Deu-se como maçante as primeiras sessões de debates no comitê, com repetições de ideias, rodeios e pouco falatório significativo, como discurso base países subdesenvolvidos só pediram suporte financeiro, enquanto as grandes nações delinearam o caminhar do comitê.
Frente ao presente panorama, a delegação cubana concedeu uma entrevista ao Daily Mail, onde lhe foi questionado primeiramente se suas missões em que manda profissionais para outras nações não estaria desvinculando a economia interna cubana, no qual a resposta foi: "Nós temos ganhado muito dinheiro com isso, na verdade, cerca de 8,2 bilhões de dólares foram arrecadados desde 1973 quando foi lançado o programa após a revolução cubana para auxiliar a economia de Cuba, nós não estamos doando grande parte do nosso capital humano ao ponto de nos prejudicar, nós temos número suficiente de médicos e profissionais da área científica atuando no nosso país. Além disso, as nossas missões têm como objetivo a solidariedade, sobretudo em países de fragilidade".
Prossigo para iniciar a segunda pergunta na esperança de conseguir respostas mais completas do representante da Cuba no comitê. Indago-lhe se estas missões não seriam uma estratégia para pôr em dívida os países que iriam receber a mão de obra cubana, o delegado me refuta com o argumento a seguir: "Países como Venezuela e Brasil, os quais nós prestamos missões, devem desenvolver por si próprios, ações para que não dependam de nós, esse processo não deve ser uma ação a longo prazo, deve só auxiliar no momento em que a crise de saúde que eles passam"
Depois destes dois questionamentos desferidos à delegação da Cuba, a entrevista passou a ter uma conotação de repetimento, e não torno este fato isento de minha culpa, porém, um elemento salvou a entrevista do futuro declínio, o perguntei sobre a situação de estabilidade que os cubanos têm quando migram para fora do país, o delegado então explicou quê: " É verdade que a maioria dos médicos (cubanos) em outros países têm maior rentabilidade nesses outros países do que em Cuba por causa do número de médicos, além do mais, nossa saúde é gratuita, então não oferece salários muito altos aos nossos próprios médicos, porque não é um serviço, vamos dizer assim, valorizada, porque nós temos uma mão de obra em abundância, é mais para enviar esse excedente ". No final das contas, a entrevista foi em média satisfatória, embora eu tenha a impressão que ele só soube driblar muito bem das problemáticas levantadas.
Por Enzo Ferreira Barbosa