Atitude

Atitude. É um dos conceitos fundamentais da psicologia social. Faz junção entre a opinião (comportamento mental e verbal) e a conduta (comportamento ativo) e indica o que interiormente estamos dispostos a fazer. Segundo Jean Meynard, “É uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira de preferência a outra. As atitudes de um sujeito dependem da experiência que tem da situação à qual deve fazer face”. (1) Pode se dizer também que é a “Predisposição a reagir a um estímulo de maneira positiva ou negativa”.

Atitude. Reação avaliativa, normalmente contrastada com a própria crença, devido à sua conexão mais direta com a motivação e o comportamento. Uma atitude é um estado cuja essência é a satisfação ou a insatisfação ativa com algo que se passa no mundo, e não a mera cognição de que alguma coisa se passa no mundo. As principais controvérsias sobre esse assunto surgem quando se pergunta se uma reação, como por exemplo a avaliação de algo como ser bom ou como mau, pode ser classificada mais corretamente como expressão de uma atitude ou de uma crença. (2)

Atitude. Termo amplamente empregado hoje em dia em filosofia, psicologia e sociologia para indicar, em geral, a orientação seletiva e ativa do homem em face de uma situação ou de um problema qualquer. Dewey considera essa palavra um sinônimo de hábito (v.) e de disposição (v.); em particular, parece-lhe que ela designa "um caso especial de predisposição, a disposição que espera prorromper através de uma porta aberta" (Human Nature and Conduct, 1922, p. 41). Lewis, analogamente, diz que na atitude o que está presente é captado em seu significado prático e antecipador, como um indício daquilo que está além, no futuro (An Analysis of Knowledge and Valuation, p. 438). Stevenson utilizou amplamente esse termo para fazer a distinção entre "significado descritivo" e "significado emotivo" das palavras: ter-se-ia o primeiro quando a resposta ao estímulo é um conjunto de processos mentais cognitivos e o segundo, quando a resposta ao estímulo é um determinado impulso para a ação. Stevenson chama de atitude o impulso para a ação que, não se sabe por que, é qualificada de "emotiva", mas acha difícil demais definir precisamente a atitude e, por isso, assume-a no significado mais genérico de disposição para a ação (Ethics and Language, 1950, p. 60). Uma delimitação não mais exata de significado, de resto concordante com os comentários acima citados, é dada por Richards, que considera as atitudes como "atividades imagísticas e incipientes, ou tendências para a ação" (Princ. of Líterary Criticism,1924; 14a ed., 1955, p. 112). Por outro lado, essa palavra foi usada com o mesmo significado fundamental de disposição por Jaspers, em Psicologia das visões do mundo (1925). "As atitudes são disposições gerais, suscetíveis, ao menos em parte, de pesquisa objetiva, assim como as formas transcendentais no sentido kantiano. São as direções do sujeito e utilizam determinada rede de formas transcendentais" (Psychologie, intr., §4). Mais precisamente, a atitudepode ser definida como o projeto de opções porvindouras em face de certo tipo de situação (ou problema), ou como um projeto de comportamento que permita efetuar opções de valor constante diante de determinada situação. Nesse caso, dizer, p. ex., que "x tem uma atitude contrária ao casamento" quer dizer que x projeta não se casar; por isso, em geral, a atitude de x para S é um projeto de x referente ao comportamento que terá em face de situações em que S é possível (cf. ABBAGNANO, Problemi di sociologia, 1959, cap. V). (3)

Atitude. É a organização duradoura de processos perceptuais, motivacionais, emocionais e de adaptação, que se centralizam em algum objeto do universo da pessoa. As atitudes podem ser positivas ou negativas, isto é, a pessoa pode estar disposta favorável ou desfavoravelmente com relação ao objeto. As atitudes podem referir-se não só às pessoas e grupos de pessoas, como também a instituições e questões sociais. Um quadro completo das atitudes de um indivíduo com relação aos objetos de seu mundo social pode levar a previsões muito seguras quanto a seu comportamento futuro. Assim sendo, a medida das atitudes é considerada por muitos psicólogos como o problema central da Psicologia Social. São características fundamentais das atitudes: 1.º) Intensidade: a mesma atitude favorável a determinado objeto pode variar de intensidade, de indivíduo para indivíduo. 2.º) Conteúdo cognitivo: pessoas, com a mesma atitude negativa em relação a um objeto, podem diferir no conhecimento que têm deste objeto. 3.º) Diferenciação: uma atitude pode ser clara e definida para o seu possuidor, ou pode ser nebulosa e mal estruturada. 4.º) Isolamento: isto é, a relação da atitude com as demais atitudes do mesmo indivíduo; pode estar a elas bem ligadas ou existir isolada das demais. Diversos fatores atuam sobre o desenvolvimento das atitudes: 1.º) Determinantes culturais: a cultura marca os limites onde as atitudes podem se desenvolver, mas dentro desses limites existe muito espaço para a diversidade individual. 2.º) Influência dos pais e do grupo próximo: os agentes mais poderosos e diretos na formação de atitudes são os pais e os membros da família, através da orientação e do exemplo. 3.º) Personalidade: a estrutura da personalidade é um fator importante no desenvolvimento das atitudes. Assim, uma personalidade autoritária tenderá facilmente para uma atitude extrema, embora sujeita às circunstâncias ambientais que irão determinar se a atitude será conservadora ou radical. A mudança de atitude pode efetuar-se de várias maneiras: 1.ª) Pela mudança de posição do indivíduo dentro do grupo. 2.ª) Pela mudança da situação social do indivíduo: opiniões e atitudes, aceitas num nível social, podem ser inaceitáveis em outro. 3.ª) Pelo maior contato com o objeto da atitude. 4.ª) Pelo maior conhecimento do objeto através de informações de outros. A preservação das atitudes se realiza por diversas maneiras de resistir à mudança: 1.ª) Afastamento: evitar toda a informação contrária à opinião já estabelecida, através do afastamento físico. 2.ª) Seletividade da percepção: quando o afastamento não é possível, o indivíduo pode passar a só perceber a informação que confirma sua atitude prévia. 3.ª) Reinterpretação dos dados: a informação será reinterpretada de modo a tornar-se favorável à atitude já estabelecida. É possível medir as atitudes de acordo com um certo número de categorias descritivas (usualmente 5), que vão de um extremo ao outro quanto à aceitação de um objeto. Os sujeitos são colocados nessa classificação de atitudes segundo suas respostas a itens de um questionário. Um dos tipos de atitude mais estudado é o preconceito, que pode ser definido como uma atitude que coloca o objeto numa situação desfavorável, sem considerar os dados existentes. Essas percepções defeituosas são acompanhadas do comportamento correspondente. As pesquisas mais amplas sobre atitude são as sondagens de opinião pública, visando a finalidades diversas, em especial: verificar preferências eleitorais e examinar o mercado para lançamento de novos produtos. (4)


Mais informações em: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/palestra/atitude-e-comportamento.htm


(1) BIROU, A. Dicionário de Ciências Sociais. 5. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1982.

(2) BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

(3) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

(4) ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.

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