Cruzadas

Cruzada. 1. Nome dado às expedições militares empreendidas do séc. 11 ao 13 pelos cristãos do Ocidente, por instigação do papado que lhes fixava por alvo a libertação dos lugares santos ocupados pelos muçulmanos. 2. P.ext. Expedição militar feita com propósito religioso. 3. P.ext. fig. Campanha por uma reforma, contra o que é considerado um abuso. 4. P.ext. Esforço feito para se tentar conseguir determinada coisa. (1)

Cruzada. Denominação dada às expedições militares que levavam como insígnia a cruz, realizadas pelos cristãos da Europa Ocidental, durante a Idade Média, com a finalidade de libertar o Santo Sepulcro. Por extensão, o termo designa, hoje, movimentos de sentido idealista, visando à elevação espiritual dos membros de uma comunidade ou à solução de problemas sociais graves, como o do pauperismo e o da educação. (2)

Cruzadas. As cruzadas foram expedições militares, levadas a efeito de 1096 a 1271, empreendidas por cristãos da Europa Ocidental, com o objetivo de libertar o Santo Sepulcro (onde Jesus Cristo teria sido sepultado) do domínio muçulmano. Os que participavam das Cruzadas e traziam sobre sua vestimenta uma cruz de pano em sinal de peregrinação a Jerusalém, eram protegidos de modo especial pela Igreja Católica. Por outro lado, também motivos profanos levaram muitos a se engajarem nas Cruzadas, tais como a esperança de conquistarem terras que se tornariam feudos. Entretanto, salvo casos esporádicos, as Cruzadas não alcançaram seus objetivos e, com a morte de Luís X, da França (São Luís) deu-se por terminada essa empresa. PRIMEIRA CRUZADA (1096-1099)... até a OITAVA CRUZADA (1268).

Escreve Delgado de Carvalho nas suas Súmulas de História: "Do ponto de vista político e social, as Cruzadas contribuíram para modificar o feudalismo ocidental: A Realeza ganhou em prestígio e força, os senhores, ao se ausentarem por longo espaço de tempo, enfraqueceram os seus feudos, concediam liberdade e privilégios às comunas nascentes em seus domínios, a fim de obter recursos. Do outro lado no Oriente, tiveram os feudais maiores contatos e relações com mercadores, burgueses e vilões, o que contribuía para reduzir as distâncias sociais entre as classes diferentes. Do ponto de vista espiritual, os ocidentais encontravam no Oriente uma civilização que ignoravam e, em cultura, era superior à deles. As artes, as línguas e as ciências dos árabes e dos bizantinos passaram a ser estudadas no Ocidente e a influir sobre a sua produção intelectual, artística e literária. Os resultados econômicos das Cruzadas não foram menos importantes do que os políticos e intelectuais. a) No setor agrícola, foram aclimatadas em terras da Europa, certas culturas do Oriente como o açafrão, o arroz, a cana e o damasco. b) No setor industrial, a seda, o algodão começaram a ser trabalhados no Ocidente... c) No setor comercial, foi maior ainda a influência, pois cresceu consideravelmente o intercâmbio do Oriente com os portos franceses e italianos do Mar Mediterrâneo". (3)

Cruzadas e Ordens Militares. Diante da ameaça que as incursões dos turcos seldjúcidas representavam para o império Bizantino, Urbano II promoveu, em 1095, a formação de um exército internacional que saísse em auxílio dos cristãos do Oriente e resgatasse os lugares Santos do domínio muçulmano. Essa foi a primeira de uma série de expedições miliares cristãs contra o mundo muçulmano que, no Ocidente cristão, seriam conhecidas como "cruzadas".

Financiamento e Estatuto Jurídico das Cruzadas. A primeira cruzada nasceu por iniciativa da Igreja como uma grande peregrinação à Terra Santa que, dadas as circunstâncias, adquiriu características de uma expedição militar. Para justificá-la juridicamente, a Igreja estabeleceu o chamado "privilégio da cruz", pelo qual concedia indulgência aos cavaleiros que participassem do projeto e garantia proteção a eles, sua família e seus bens pelo período em que a campanha durasse. A indulgência era extensiva a todos aqueles que ajudassem com legados e donativos, na manutenção das expedições. Para completar seu financiamento, a Igreja estabeleceu o pagamento do dízimo, isto é, a décima parte dos benefícios ou das colheitas.

A "Grande Cruzada" e os Estados Latinos do Oriente. A primeira cruzada, ou "grande cruzada", foi a única que alcançou um resultado militar claramente positivo para as tropas cristãs: conquistou Niceia e Frígia; um ano depois, Jerusalém.

A Perda de Jerusalém e a Terceira Cruzada. Jerusalém caiu em poder dos turcos em 1187, dando lugar à união de Filipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, com o imperador germânico Frederico I Barba-Ruiva na organização da terceira cruzada. As tropas turcas do sultão Saladino tornaram impossível a reconquista de Jerusalém e obrigaram os exércitos cristãos a baterem em retirada.

Quarta e Quinta Cruzadas redundam em Fracasso. A partir da sexta cruzada (1228) optou-se por entendimento e conseguiu estabelecer uma trégua de dez anos com o sultão turco, bem como um pacto sobre a cessão de Jerusalém, Belém e Nazaré, com a condição de que fossem previamente desmilitarizados.

Luís IX da França e o Fim das Cruzadas. A sétima e oitava cruzadas, provocadas pela perda de Jerusalém (1244) e da Antioquia (1268), foram comandadas sem sucesso por Luís IX da França e seriam as duas últimas grandes cruzadas. (4)


(1) DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO LAROUSSE. São Paulo: Larousse, 2007.

(2) ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.

(3) EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987.

(4) Temática Barsa - História.