Todo saber que se faz ciência nasce pelas margens. É preciso conhecer os limites para que se explore.
É preciso traçar os extremos para que se balize. É preciso saber os fins para que se estabeleça os começos.
Para a Psicologia não foi diferente: iniciar a jornada dos estudos psicológicos implicava em saber até que ponto poderíamos ir, até onde conseguiríamos chegar e, principalmente, de onde esses estudos e saberes viriam. Por muito tempo, foi esse nosso caminho científico: desbravar os extremos, mas fazendo questão que somente certas vozes prevalecessem, e que elas falassem de seletos temas.
Mas é preciso ir além das fronteiras. As ciências coibidas e restritas aos interesses estanques de uma Academia se tornam saberes estagnados: escrevendo em pedra o que deveria ser volátil e aberto, fadamos a Psicologia a um fim caduco, onde nada se inova e os métodos e as metodologias morrem de inanição. Onde só se permite que as mesmas pessoas digam as mesmas coisas das mesmas maneiras.
É preciso que a Psicologia se dissolva para se reconstruir, e é sabido que não será aqui que reconstruiremos uma ciência em sua totalidade. Não será aqui que todas as fronteiras cairão.
Mas é preciso começar.