas bibliotecas monacais, passaram a ser exclusiva dos clérigos, tornando-se inacessível ao público toda a herança cultural das antigas civilizações. Causa disto: fatores políticos e militares, com destaque para as invasões bárbaras e preocupação das conquistas islâmicas. O Imperador Carlos Magno, que pretendia dar unidade interior e espiritual ao seu vasto império, foi um dos maiores organizadores da educação e cultura medieval com a finalidade de preparar intelectual, moral e religiosamente os povos, seus súditos e restaurar a cultura clássica. Adotou o programa que abrangia as sete artes liberais repartidas em trívio e quadrívio. O trívio compreendia as disciplinas formais: gramática, retórica e dialética; o quadrívio, as disciplinas reais: aritmética, geometria, astronomia, música (e mais tarde medicina). Inicialmente todas eram filiadas às escolas eclesiásticas, mas com o passar do tempo ia aumentando a evolução e o interesse pelas escolas privadas. Quanto ao método de ensino, utilizava-se o diálogo, cujo vestígio encontramos nos atuais exames. Posteriormente substituído pelo método catequético, apresentando uma disciplina muito rígida, autoritária e dogmática do ponto de vista mental, visando mais dominar os alunos que educá-los. As faltas eram punidas severamente, sem admitir discussão, tornando o aluno passivo, medroso e servil, fugindo, desta forma, do verdadeiro papel da educação; desenvolver na criança as qualidades humanas e estimular a inteligência. A Reforma Protestante pregou a universalização do ensino, apoiando-se na tese de que todos têm a mesma fé em Deus, portanto, deve-se possibilitar a todos os mesmos conhecimentos religiosos. Pouco eco encontraram, primeiro pela utilização de língua latina em lugar da vulgar, o que impedia o acesso do público à cultura clássica; segundo, os clássico foram substituídos pelo estudo da Bíblia e Padres da Igreja. Contudo foi nos estados germânicos que surgiram as primeiras escolas organizadas do tipo moderno. J. J. Rousseau preconizava, em seu livro Emílio, uma volta à natureza na Pedagogia, pois o homem bom e livre em sua essência teria sido corrompido pela vida social, civilizada. Para que o homem se desenvolva precisa dar livre curso ao aprimoramento individual, voltar à natureza. Pestalozzi, destacando a personalidade da criança, afirma que o ensino deve ser um processo natural que acompanha o desenvolvimento da inteligência e se baseia nas relações professor-aluno de afeto e não de temor. Segundo Herbart, o interesse excita a aquisição do saber, que conduz à ação. Essa filosofia da educação dominou todo o século XIX e foi robustecida com as ideias filosóficas de Auguste Comte. Mas, com o progresso da Psicologia que passou de especulativa a ciência natural, os sistemas pedagógicos passaram a receber-lhe a influência. Particularmente a teoria dos reflexos condicionados, de Pavlov, permitiu conhecer melhor o mecanismo da aprendizagem. A maior influência foi exercida pela "concepção freudiana do comportamento humano, passando-se a dar grande importância aos impulsos subconscientes e inconscientes. Surgiu a tendência para o ensino ativo ou funcional". Este novo sistema de aprendizagem introduziu vários processos de verificação objetiva, mediante testes para avaliação de aprendizagem; condena a rigidez dos programas; o professor deve suscitar o interesse num esclarecimento e orientação para levar o aluno à espontaneidade. O que se pode constatar é que os sistemas educacionais têm variado conforme a época histórica e as condições de cada país. (2)


(1) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

(2) EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987.