Afetividade, Afeto

Afetividade. Nome genérico sob o qual se inclui todo o mundo dos sentimentos, emoções e paixões. Pode define-se como a capacidade de experimentar sentimentos periféricos (prazer, dor), centrais (emoções) e superiores (religiosos, sociais, morais, estéticos, intelectuais, ...). Ao método introspectivo, tradicional no estudo da A., acrescenta-se hoje o experimental e psicanalítico.

A natureza da A. é obscura. A Escola considerou-a como uma tendência que alcançou o seu objeto; mas, desde Tetens e Kant, começou-se a considerá-la como uma dimensão irredutível ao conhecimento e tendência ainda que dependente, na sua gênese, destas duas funções. Max Scheler, contudo, concede excessiva independência à A.

Para a Fenomenologia valorista é possível captar diretamente um objeto por via emocional, sem prévio conhecimento (intelectual). Ao contrário do conhecimento, a A. é inata; com ele, evolui com o organismo. (1)


Afeto. Psic. 1) As palavras latinas Affectus e Affectio têm, entre outros significados (Forcellini), o de inclinação para um objeto em que se encontra competência. Daí, em português e noutras línguas neolatinas, afeição, afeiçoado, afectuoso. Por isso, ainda que este termo pareça cair dentro dos limites da afetividade, em realidade, ultrapassa-os por incluir também um elemento intencional. 2) A palavra "afeto" usa-se, filosoficamente em várias sentidos: a) sentimento como geral; b) desde Kant, tem-se limitado com frequência aos sentimentos que alcançam repentinamente grande intensidade, perturbando os processos representativos; c) prazer e dos enquanto opostos às emoções mais complexas; d) por vezes, significa uma inclinação eletiva menos intensa e mais regular do que a paixão, na qual os fatores somáticos desempenham papel de escassa importância (A. Lalande). É este o sentido mais corrente e significa uma paixão surda regular e permanente, isto é, uma tendência habitual, matizada de cargas afetivas, mas constante e menos violenta do que as paixões, que subconscientemente, mas com eficácia, determina de fato a atividade do indivíduo numa direção concreta; e) modernamente, atribui-se-lhe o sentido de paixão ou tendência inferior impulsiva e afetiva. (J. M. Baldwin, Affect; E. Eisler, "Affekt"). O papel dos A. no mecanismo interno, tanto psicológico como ascético, é no homem da maior importância.

Psicologicamente, são a mola mais eficaz da atividade humana. S. Tomás fala-nos do egoísmo fundamental no dinamismo humana.

Em ascética o A. é igualmente importante. Não só pode impedir o alcançar da perfeição se for desordenado, mas, positivamente representa a unção da vida espiritual, e como tal o consideram os ascetas como necessidade para perseverar. (1)


(1) ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]