DE DORIAN GRAY À ERA DIGITAL: UMA CRÍTICA À OBSESSÃO PELAS APARÊNCIAS DESDE A LITERATURA VITORIANA
Giully Beatrice Villarinho da Silva Monte Claro
DE DORIAN GRAY À ERA DIGITAL: UMA CRÍTICA À OBSESSÃO PELAS APARÊNCIAS DESDE A LITERATURA VITORIANA
Giully Beatrice Villarinho da Silva Monte Claro
RESUMO
O presente estudo investiga a permanência da obsessão pelas aparências ao longo do tempo, traçando um paralelo entre o romance “O Retrato de Dorian Gray” e o cenário contemporâneo, marcado pelas redes sociais e pela cultura digital. Utiliza-se uma metodologia de análise comparativa, observando como as preocupações com a imagem pessoal evoluíram, mantendo uma constante busca pela juventude e perfeição estética. Esta análise aborda o impacto da tecnologia e da mídia na construção de identidades, destacando os efeitos psicológicos e sociais desse fenômeno. Conclui-se que, embora os contextos tenham mudado, a busca pela aprovação social por meio da aparência permanece relevante, com novas formas de expressão e pressão impostas pela era digital.
PALAVRAS-CHAVE: Aparências. Obsessão. Redes sociais. Dorian Gray.
INTRODUÇÃO
Desde tempos remotos, a aparência física e a imagem pessoal desempenham um papel crucial na forma como os indivíduos são percebidos e aceitos socialmente. Esse tema tem sido abordado por diversas formas artísticas, literárias e, mais recentemente, na esfera digital. Um dos exemplos mais clássicos dessa temática é encontrado no romance “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde, obra emblemática da Literatura Inglesa, que retrata a busca insaciável pela juventude e beleza. Com o avanço das tecnologias e a ascensão das redes sociais, essa preocupação estética se intensificou, criando uma sociedade cada vez mais centrada na imagem. A escolha desse tema é relevante, pois reflete as transformações sociais e psicológicas que ocorrem na contemporaneidade, onde o culto à aparência ganha novas dimensões. O objetivo central deste estudo é investigar a persistência da obsessão pelas aparências, desde a obra literária até a era digital, analisando o impacto das redes sociais e da cultura digital na construção da identidade. A metodologia utilizada será uma análise comparativa entre as perspectivas apresentadas na literatura e os dados contemporâneos sobre o comportamento online. Espera-se que este estudo contribua para a compreensão de como a sociedade atual, mesmo com diferentes ferramentas e contextos, continua a valorizar intensamente a imagem externa, gerando implicações para a autoestima, saúde mental e relações sociais.
DESENVOLVIMENTO
UMA ANÁLISE NO ROMANCE DE OSCAR WILDE
Neste estudo, observa-se que Oscar Wilde, em “O Retrato de Dorian Gray”, explora como a busca pela beleza pode levar à corrupção moral. A história de Dorian reflete o desejo humano de preservar a juventude e escapar das consequências do envelhecimento, algo que é amplamente refletido na sociedade atual. A construção da imagem no romance serve como uma metáfora para a superficialidade e o hedonismo que continuam a permear a cultura contemporânea, conceitos abordados por autores como Simmel (2004, p. 45), que discute a “cultura da aparência” na modernidade, onde a imagem externa se torna uma medida de valor na sociedade.
O romance de Oscar Wilde reflete o contexto estético do século XIX, uma era marcada pela glorificação da imagem e da beleza física em detrimento dos aspectos internos e morais. Wilde aborda esse culto à aparência através da figura de Dorian Gray, que se encanta por sua própria juventude e beleza ao ver seu retrato finalizado. O quadro se torna um símbolo da efemeridade da beleza e do conflito entre aparência e essência, tema central na filosofia estética de Kant (2007, p. 112), que debate a dissociação entre beleza superficial e virtude interior.
A juventude eterna, simbolizada pelo retrato, revela-se mais tarde uma mentira, pois leva Dorian Gray a uma morte precoce, que ocorre de dentro para fora. Existe uma ironia inerente, pois a pintura, criada para imortalizar sua juventude, é, na verdade, o veículo que desencadeia sua ruína. A imagem do retrato evoca ambiguidades e paradoxos, como a presença e a ausência, o semelhante e o dessemelhante, o passado e o presente.
Essa complexidade ilustra a atemporalidade da obra de arte e a inquietação moderna retratada por Wilde, conectando-a ao dandismo — um comportamento tipicamente vitoriano de valorização da estética, luxo e distinção. O próprio Oscar Wilde era dândi, sendo um dos maiores representantes do dandismo na época, conforme afirma Peter Raby (1988, p. 76).
Lord Henry Wotton é o personagem utilizado por Wilde para reforçar a crítica à superficialidade da sociedade vitoriana, afirmando que a beleza se sobrepõe ao pensamento crítico. Ele expressa uma visão onde o “belo” cumpre um papel artístico, sendo objeto de admiração e observação. Essa perspectiva reflete a ideia de Nietzsche (2007, p. 58), de que a arte e a estética podem ser vistas como os meios pelos quais os indivíduos buscam transcendência em uma realidade fragmentada.
Wilde também traz à tona o conceito de moralidade artística, sugerindo que a obra de arte possui uma moralidade própria, distante dos julgamentos de valor comuns, como discutido por Adorno e Horkheimer (2002, p. 134) em sua crítica à indústria cultural e à estética superficial da sociedade de massas.
O retrato de Dorian, embora destinado a ser escondido, acaba por expor uma alma impura e doentia, contrastando com a ideia de que retratos são feitos para serem exibidos. A relação de Dorian e Lord Henry é certamente um dos pontos fortes da obra, pois foi como toda a tragédia da vida do rapaz teve início. Ao conhecer Lord Henry, Dorian tenta não se deixar levar por sua influência e suas palavras, mas lentamente, elas entram na cabeça do rapaz e começam a transformar sua personalidade. A visão hedonista de Henry, que desprezava a moralidade tradicional e celebrava a gratificação imediata, seduziu Dorian de uma maneira que ele nunca poderia ter previsto. Essa transformação pode ser analisada à luz da teoria de Foucault (2004, p. 101) sobre o poder e a constituição do sujeito, onde a internalização do discurso hedonista de Henry altera completamente a percepção de Dorian sobre sua identidade e moralidade.
Um ar de felicidade surgiu em seus olhos, como se ele houvesse se reconhecido pela primeira vez. Ficou parado, imóvel, espantado, com uma consciência vaga de que Hallward estava falando com ele, mas sem apreender o significado das palavras. O sentimento da própria beleza o assaltou como uma revelação. Ele nunca o tinha sentido antes. Os elogios de Basil Hallward lhe pareciam galanteios exagerados de amizade. Ele os ouvia, ria deles, e esquecia. Não influenciavam sua natureza. Depois viera Lord Henry Wotton, com o estranho panegírico sobre a juventude, a terrível advertência sobre a sua brevidade. Ele se excitara na hora, e agora, enquanto contemplava a sombra do próprio encanto, a realidade plena da descrição reverberou dentro dele. Sim, haveria um dia em que o rosto estaria enrugado e murcho, os olhos apagados e descoloridos, a graça de sua figura partida e deformada. O escarlate dos lábios desapareceria, e o dourado se furtaria de seus cabelos. A vida que construiria a sua alma desfiguraria o corpo. Ele se tornaria horroroso, medonho e estranho. Enquanto pensava nisso, uma pontada aguda de dor o feriu como uma faca, e fez com que cada fibra delicada de sua constituição estremecesse. Os olhos se aprofundaram em ametistas, e deles brotou um nevoeiro de lágrimas. Sentiu como se uma mão feita de gelo pousasse sobre seu coração. (WILDE, 2012, p. 34-35)
Alguns minutos com Lord Henry foram o bastante para levar Dorian a uma espiral de eventos que desencadeariam a deterioração de sua alma e de sua identidade. Até ouvir Henry, Dorian tinha seus próprios valores e princípios, independentemente de como a sociedade britânica agia naquela época. Mas Lord Henry, com sua retórica envolvente e suas ideias provocadoras, começou a erodir essas crenças. A ideia de que a beleza e a juventude eram os únicos bens que realmente importavam tornou-se um mantra em sua mente.
Essa lógica hedonista também é discutida por Lipovetsky & Serroy (2015, p. 22), que analisam a esteticização da sociedade contemporânea, na qual os padrões de beleza e a busca pela juventude eterna se tornam os novos valores a serem perseguidos.
A pressão social para manter uma imagem impecável se reflete na dinâmica de Dorian e seu retrato, que passa a servir como um reflexo de sua alma corrompida. O espelho da alma revela as marcas de suas escolhas, e cada decisão se torna um passo em direção a um abismo do qual ele temia nunca mais conseguir escapar. Em sua análise do romance, Araújo et al. (2018, p. 150) destacam o contraste entre o visível e o invisível como um ponto-chave, onde a busca incessante pela perfeição externa esconde a verdadeira natureza do ser, evidenciando a hipocrisia da sociedade vitoriana e a crítica de Wilde à superficialidade e moralidade falsa.
Além de O Retrato de Dorian Gray, outras obras do século XIX também exploram a temática da imagem em contraposição à verdadeira virtude. Em O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, a dualidade da natureza humana é central, apresentando o Dr. Jekyll, que se transforma em Mr. Hyde para escapar das convenções sociais e explorar seus impulsos mais sombrios. Essa luta entre as aparências respeitáveis e a essência moral reflete a hipocrisia da sociedade vitoriana. Por sua vez, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, destaca a complexidade dos relacionamentos e como os personagens muitas vezes escondem suas verdadeiras emoções por trás de fachadas sociais.
Ambas as obras, assim como a de Wilde, questionam os valores da sociedade e a verdadeira natureza do ser humano, ressaltando como a busca pela aceitação social pode levar a consequências devastadoras. De acordo com Houghton (1957, p. 82), essas obras são representações literárias da dissonância entre o público e o privado, uma reflexão sobre as fragilidades humanas e os custos sociais da aparência.
Dois séculos depois, o mundo ainda sofre do mesmo mal, talvez até mais do que sofria antes, e grande parte disso se dá por causa da evolução tecnológica e dos meios digitais, como abordado por Bauman (2001, p. 27) em sua análise sobre a “modernidade líquida”, onde as identidades são constantemente moldadas e fragmentadas pelo consumo de imagens, agora potencializado pelas redes sociais.
2.2 CULTURA DO CANCELAMENTO: O NOVO PURITANISMO VITORIANO
Conforme afirma Heidegger “A origem da obra de arte e do artista é a arte” (HEIDEGGER, 2002, p. 58). Nos dias atuais, em que somos forçados a nos adaptar a uma nova era da imagem, principalmente voltada às redes sociais e ao meio digital, nós somos os artistas, e, como qualquer artista, as nossas obras de arte — que é a nossa imagem na internet — são resultado de uma idealização do artista e não retratam a realidade, assim como o retrato pintado por Basil não era capaz de representar o interior de Dorian até que o mesmo desejasse trocar de lugar com o retrato.
Com a ascensão das redes sociais como Instagram e TikTok, a obsessão com a aparência foi amplificada. Agora, a apresentação visual do eu é mediada por filtros digitais e plataformas que incentivam a comparação social constante. A era digital trouxe uma nova forma de narcisismo, onde a autoimagem pública é cultivada e mantida de maneira cuidadosa para obter aceitação e aprovação social. No contexto da era digital, a relação dos personagens Dorian Gray e Lord Henry Wotton faz paralelo com uma figura que se tornou primordial nos últimos anos, em toda e qualquer esfera online: O influenciador digital.
Os influenciadores digitais são “aquelas pessoas que se destacam nas redes e que possuem a capacidade de mobilizar um grande número de seguidores, pautando opiniões e comportamentos e até mesmo criando conteúdos que sejam exclusivos” (SILVA; TESSAROLO, 2016, p. 5).
Como o próprio nome indica, os influenciadores digitais estão na internet para influenciar os usuários que os seguem, e para isso, eles frequentemente criam uma persona idealizada, que pode distorcer a realidade e gerar uma pressão constante para manter essa imagem. Quando essa imagem, esse modelo de perfeição seguido por milhares de pessoas na internet, é corrompido — seja por uma fala mal pensada, ou por um passado sombrio desenterrado — os usuários recorrem imediatamente à chamada cultura do cancelamento, uma “espécie de boicote aberto praticado no cenário virtual” (GONÇALVES; DUARTE, 2020, p. 8). Essa cultura pode arruinar em poucos minutos uma reputação que levou anos para ser construída — ou melhor, um retrato que levou anos para ser pintado.
Na Era Vitoriana, também era fácil arruinar a reputação de uma pessoa; assim como nos dias atuais, bastava espalhar a notícia. Isso é exemplificado por Robert Louis Stevenson (2019, p. 10-11) no capítulo 1 de O Médico e o Monstro quando, após Mr. Hyde ser visto machucando uma criança, Richard Enfield e outras testemunhas afirmam que podiam, e fariam um escândalo que mancharia o nome de Hyde por toda Londres e que ele perderia todos os seus amigos, se é que tinha algum.
A sociedade vitoriana, assim como a sociedade digital contemporânea, é marcada pela vigilância e pela observação crítica dos comportamentos e imagens alheias. No mundo digital, essa vigilância é potencializada pela natureza onipresente das redes sociais, nas quais todos podem ser espectadores e críticos. A cultura da exposição constante cria um ambiente em que a imagem pública se transforma em um espelho de expectativas sociais e de um ideal de perfeição, cuidadosamente mantido por cada indivíduo.
Assim como a Londres Vitoriana, onde rumores e escândalos eram capazes de arruinar uma reputação de forma irreversível, o meio digital age como uma nova ágora, um espaço público em que informações, verdades e mentiras circulam sem limites e, muitas vezes, sem contexto. Nesse sentido, a internet se torna não apenas um meio de expressão, mas também uma arena para julgamentos públicos, em que as ações de um indivíduo são amplamente escrutinadas, revelando a fragilidade das reputações construídas digitalmente.
Como observa Bauman (2001, p. 12), “na era moderna líquida, as identidades são maleáveis, feitas para serem moldadas e remoldadas conforme o contexto e as expectativas”. Nesse cenário, influenciadores digitais e usuários comuns vivem uma dicotomia: de um lado, a oportunidade de criar e recriar suas imagens públicas; de outro, a ameaça constante de que uma falha, por menor que seja, possa comprometer toda a narrativa que construíram. Essa situação espelha o medo constante de Dorian Gray de ver seu segredo revelado.
Além disso, é relevante destacar como a cultura do cancelamento representa uma resposta da sociedade a essa idealização da imagem pública. Quando uma figura pública falha em atender às expectativas estabelecidas, ela é prontamente rejeitada e punida. Esse fenômeno pode ser interpretado como um reflexo contemporâneo do puritanismo vitoriano, que também reagia de forma veemente a comportamentos considerados imorais ou inaceitáveis. Contudo, na era digital, o julgamento e a punição são mais rápidos, mais amplos e mais duradouros, pois as informações ficam arquivadas e disponíveis para sempre.
Dessa forma, a construção da imagem na era digital pode ser vista como um retrato contemporâneo, vulnerável tanto à idealização quanto à condenação pública. O paralelo entre as obras de Oscar Wilde e Robert Louis Stevenson com o cenário digital atual revelam a persistência de temas como a hipocrisia social, a moralidade pública e o poder destrutivo dos rumores e escândalos. Ao mesmo tempo, mostram como o ideal de perfeição e a exigência de pureza se perpetuam, ainda que em novas formas e contextos.
FILTROS DE EMBELEZAMENTO E OS “RETRATOS ESCONDIDOS”
Na era digital, os filtros de embelezamento tornaram-se ferramentas amplamente utilizadas para modificar a imagem pessoal em plataformas como Instagram e TikTok. Esses filtros permitem ajustes rápidos e acessíveis, eliminando imperfeições e criando versões idealizadas do “eu”. Contudo, essa prática levanta debates sobre autenticidade e a construção de uma imagem pública distorcida, que, assim como o retrato de Dorian Gray, oculta aspectos mais profundos e reais da identidade do indivíduo. Turkle (1995, p. 38) afirma que essa busca por transformar a aparência reflete uma tentativa de criar uma identidade digital idealizada.
De maneira semelhante, os filtros digitais podem ser comparados a uma máscara que disfarça as imperfeições e fragilidades da vida real. Goffman (1959, p. 53) observa que isso gera uma tensão entre a autoimagem projetada nas redes sociais e a identidade autêntica fora delas. Tiggemann e Slater (2014, p. 635) acrescentam que a popularização dos filtros reflete um desejo contemporâneo de alcançar perfeição estética e controle sobre a própria imagem. Contudo, os autores também destacam os potenciais impactos negativos dessa prática, especialmente na autoestima e na percepção de si, ao promover padrões de beleza inatingíveis.
Recentemente, a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, anunciou a descontinuação do Meta Spark, ferramenta que permitia aos usuários criar filtros personalizados e compartilhá-los com outros. Segundo o portal CNN Brasil (2024), a decisão foi justificada como parte de um esforço para priorizar produtos que atendam melhor às necessidades futuras dos consumidores. No entanto, essa mudança gerou grande insatisfação, já que muitos usuários consideravam esses filtros essenciais para projetar uma versão idealizada de si mesmos
Essa mudança pode provocar uma crise de identidade digital para muitos, especialmente em um contexto no qual autoestima e autoimagem estão profundamente conectadas àquilo que se projeta nas redes sociais. Os estudos de Fardouly et al. (2015) indicam que o uso de plataformas como o Facebook está associado ao aumento de preocupações com a aparência, especialmente em mulheres jovens que têm maior tendência a fazer comparações sociais.
Assim como a destruição do retrato de Dorian Gray revelou sua verdadeira aparência e forçou o confronto com a realidade, o fim do Meta Spark retira uma ferramenta que servia para esconder imperfeições e fragilidades, expondo a identidade autêntica por trás da fachada.
Além disso, Marwick (2013, p. 72) destaca que ferramentas como os filtros desempenham um papel central na construção de identidades digitais. Para muitos usuários, perder a possibilidade de usar filtros personalizados não é apenas uma questão estética, mas representa uma ruptura em narrativas cuidadosamente construídas ao longo do tempo. Essa dependência reforça a necessidade de projetar imagens perfeitas nas redes, ainda que distantes da realidade.
Nesse sentido, vale relembrar o simbolismo do retrato de Dorian Gray, mantido trancado em um quarto e oculto do olhar dos outros, enquanto sua aparência imaculada era exibida ao público. Do mesmo modo, as redes sociais permitem esconder lutas e imperfeições atrás de imagens cuidadosamente editadas. O fim do Meta Spark, independentemente das razões, decepcionou muitos usuários ao privá-los de uma ferramenta que sustentava suas fachadas de perfeição, obrigando-os a enfrentar suas “imperfeições trancadas no quarto”.
IDENTIDADE PRIMÁRIA, AVATAR IDEAL E LÍDER DA IMAGEM
Karla Andressa da Silva Araújo, (2023, p. 21-31) define Basil Hallward, Dorian Gray e Lord Henry, respectivamente como Identidade Primária, Avatar Ideal e Líder da Imagem, comparando a obra com o funcionamento das mídias digitais, destacando o Instagram. Basil, a Identidade Primária, representa quem Dorian era antes de sua transformação, antes de ser exposto a outra realidade, pois ele pintou Dorian como ele enxergava o rapaz, sem qualquer tipo de filtro ou manipulação. No contexto moderno, é como se Basil tivesse tirado uma foto e não colocasse filtro algum, e quando Basil afirma a Henry que colocou “muito de si mesmo” (WILDE, 2012, p. 9), Henry imediatamente o contradiz, afirmando que a aparência de Basil não se compara a imagem do retrato — o retrato era perfeito. O artista não. “Basil pode ser visto como o usuário, ainda em sua Identidade Primária, antes de usufruir do recurso de alterar a sua selfie. É ele também quem oferece o recurso para Dorian manter a sua juventude e beleza eterna.” (ARAÚJO, 2023, p.24).
Performamos aos olhos do Outro bonitos e adequados, mas seguindo uma lógica anterior aos usuários, e que propõe o padrão de beleza a ser seguido. É uma lógica instituída para atender a demandas pré-programadas. Não somente um referencial de beleza se fez molde; mas um molde baseado em um tipo de beleza escolhida. A lógica estruturante é a dos algoritmos, que definem como pasteurizar qualquer rosto para que se torne o rosto programado. Esse processo é perigoso, pois elimina a beleza da singularidade orgânica de cada rosto e erode a sensação de valor da própria imagem de si. Os algoritmos e os filtros não escapam à lógica de poder da cultura, nem aos estereótipos do que é reforçadamente considerado belo. Dessa forma, não apenas pasteurizam a aparência do rosto eliminando o valor da alteridade, como reforçam o ideal de beleza já dominante (em geral, eurocêntrico). À parte toda a imposição estética já existente no imaginário dos usuários que seguem os critérios de beleza de celebridades e influenciadores digitais, é por meio dos algoritmos dos filtros que esse padrão se encarna, digital e voluntariamente, no rosto do usuário. (CINTRA, 2020, p.40)
Dorian representa o Avatar Ideal, que é a imagem perfeita que o personagem deseja se tornar. O Avatar Ideal apesar de ser o segundo conceito apresentado pela autora, é um resultado direto do Líder da Imagem, representado por Lord Henry. A transformação da Identidade Primária de Dorian no Avatar Ideal começou quando o rapaz ficou diante de seu retrato. Após conversar com Lord Henry, a ideia de envelhecer tornou-se tão odiosa e repugnante, que Dorian caiu em desespero e desejou ficar para sempre daquele jeito. O desejo proferido pelo personagem caracteriza o romance como um conto faustiano, pois quando Dorian diz “Sim, não há nada em todo o mundo que eu não daria! Daria a minha alma por isso!” (WILDE, 2012, p. 35), ele afirma que abriria mão de seus valores e de sua moral em troca de benefícios externos, que são a beleza e a juventude eternas. Mas o que é importante destacar, é que essa transição teve um gatilho, que foi justamente a influência e a interferência do Líder da Imagem: Lord Henry.
Em suma, o Líder da Imagem é a figura que influencia a Identidade Primária a buscar seu Avatar Ideal. Trazendo para o contexto contemporâneo digital, os influenciadores digitais são as pessoas que se encaixam nesse perfil. Seus seguidores são influenciados por suas crenças, seus valores, suas ideias e até seus perfis de consumo. Isso resulta em uma fragmentação de identidade, que mais tarde, extingue a Identidade Primária em prol de sobressaltar o Avatar Ideal. Na obra de Wilde, isso é representado de várias formas.
Uma delas é quando Basil — a Identidade Primária — fica horrorizado a ver o que Dorian se tornou. Outra, é quando Dorian assassina Basil a sangue frio. Em outras palavras, ele destrói completamente a sua Identidade Primária, restando apenas seu Avatar Ideal, que mais tarde, após anos sendo influenciado por um Líder Primário, também se torna um Líder Primário.
É natural que isso também ocorra no meio digital, pois o usuário moderno dessas mídias além de consumir conteúdo, também o produz. “Nas plataformas virtuais, cada qual é consumidor dos dados fornecidos pelos outros, ao mesmo tempo que produtor do seu ‘perfil’” (LIPOVETSKY & SERROY, 2015, p. 372).
PSICOLOGIA SOCIAL E EFEITOS DA CULTURA DIGITAL
A psicologia social contemporânea investiga como as redes sociais moldam a autoimagem e influenciam as relações interpessoais. Bourdieu (1986, p. 24) destaca que o conceito de “capital social” pode ser entendido de forma ampliada, incluindo elementos como curtidas, seguidores e comentários, que passaram a representar o valor e a popularidade de um indivíduo. Essa dinâmica contribui para um ciclo contínuo de busca por validação externa, reforçando o desejo por perfeição física e reconhecimento. Na perspectiva de Ellison, Steinfield e Lampe (2007, p. 1145), o capital social digital é visto como uma moeda simbólica que depende da exposição pública e de interações positivas nas plataformas digitais. Por sua vez, Fardouly et al. (2015, p. 39) enfatizam que essa busca por validação externa tem gerado comportamentos onde a autoimagem está cada vez mais associada ao número de curtidas e seguidores.
Em “A Alma do Homem sob o Socialismo”, Wilde reflete sobre a comunicação das massas como algo ambivalente, que prometia um “despertar”, mas, em sua visão, colaborava mais para a desigualdade e o controle social, impedindo o florescimento do verdadeiro individualismo. Tufekci (2015, p. 112) analisa esse pensamento e traça paralelos com as redes sociais, que, embora pareçam oferecer liberdade de expressão, acabam controlando a visibilidade das narrativas por meio de algoritmos e políticas de moderação. Para Tufekci, essa liberdade aparente serve mais para perpetuar padrões culturais e sociais dominantes do que para estimular a emergência de um individualismo autêntico.
Perloff (2014, p. 365) observa que a pressão para manter uma presença digital perfeita e a comparação constante com vidas idealizadas têm impactos negativos na saúde mental, como ansiedade, baixa autoestima e depressão. Nesse contexto, Festinger (1954, p. 118) oferece uma interpretação sob a ótica da “comparação social”, que se intensifica na era digital devido ao fácil acesso às vidas alheias.
Tiggemann e Slater (2014, p. 633) acrescentam que as plataformas digitais não apenas promovem essa comparação, mas também incentivam a criação de um “eu ideal” por meio de filtros e edições. Segundo os autores, isso resulta em um ciclo de feedbacks positivos e negativos, onde o valor pessoal é medido por métricas como curtidas e seguidores, intensificando a busca por um ideal inalcançável. Kuss e Griffiths (2017, p. 312) concluem que os algoritmos das redes sociais, programados para privilegiar conteúdos de alto engajamento, acabam reforçando narrativas e padrões estereotipados, exacerbando a pressão por alcançar esses ideais e desvalorizando a autenticidade.
O conceito de “capital social digital” também reflete como as redes sociais se tornaram um espaço para disputas de status e poder simbólico. Para Ellison, Steinfield e Lampe (2007, p. 1145), a identidade digital se transforma em uma moeda cuidadosamente construída para maximizar engajamento e aceitação social. Quando essa validação não é alcançada, Valkenburg e Peter (2013, p. 82) observam que sentimentos de inadequação e exclusão são comuns. Esse fenômeno ecoa a crítica de Wilde, ao revelar como os indivíduos, mesmo em espaços que prometem liberdade, acabam submetidos às pressões normativas por aceitação social.
Sussman e Hershfield (2015, p. 118) argumentam que a liberdade de expressão nas redes sociais é condicionada pela lógica de engajamento máximo e pela exclusão de conteúdos que não se alinham aos padrões hegemônicos. Wilde já previa os perigos de sistemas que proclamam emancipar o indivíduo, mas que, na prática, restringem pensamentos e comportamentos. Sua metáfora sobre Dorian Gray ilustra bem essa problemática, ao mostrar como a obsessão pela aparência e validação externa pode levar à alienação.
No romance de Wilde, Dorian Gray se torna prisioneiro de sua própria imagem idealizada, uma dinâmica que Valkenburg e Peter (2013, p. 82) comparam à experiência digital atual. Assim como o retrato de Dorian escondia sua corrupção interna, as redes sociais frequentemente projetam uma versão idealizada das pessoas, mascarando lutas internas por aceitação e validação. Essa desconexão entre autoimagem digital e realidade, para os mesmos autores (2013, p. 83), promove comparações prejudiciais e padrões inalcançáveis, levando a sacrifícios emocionais em busca de uma perfeição ilusória.
Fardouly et al. (2015, p. 41) também identificam uma crescente alienação decorrente dessa pressão por validação externa, que eclipsa a autenticidade e fragmenta a identidade pessoal. Tiggemann e Slater (2014, p. 634) reforçam que a busca incessante por engajamento agrava essa desconexão, resultando em uma alienação cada vez maior.
Por fim, a trajetória de Dorian Gray é um alerta para os desafios da era digital. Perloff (2014, p. 369) ressalta que a obsessão por aparência e aceitação pode ter consequências devastadoras, assim como Wilde advertiu sobre os riscos de priorizar a estética em detrimento da ética. Tanto no século XIX quanto na contemporaneidade, a reflexão sobre autenticidade é um chamado para resistir às pressões das aparências e cultivar o verdadeiro eu.
2.6 PECULIARIDADES COMUNS NA ESCRITA DE AUTORES VITORIANOS
A literatura vitoriana, situada em um período marcado por profundas mudanças sociais, econômicas e culturais, reflete de maneira emblemática as ansiedades e contradições da sociedade da época. Esse contexto forneceu aos autores um terreno fértil para explorar temas como moralidade, identidade e as aparências, que dialogam diretamente com o tema central deste estudo: a obsessão pela imagem, tanto no contexto vitoriano quanto na era digital.
Os autores vitorianos frequentemente utilizaram suas narrativas para explorar as disparidades sociais e expor os dilemas morais que permeavam a sociedade da época. Em Oliver Twist, Charles Dickens faz uma crítica contundente à pobreza e à hipocrisia moral da sociedade vitoriana. O protagonista, órfão e vulnerável, torna-se um espelho das injustiças sociais, enquanto o autor expõe a falsa virtude das classes mais abastadas. Essa preocupação com o contraste entre as aparências sociais e a realidade das condições humanas reflete o mesmo impulso que vemos em Wilde ao expor as máscaras sociais em O Retrato de Dorian Gray.
A literatura gótica, um subgênero dominante na era vitoriana, foi um veículo poderoso para explorar a dualidade entre as aparências e a essência. Em O Médico e o Monstro, Stevenson constrói uma narrativa que literaliza essa dualidade, apresentando a figura de Hyde como a manifestação das pulsões reprimidas de Jekyll. Como destaca David Punter (1996, p. 102), “a literatura gótica vitoriana é particularmente hábil em dramatizar os conflitos internos e as tensões entre a fachada social e os desejos reprimidos”. Esse jogo entre a superfície e o oculto ressoa fortemente com a trajetória de Dorian Gray, cuja aparência imaculada esconde uma alma profundamente corrompida.
Outro tema recorrente na literatura vitoriana é o papel da mulher na sociedade, frequentemente explorado através da tensão entre a idealização e a transgressão da feminilidade. Charlotte Brontë, em Jane Eyre, constrói uma protagonista que desafia as convenções de gênero e classe ao buscar um equilíbrio entre a independência e a conformidade social. Como observa Jane Spencer (1986, p. 185), “os romances vitorianos frequentemente usavam suas heroínas para interrogar os limites impostos às mulheres enquanto reafirmavam, paradoxalmente, o ideal de virtude feminina”. Essa tensão reflete uma preocupação com as aparências sociais e os papéis de gênero, destacando como a imagem da mulher era cuidadosamente moldada e controlada.
Oscar Wilde, com sua escrita afiada e satírica, é talvez o autor vitoriano que mais explicitamente desconstrói a obsessão pelas aparências. Em O Retrato de Dorian Gray, Wilde denuncia a superficialidade de uma sociedade que valoriza a beleza acima de tudo, enquanto ignora a moralidade subjacente. Segundo Peter Raby (1988, p. 67), Wilde usa sua narrativa para “expor a fragilidade das construções sociais e a hipocrisia que permeia o culto à aparência”.
A casa vitoriana, descrita por Judith Flanders (2003, p. 112) como “um microcosmo das expectativas sociais e das hierarquias culturais”, desempenha um papel simbólico na literatura da época. Tanto em Jane Eyre quanto em Dr. Jekyll and Mr. Hyde, os espaços domésticos são usados para refletir as tensões entre ordem e caos, aparência e realidade. Esses ambientes, aparentemente harmoniosos, frequentemente escondem segredos e conflitos, espelhando a própria sociedade vitoriana.
As peculiaridades da literatura vitoriana — o realismo moral, o gótico, a crítica à feminilidade e à hipocrisia, e o uso simbólico do espaço doméstico — servem como uma rica tapeçaria para explorar a obsessão pelas aparências. Esses elementos não apenas definem o período literário, mas também estabelecem diálogos com as ansiedades contemporâneas da era digital. Assim como os autores vitorianos criticaram uma sociedade obcecada com a fachada moral e social, nossa era enfrenta desafios semelhantes, agora ampliados pela tecnologia e pelas redes sociais. As obras de Brontë, Dickens, Stevenson e Wilde permanecem relevantes, oferecendo lições valiosas sobre os perigos de priorizar a imagem em detrimento da substância.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos comparativos entre “O Retrato de Dorian Gray” e as dinâmicas das redes sociais na era digital revelam uma persistência inquietante: apesar da evolução dos contextos e das tecnologias, a obsessão pelas aparências permanece como uma característica intrínseca da sociedade contemporânea. A transformação das interações sociais em um espetáculo visual nas plataformas digitais não apenas intensifica essa obsessão, mas também amplia os desafios relacionados à autoestima e à saúde mental.
Neste novo cenário, a busca por validação através de “likes” e comentários torna-se uma extensão da experiência de Dorian Gray, que se via preso à sua imagem perfeita e ao desejo de ser admirado. Os usuários de redes sociais frequentemente se veem envolvidos em um ciclo vicioso de comparação, onde a autenticidade é sacrificada em prol da criação de uma persona idealizada. A pressão para apresentar uma versão polida de si mesmo, repleta de filtros e edições, leva muitos a adotar padrões irrealistas, criando um espaço onde a autoaceitação é frequentemente eclipsada pela insegurança e pela necessidade de aprovação externa.
Além disso, essa superficialidade nas interações online não apenas afeta a percepção que os indivíduos têm de si mesmos, mas também influencia as relações interpessoais. A capacidade de se conectar com os outros de maneira genuína é frequentemente comprometida por essa busca incessante por aceitação. Os impactos são profundos e abrangem desde a saúde mental, com o aumento da ansiedade e da depressão, até a formação de vínculos sociais mais frágeis e efêmeros. A luta por uma imagem perfeita pode, paradoxalmente, resultar em uma maior solidão e desconexão entre indivíduos que buscam conexões reais.
O alerta feito às massas por meio da Literatura Inglesa se faz ainda mais necessário nos dias atuais, onde a linha entre a realidade e a ficção se torna cada vez mais tênue. O romance de Wilde não é apenas uma crítica à hipocrisia da sociedade vitoriana, mas também um aviso sobre os perigos de uma vida guiada por aparências. À medida que nos aprofundamos nas complexidades da vida moderna, torna-se essencial reconhecer que a literatura, assim como as redes sociais, tem o potencial de servir como um espelho crítico, refletindo não apenas os ideais de beleza, mas também a riqueza da experiência humana em sua totalidade.
Diante dessa realidade, é crucial promover um diálogo sobre a importância da autenticidade e da aceitação da diversidade nas representações pessoais. Educar as novas gerações sobre os efeitos prejudiciais da obsessão pelas aparências e a valorização da individualidade é uma responsabilidade coletiva. Campanhas que incentivem a autoaceitação, movimentos que promovam a beleza em todas as suas formas e iniciativas que desafiem os padrões de beleza convencionais são fundamentais para reverter essa tendência.
Assim, a luta contra a obsessão pelas aparências não é apenas uma questão individual, mas um desafio coletivo que exige a nossa atenção e ação. Ao redirecionarmos o foco da estética superficial para uma valorização genuína do ser, podemos criar um espaço onde a autenticidade seja celebrada e a diversidade, acolhida. É nesse espaço que a verdadeira beleza pode emergir, livre das amarras da superficialidade, e onde cada indivíduo pode encontrar seu valor intrínseco, além das aparências.
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