Cain Wolf
16 de abril de 2018
Durante séculos o cálice sagrado de Cristo, ou o Santo Graal tem fascinado os corações de aventureiros e estudiosos. Líderes de nações o cobiçaram, tornando-o, além de um símbolo de vida, também de morte. Em 2014, porém, o site do globo (http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/04/pesquisadore-afirmam-ter-encontrado-o-santo-graal-em-cidade-na-espanha.html) apresentou uma bombástica notícia que pesquisadores teriam encontrado a mística peça. Vejamos abaixo o que o texto falava:
Na Espanha, um grupo de cientistas garante que encontrou o Santo Graal – o cálice usado por Jesus Cristo na última ceia.
León é uma pacata cidade no noroeste da Espanha. Não é exatamente um ponto turístico, mas um livro lançado esta semana pode atrair para o local peregrinos do mundo todo. O motivo está dentro da Basílica de São Isidoro, mais precisamente um cálice – uma taça ornada com ouro e pedras preciosas. Ela está no local há muito tempo, mas só agora uma dupla de pesquisadores espanhóis conseguiu reunir evidências suficientes para dizer que é o Santo Graal.
A revelação de que o cálice de León pode ser a relíquia mais sagrada do cristianismo, um objeto cobiçado há séculos, é claro que levou uma preocupação extra para o pequeno museu do interior da Espanha. Por isso, agora o que os turistas podem ver já não é mais o original, é uma cópia.
Margarita Torres Sevilla é professora de história medieval na Universidade de León. Foi ela quem primeiro suspeitou que poderia haver uma ligação entre a história bíblica e o objeto do museu.
“Eu pesquisava sobre objetos históricos de origem islâmica do museu quando me perguntei: ‘Como um cálice egípcio veio parar aqui em León?’”, lembra a pesquisadora Margarita Sevilla.
A equipe da professora Margarita foi até o Cairo e descobriu que o cálice pertencia a um califa que governou o norte da África e o Oriente Médio no século XI. Quando a região passou por um período de grande fome, quem mandou comida para lá foi o rei de Dénia. Pela ajuda, ele pediu, em troca, a relíquia sagrada que desde o ano 400 ficava na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Acreditava-se que era o cálice que Jesus Cristo usou na Santa Ceia e também para colher o sangue dele na cruz.
“O rei de Dénia sabia da existência do cálice e queria dá-lo de presente para o rei Fernando de León”, diz Margarita Torres Sevilla.
O pesquisador Manuel Ortega del Rio explica por que Fernando: “Naqueles tempos, era o monarca mais importante da Península Ibérica. Era muito interessante para o pequeno reino de Dénia agradar ao vizinho mais forte e poderoso”. O cálice acabou nas mãos da princesa Urraca, filha do rei Fernando.
“A prova mais concreta de que princesa Urraca sabia da importância do cálice é que ela usou as joias da própria coroa para decorar a relíquia, que até então era feita apenas de pedra”, conta o pesquisador.
Assim, o cálice ficou disfarçado e passou despercebido todos esses séculos. O abade da Basílica de São Isidoro, Dom Francisco Rodríguez, se mantém cético em relação à descoberta dos pesquisadores. “A Igreja já tem experiência nesse assunto para saber que é preciso ser prudente e esperar até que se possa confirmar se esse é mesmo o Santo Graal”, pondera.
Ao longo da história, surgiram várias teorias e versões sobre o paradeiro do Santo Graal, um dos motivos das cruzadas e também tema de vários filmes de Hollywood. Mas o abade desconversa quando perguntado se o Vaticano já sabe da descoberta de León. “Agradeço a preocupação, mas, se me permite, eu prefiro não responder a essa pergunta”, diz.
Os professores espanhóis conseguiram traçar a história do verdadeiro cálice de León até o ano 400. Para o pesquisador, está claro: “Este é, sim, o objeto que deu origem à lenda do Santo Graal. Disso, não há dúvida”.
O Detetive do Improvável, entretanto, sempre apresenta cautela em suas análises definitivas, pois já vimos as coisas mais desconsertantes duante nossa busca pela verdade. As paixões dos envolvidos, o interesse em que uma peça falsa garanta a segurança de uma verdadeira são apenas rápidos exemplos do que podemos nos deparar. Portanto o estudo continua. Devemos alertar aos nossos leitores que, em pesquisas que envolvem temas religiosos, é sempre sábio alertar que a documentação história pode sempre ferir a fé dos mais devotos, já que muitas tradições se perpetuam, por vezes, baseadas em erros, enganos ou desonestidades descabidas. A busca pela lenda do Santo Graal não é diferente. A historia do Cristianismo está abarrotada de sincretismo que retirou a pureza do culto dos chamados “primeiros cristãos”, com comportamentos e regras mais próximas do judaísmo do que o observado nos séculos vindouros. Vejam o que consta no Wikipédia:
Santo Graal é uma expressão medieval que designa normalmente o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia, e onde, na literatura, José de Arimateia colheu o sangue de Jesus durante a crucificação[1], entretanto a origem do Santo Graal é muito anterior ao cristianismo, o Graal já existe entre os Celtas (BEHREND; Jens Peter e DISCOVERY CHANEL, “O Santo Graal”; [Filme-vídeo] dirigido por BEHREND e produzido por DISCOVERY CHANEL, 2007; disponível em: http://embedr.com/playlist/documentario-o-santo-graal acessado em 23 de julho de 2011). A primeira referência a ele aparece num poema onde conta a busca do rei Artur e seus cavaleiros por um recipiente mágico, um caldeirão. Este caldeirão poderia dar novo sabor a alimentos, vida e vigor as pessoas. A questão é que quando esta lenda aparece durante a Idade Média, ela passa por um processo de cristianização. E neste contexto o Caldeirão mágico que traria novamente vida e prosperidade num período de miséria novamente a Camelot, se torna o Santo Graal.
Ele está presente nas Lendas Arturianas, sendo o objetivo da busca dos , único objeto com capacidade para devolver a paz ao reino de Arthur. No entanto, outra interpretação (embora sem nenhum fundamento histórico)[2], diz que ele designa a descendência de Jesus segundo a lenda, ligada à Dinastia Merovíngia. Nesta versão, o Santo Graal significaria Sangreal ou seja Sangue Real. Finalmente, também há uma interpretação em que ele é a representação do corpo de Maria Madalena [3], uma seguidora de Jesus. Estes dois últimos pontos de vista se popularizaram com o romancista e escritor de “O Código da Vinci” Dan Brown.
NOTA: Dan Brown, perpetuando seu livro por décadas, pode vir a criar uma nova linda lendária sobre o santo graal? Sim. Mas, que fique claro que a lenda já existia muito, muito antes do livro, já sendo conhecida pelos estudiosos.
Uma pergunta que primeiramente vem a mente de quem se interessa pelo tema é “qual seria a sua forma?”. Pela literatura antiga temos as seguintes descrições:
I) Simples e redondo – A primeira vez que ele aparece num romance medieval é em Le Conte du Graal (“O Conto do Graal”), do francês Chrétien de Troyes, no século 12. Ele é descrito não como um cálice, mas como uma tigela redonda e simples
II) Luxuoso e talhado – Em outros textos, que permanecem de autoria desconhecida e são datados entre os séculos 12 e 13, o Graal aparece na forma de um cálice bastante luxuoso, talhado em 144 facetas incrustadas de esmeraldas
III) Divino e intocável – Em The Queste Del Saint Graal (“A Busca do Santo Graal”), texto do século 13 creditado ao francês Robert de Boron, o cálice é descrito como um objeto divino sem forma. Somente alguém puro e casto poderia tocá-lo.
O leitor ainda está pensando sobre a opinião morna do Vaticano a respeito do cálice está ou não em Léon? Pois bem, em 2007 saiu na mídia a seguinte notícia:
Segundo Alfredo Barbagallo, presidente da associação Arte e Mistério de Roma, a peça está guardada na basílica romana de San Lorenzo Extramuros.
O estudo de Alfredo Barbagallo se baseia na iconografia medieval da basílica de San Lorenzo, na qual está representado o Santo Cálice, segundo informações da agência Ansa. Estas imagens estão orientadas em direção às catacumbas adjacentes de Santa Ciríaca que, situadas abaixo do templo, deveriam conservar a relíquia, afirma o arqueólogo.
O paradeiro do Santo Graal é considerado desconhecido desde o ano 258, durante a perseguição de Valeriano, quando os tesouros eclesiásticos (entre eles um Santo Cálice) foram entregues pelo papa Xisto II ao diácono Lorenzo, que morreu quatro dias depois.
Porém, O mais detalhado estudo sobre o cálice de Cristo é sem dúvida o que foi realizado em Valência. A revista Istoé publicou uma reportagem feita no local, entrevistando os principais pesquisadores. Veja o trecho abaixo(retirado do endereço: https://istoe.com.br/1575_ONDE+ESTA+O+SANTO+GRAAL/ ):
Quando a história sobre um determinado objeto atravessa o tempo – e, no caso, pensar em tempo significa traduzi-lo em milênios -, corre-se o risco de ela ir sendo aos poucos modificada. Pode tornar-se mais mítica, pode cada vez mais se cercar de mistérios. Esse foi um dos princípios que nortearam os 150 cientistas que se reuniram na semana passada em Valência, na Espanha, para apresentar as suas mais recentes descobertas sobre o Santo Graal – segundo o Novo Testamento, um cálice de 17 centímetros de altura no qual Jesus Cristo tomou vinho em sua Última Ceia com os apóstolos. Valendo-se de exames arqueológicos do material desse cálice, guardado a sete chaves na catedral de Valência, os pesquisadores afirmaram que o Santo Graal, muito provavelmente, de fato existiu, mas derrubaram lendas e mistérios que o foram envolvendo através dos séculos a ponto de transformá- lo em um símbolo quase inconsútil da religião católica. “Sempre se acreditou em cenas pobres, como as dos discípulos sentados no chão e Jesus, entre eles, pregando. Da mesma forma, sempre se fez crer que o Santo Graal seria um simples e pobre cálice de barro. As análises desse cálice e o seu contexto histórico, no entanto, provam que as coisas não são bem assim”, diz Vicente Martinez, um dos mais conceituados historiadores da Universidade de Valência. “Jesus escrevia em hebreu e era chamado de rabi (mestre, em hebraico). E freqüentava famílias de posses como a de Lázaro”, diz ele. “Temos de ter a coragem de admitir que a taça da Última Ceia não é de barro, é linda e rica, adornada com ouro e pedras preciosas.” Ou seja: a taça luxuosa que desde 1428 está em Valência, a julgar pela tese desse pesquisador, tem mesmo grande chance de ser o legítimo Santo Graal.
Mas, o tema vai ganhando mais algumas complicações sobre onde estaria o verdadeiro Santo Graal, se tornando uma verdadeira “troca de farpas”, com seus defensores lutado pelo reconhecimento da autenticidade da taça que possui.
DISPUTA DE TAÇAS
Análises colocaram um fim no dilema sobre a legitimidade da taça romana de Antioquia (ao lado). Ela tem capacidade para dois litros de vinho.
Outro mistério a cercar o cálice (ou taça) diz respeito a sua trajetória a partir da crucificação de Jesus. O antropólogo alemão Michael Hessemann foi um dos cientistas que tocaram nesse ponto ao apresentar aqui lo que considera o “resgate dos caminhos do Santo Graal”. Segundo ele, foi José de Arimatéia que recolheu, com essa taça, parte do sangue que jorrou de Cristo na cruz. O cálice foi então confiado a religiosos até ser perdido na Europa depois de uma perseguição do imperador romano Públio Valeriano, em 258 d.C. “No primeiro meio milênio após a morte de Jesus, documentos literários se referem ao Graal estando ele em posse dos Cavaleiros da Távola Redonda, como um objeto misterioso que dava sorte ao rei Arthur”, diz Hessemann. Especialistas israelenses endossam a teoria de que o Santo Graal foi sempre protegido por reis que lhe atribuíam poderes mágicos e sobrenaturais, até que chegou a Valência, onde está até hoje.
Uma das mais revolucionárias novidades, no entanto, vem do arqueólogo espanhol Antonio Beltran, catedrático de arqueologia da Universidade de Zaragoza e um dos mais renomados cientistas do mundo. Beltran afirma que o cálice foi “maquiado” com o passar do tempo.
“Creio que a taça que está em Valência seja a legítima. Mas suas asas, a sua base de ouro e a sua copa alexandrina de ágata foram feitas muito tempo depois, por volta do ano de 1600 da era cristã. E têm origem oriental”, diz Beltran.
Em meio a tanto mistério e teorias, nada mais natural que outras taças tenham surgido ao longo do tempo, exibidas como sendo aquela que a Bíblia avaliza. A peça que mais ganhou força nessa multiplicação de cálices chama-se Antioquia e está em Roma.
“Tenho provas que evidenciam o contrário. Essa taça tem capacidade para dois litros, grande demais para ser passada de mão em mão na mesa da Última Ceia”, diz a historiadora americana Janice Bennet. Ela integra o rol dos 150 cientistas que pedem à Unesco para outorgar ao Santo Graal, mais particularmente à peça que está em Valência, o título de Patrimônio da Humanidade. “É impossível não reconhecer a importância desse cálice.
Talvez ele nunca tenha sido tocado por Jesus, mas temos também de levar em consideração a evidência de ele estar intacto, e talvez isso se deva ao fato de ser sagrado”, diz Martinez.
No Congresso Interna cional sobre o Santo Graal, em Valência, cientistas reconheceram a taça acima como a verdadeira e afirmaram que ela foi feita 100 anos a.C. Apenas a sua parte superior é da época de Jesus.
Conclusão:
A ciência exige cada vez mais para ofertar seu reconhecimento oficial. Isso é visto positivamente para que a humanidade possa avnçar pisando sobre as calçadas da verdade, ou, pelo menos, do solo mais proximo dela.
Pessoalmente, eu, Cain Wolf, tenho pesquisado desde a adolescencia a Bíblia e sua várias interpretações. Fiz primeira comunhão, crisma, frequentei reuniões durante anos com amigos evangélicos, cheguei a me batizar na Igreja Batista. Fiz até o curso de dois anos dos Testemunhas de Jeová que batem a nossa porta e quase sempre são rejeitados. Sinceramente, juntando toda essa bagagem, eu , se fosse um dos líderes dos cristãos(logicamente não se denominavam ainda assim) contemporâneos de Jesus ou entre os primeiros após sua morte, o que eu buscaria era o desaparecimento ou destruição definitiva de qualquer objeto, roupa, etc, que pudesse virar objeto de adoração. Penso que eles combatinham esse tipo de coisa, que passou visivelmente a ser cultuada, séculos depois. Então, tendo existido um cálice durante a santa ceia, ele deve ter sido tratado como qualquer outra peça que foi colocada naquela mesa. Tudo bem, que Cristo dá um certo destaque ao cálice em suas seculares palavras, mas, nada que se compare para os Cristãos, ao seu sangue. Além disso, sempre estranhei por qual motivo um homem como José de Arimatéia, que tambem não cultuava a adoração de objetos, teria levado a momento da cruscificação de Jesus, o cálice da santa ceia. Mas, estranho ainda é ter colhido sangue de Cristo com ele. Mas, essas são apenas reflexões de alguem que como você, também busca a verdade, caro leitor. O mistério, a lenda e o fascinio por um dos mais misteriosos objetos da história da humanidade continuará enchendo o coração dos homens até transbordar.
Indo a Valência…
Taça em ágata carneliana, sem decoração, datada entre I AC e II DC, na região entre Síria e Egipto.
Resumo dos textos da exposição: De Jerusalém terá passado no séc. I a Antioquia e depois a Roma, onde foi utilizado até Sixto II. Em 258, Valeriano proíbe o culto cristão. O cálice é enviado para Huesca, e a partir do séc. VIII anda a escapar aos mouros pelos Pirinéus aragoneses, de mosteiro em mosteiro. Só em 1399 volta a ser mencionado como estando na posse dos monjes de San Juan de la Peña,
perto de Huesca. É trasladado para Saragoza, onde vai fazer parte do relicário real ; depois para Barcelona, onde é recuperado pelo rei Afonso V que o leva para Valência, sendo definitivamente depositado na Catedral em 1437. Mas várias vezes voltaria a sair temporariamente – nas guerras napoleónicas, na guerra civil espanhola , ou a pedido de alguns Papas.
A taça chegou até nós luxuosamente montada numa base constituída por outra taça invertida em calcedónia, decorada com 28 pérolas 2 rubis e 2 esmeraldas, revestida a ouro, do séc. XI.
Está (estará?) na Capilla del Santo Caliz:
Assim atestam respeitáveis calhamaços.
D. Antonio Beltrán, “El Sangrado Cáliz”, a principal fonte da tese valenciana.
Agradecimentos : olivrodaareia.blogspot.com.br