Antes de iniciar a formatação de seu livro eletrônico, é fundamental que você planeje como ele será. Para isso, é necessário preparar um Projeto Gráfico da publicação.
O Projeto Gráfico contém as orientações relacionadas à parte visual da obra (tamanho da página, tipos de fonte, recursos visuais como ilustrações e tabelas).
“Não existe uma forma mais ou menos correta de compor uma peça gráfica nem regras fixas, apenas princípios baseados na tradição de séculos de tipografia, e também uma série de fatores de ordem conjuntural que devem ser considerados na hora de produzi-la." (Adaptado do Site da Embrapa, 2017)
Para um projeto gráfico, capa e miolo constituem os elementos básicos da publicação. Ambas são construídas a partir de um processo de diagramação, que precisa considerar quatro elementos: espaço da página, mancha gráfica (área que o texto ocupará na página), tipologia (fontes) e figuras e tabelas.
O espaço da página de cada publicação é definida a partir do Projeto Gráfico da obra, no que corresponde à etapa de diagramação. Nesse espaço é que devem ser inseridos e ajustados os diferentes segmentos de textos, como títulos e parágrafos, considerando tamanhos, formas, espaçamentos. Além disso, se houver ilustrações na publicação, estes devem se ajustar harmonicamente ao conjunto do texto, para se chegar a um resultado visual que permita chegar aos objetivos da publicação (consulte o item 2.4 para ver modelos de uso do espaço da página).
“Títulos, subtítulos [...], assim como legendas, notas de rodapé e referências bibliográficas são classificados segundo o seu valor no texto, por meio da distinção de tipologia e da disposição no texto e na página. Assim, um título terá corpo e variante diferentes dos empregados para um subtítulo; uma nota de rodapé ou uma legenda serão inscritas num lugar específico e com um corpo apropriado; as referências bibliográficas constarão no final de cada capítulo ou no final da publicação.” (Adaptado do Site da Embrapa, 2017)
Um bom exemplo dessa definição de critérios é a capa de um livro, que tem grande importância comercial: é o primeiro contato do público com o produto. Sua diagramação tem de ser coerente com a diagramação do miolo, além de representar o conteúdo.
Uma etapa essencial na diagramação de um texto e relacionada diretamente ao espaço da página é a definição das margens da página.
Essas margens correspondem à distância entre a borda da página e a mancha gráfica, permitindo que o texto ocupe, em geral, o espaço central da página, e elementos como títulos e paginação (consulte seção 1.5) fiquem nas margens superior (cabeçalho), lateral e/ou inferior (rodapé) da página.
Essas margens podem ser definidas no Word, a partir da janela Configurar página, disponível na aba Layout.
Observação: além da definição das margens, é preciso também definir em seu projeto gráfico qual será a orientação da página (retrato ou paisagem) de sua publicação.
A Tipologia de fontes de um projeto gráfico para uma publicação sempre esteve no centro das atividades gráficas, pois corresponde à parte visível e que proporcionará ao leitor o acesso ao texto escrito. Assim, a Tipologia corresponde à "coleção de caracteres tipográficos utilizados num projeto gráfico. A escolha das fontes tipográficas de um texto se dá, principalmente, a partir do que se espera com o texto a ser publicado, ou seja, a quem esse texto se destinará, com que objetivo". Logo, "Se a tipologia escolhida é atraente e convidativa, condizente com a proposta, o propósito de ler tornar-se-á uma tarefa prazerosa.” (Adaptado do Site da Embrapa, 2017).
As fontes tipográficas, que antes eram somente impressas, passaram também a existir nos computadores e, desse modo, toda a experiência tipográfica anterior foi pouco a pouco sendo adaptada para o meio digital. Há, hoje, milhares de fontes disponíveis, com as mais diferentes formas e recursos. com diferentes categorias (com serifa, sem serifa, para serem lidas em telas, manuscritas, com largura fixa ou variável), adaptadas a diferentes alfabetos e com diferentes quantidades de estilos.
Observação: vale lembrar que existem todas as fontes possuem autoria e, apesar de muitas delas se encontrarem para uso gratuito, há fontes que precisam ser compradas. Então, antes de usar uma fonte em seu projeto gráfico, certifique-se dos direitos de uso dela.
Para garantir que seu livro não terá problemas de compatibilidade de fontes durante o uso, nem estará sujeito a questões de uso indevido de fontes, recomendamos que seja usadas somente fontes de código aberto. Para obter essas fontes, indicamos o site Google Fontes (https://fonts.google.com/), que disponibiliza dezenas de fontes, sem nenhum custo.
Uma publicação pode conter, além dos textos, ilustrações, que podem ser figuras ou tabelas. Esses elementos, ao serem usados, permitem a sistematização e a exemplificação de informações apresentadas no texto. Logo, se sua publicação possuir algum desses componentes, será preciso seguir orientações específicas de uso (consulte as seções 3.1 e 3.2).
O formato do livro atende a algumas orientações básicas:
▪ A página impressa ou digital, desde o documento mais simples até o mais complexo, tem construção similar, é feita sobre as mesmas bases.
▪ O formato selecionado determina a forma como o objeto impresso ou digital será lido. Vai afetar também a disposição de todos os elementos gráficos que compõem a publicação. (Adaptado do Site da Embrapa, 2017).
Para esse trabalho de padronização da publicação, é recomendável usar formatos já estabelecidos a partir do sistema métrico internacional, que está organizado nos formatos da Série A: Formato BB; Formato AA; Formato DIN
Essa série é a mais usada internacionalmente e no Brasil para publicações impressas, pois ajuda a racionalizar o uso do papel na gráfica (Adaptado do Site da Embrapa, 2017).
No caso de uma publicação eletrônica, mesmo não havendo necessidade de “cortar o papel” em um processo de impressão, podemos fazer uso, sobretudo, do Formato DIN (folha inteira 84,1 cm x 118,9 cm):
Formato A0: Medida 84,1 cm x 118,9 cm
Formato A1: Medida 59,4 cm X 84,1 cm
Formato A2: Medida 42,0 cm X 59,4 cm
Formato A3: Medida 29,7 cm X 42,0 cm
Formato A4: Medida 21,0 cm X 29,7 cm
Formato A5: Medida 14,8 cm X 21,0 cm
Formato A6: Medida 10,5 cm X 14,8 cm
As publicações, enquanto produtos editoriais, podem se enquadrar, basicamente, em três categorias. As definições relacionadas nesta seção são adaptações das normas vigentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 6023 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2002).
a) Publicação seriada periódica
“Publicação em qualquer tipo de suporte, editada em unidades físicas sucessivas, com designações numéricas e/ou cronológicas e destinada a ser continuada indefinidamente.” (ABNT, 2002, p. 2)
Em geral, é publicada com a colaboração de diversas pessoas, sob a direção de uma ou mais pessoas, em conjunto, tratando de áreas de conhecimento diversas, conforme plano definido e sob título comum.
b) Publicação seriada não periódica
As publicações seriadas não periódicas são “[...] conjuntos específicos de obras que recebem o mesmo tratamento gráfico editorial (formato, características visuais e tipográficas, entre outras) e/ou que mantêm correspondência temática entre si.” (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2002, p. 2).
c) Publicação não seriada
“Publicação, em qualquer tipo de suporte, editada em unidades físicas [ou digitais], sem designações numéricas e/ou cronológicas, não destinada a ser continuada. Com essa classificação, enquadram-se as seguintes publicações: livros, folhetos, cartilhas, cartazes e fôlderes.” (Adaptado do Site da Embrapa, 2017).
De acordo com a Norma Brasileira de Referência da ABNT 6029 – “Informação e documentação - Livros e folhetos”, o livro pode apresentar a seguinte estrutura:
A parte externa é constituída de: “a) sobrecapa; b) capa(s); c) folhas de guarda; d) lombada; e) goteira; f) orelhas.”. Desses elementos, apenas a capa é incluída numa publicação eletrônicas, os demais são de uso exclusivo de publicações impressas.
A parte interna é constituída de elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
▪ Os elementos pré-textuais são constituídos de:
a) falsa folha de rosto;
b) folha de rosto;
b’) folha de créditos;
c) dedicatória(s);
d) agradecimento(s);
e) epígrafe;
f) lista de ilustrações;
g) lista de abreviaturas e siglas;
h) lista de símbolos;
i) lista de tabelas;
j) errata;
l) sumário;
m) prefácio.
Todos esses elementos da parte interna/pré-textuais podem ser inseridos numa publicação eletrônica, mas somente dois deles – a folha de rosto e o sumário – são essenciais.
▪ Os elementos textuais são constituídos de:
a) introdução;
b) desenvolvimento;
c) conclusão.
A sequência desses elementos deve ser entendida bem mais como uma orientação geral para a organização do livro, por isso, cada publicação pode apresentar uma configuração própria, dependendo da natureza de seu gênero textual e do conteúdo que está sendo veiculado.
▪ Os elementos pós-textuais são constituídos de:
a) posfácio;
b) referências;
c) glossário;
d) apêndice(s);
e) anexo(s);
f) índice(s);
g) colofão. (ABNT-NBR 6029)
Esses elementos da parte interna/pós-textual podem existir na publicação eletrônica, seguindo exatamente esse ordenamento. Logo, a ocorrência deles é opcional e dependerá diretamente da natureza da obra publicada.
Adaptado de Meneses (2019).
Apresentamos, a seguir, um conjunto de ideias para o seu projeto gráfico. Não se trata de “plagiar” modelos já usado, mas sim de ver como as decisões editoriais, quando bem estabelecidas, resultam em produtos gráficos bonitos e eficazes para atingir os seus objetivos.
Fonte: Thapcom (s.d.).
Fonte: https://thapcom.com/trabalhos/livro-manual-para-a-implementacao-da-lgpd-nas-serventias-extrajudiciais/
Fonte: https://thapcom.com/trabalhos/livro-manual-para-a-implementacao-da-lgpd-nas-serventias-extrajudiciais/