Nosso Bairro, Meu Quintal

De que maneira uma intervenção artística pode ativar o senso união em territórios de vulnerabilidade? Essa pergunta era o que tínhamos quando chegamos nas comunidades do Romão e do Forte São João, na cidade de Vitória-ES, em agosto de 2017.

Assim, iniciamos o processo de imersão que gerou a obra Nosso Bairro, Meu Quintal, referente a dois murais que totalizam 260 m².


A obra buscou retratar o sentimento de união e cooperação presente nesse território. Com a imersão que durou 2 semanas, identificamos a importância de homenagear as gerações antigas, por terem empregado esforços para conquistar os benefícios presentes hoje, e as gerações mais recentes, que não participaram dessa construção, mas que encontram novos dilemas a serem superados, marcados pela violência, escassez de recursos e falta de perspectivas.



De um lado NOSSO BAIRRO: foi feita uma homenagem à conquista histórica da única rua do morro na época. Do outro lado MEU QUINTAL: homenageia o futuro, com um tema extraído da fala de um morador sobre a sua impressão do bairro. Presente no cotidiano dessas pessoas, a obra busca inspirar um sentimento de carinho pelo local, retratando de uma forma lúdica o papel ativo de cada um nas transformações e melhorias contínuas.


Rua José Martins da Silva antes da pintura.

mural 1, com a narrativa sobre a história da construção da rua.

NOSSO BAIRRO

mural 2, com homenagem às novas gerações.

MEU QUINTAL

CADA MERGULHO, UM FLASH!

Iniciamos o projeto com 5 mergulhos nas comunidades, marcados pela escuta, observação e derivas por escadarias, becos e espaços de convivência. Dialogamos com cerca de 50 pessoas, entre anciães dos bairros, lideranças, comerciantes, pais, mães e crianças. Durante esse processo conversamos com as pessoas que fizeram parte da historia, e descobrimos que a construção da rua onde fica o espaço da intervenção foi um fator estruturante no desenvolvimento local. O fato se deu ao final dos anos 90, com a um mutirão de cerca de 200 moradores que trabalharam aos finais de semana durante meses, abrindo o caminho com enxada, deslocando árvores e pedras, produzindo alimento para todos. Consultamos o acervo pessoal de fotografias de uma das moradoras, a partir das quais os elementos como personagens, ambiente e ações foram usados como referência. Toda a aprendizagem gerada nesse mergulho direcionou o processo de criação, em que buscamos retratar a identidade e os valores presentes no imaginário coletivo.


Fotos do acervo da Dona Maria, tiradas em 1998, quando a rua foi aberta em um mutirão que contou com cerca de 200 moradores. A Dona Maria nessa época foi uma das mulheres que lideraram a cozinha, buscando doações de mantimentos e produzindo refeições para os trabalhadores, em enormes panelas.

Mapa afetivo construído a partir da percepção dos moradores sobre os bairros.

FICHA TÉCNICA

[Agosto e setembro de 2017]

Renato Pontello (coordenação e criação) | Juliana Lisboa (imersão e produção executiva) | Maria Luiza de Barros (pesquisa e imersão) | Ed Brown(Pintura) | Iury Borel (Pintura) | Anderson Cardoso (Pintura) | Natanael de Souza (assistente de produção) | Letícia Tambucci por MAPEIA360 (foto e vídeo).

REALIZAÇÃO E APOIO