Porque há Projetos de Investimento que são bem-sucedidos e outros não?

Pode-se afirmar de que em Análise de Projetos de Investimentos, bons projetos são todos aqueles que apresentam um Valor Atual Líquido positivo e uma Taxa Interna de Rendibilidade superior à taxa mínima de rendibilidade exigida para novos investimentos.

Embora estes critérios são certamente válidos, teremos de analisar o tema com mais profundidade, ou seja, saber quais as condições económicas que fazem com que uns projetos sejam mais interessantes que outros.

Para que este Investimento seja um bom Projeto, ele terá de em primeiro lugar de apresentar Vantagens Competitivas face aos demais concorrentes do Sector, bem como a Equipa de Gestão conseguir alcançar as diferentes Oportunidades de Crescimento, sabendo que:

I. Vantagens competitivas

Um bom projeto tem implícito a existência de excesso de lucros económicos no negócio onde se insere, sabendo que num mercado competitivo a existência de excessos de retorno atrai os concorrentes para apostarem em investimentos similares, implicará então que esses excessos de lucros económicos eliminar-se-ão ao longo do tempo, a velocidade com que se desaparecem os lucros económicos, vai depender em muito da facilidade com que a concorrência pode entrar no mercado e oferecer substitutos próximos bem como da amplitude das próprias vantagens competitivas.

Por exemplo, considere-se um novo projeto não tem nenhuma vantagem competitiva em termos de custo ou qualidade do produto superior ao dos seus concorrentes, e os novos concorrentes podem entrar facilmente no mercado e com custo reduzido, na oferta de produtos substitutos, nessa situação, o excesso de lucro económico, deverá desaparecer muito rapidamente.

Uma condição essencial para a existência de um bom projeto é a criação e a manutenção de barreiras aos novos concorrentes e atuais concorrentes, sendo que essas barreiras poderão ser as seguintes:

(i) Economias de escala: alguns projetos podem ganhar retornos elevados se forem feitos por grandes empresas e continuar a ganhar retornos sobrenaturais nos seus projetos porque as empresas concorrentes de menor dimensão não têm capacidade de replicar esses projetos.

(ii) Vantagens pelos custos: existem situações em que uma determinada empresa está em condições de estabelecer uma vantagem pelo custo e as demais empresas concorrentes não conseguirem igualar essa mesma vantagem.

(iii) Capitais mínimos exigidos: A entrada em alguns negócios pode exigir uma escala de grande investimento o que muitas vezes desencoraja concorrentes a entrar no sector, mesmo que haja um potencial de lucros económicos supranormais.

(iv) Diferenciação de produtos: algumas empresas continuam a ganhar excessos de lucros económicos diferenciando os seus produtos dos produtos dos seus concorrentes, potenciando maiores margens de lucro ou vendas mais elevadas, sendo que essa diferenciação pode ser conseguida de formas diferente, ou através de uma publicidade eficaz, especialização técnica, qualidade de serviço ou capacidade de resposta às necessidades dos clientes.

(v) Acesso aos canais de distribuição: as empresas que têm um melhor acesso aos canais de distribuição para os seus produtos do que os seus concorrentes, estarão em melhor posição em captar lucros económicos supranormais, sendo que em alguns casos, a empresa pode desenvolver o seu canal de distribuição e os concorrentes podem não ser capazes de desenvolver seus próprios canais de distribuição, porque o custo é proibitivo.

(vi) Barreiras legais ou protecionistas: em alguns casos, uma empresa pode ser capaz de explorar oportunidades de investimento sem se preocupar com a concorrência devido às restrições sobre os concorrentes, dada a existências de patentes de produtos da empresa ou pode haver restrições por parte do governo sobre a entrada de novos concorrentes

II. Equipa de Gestão

A Equipa de Gestão, e no sentido de captar excessos de retorno em novos projetos, deverá procurar:

(i) Investir em projetos que explorem economias de escala que a empresa pode possuir, ou procurar maneiras de criar economias de escala nas operações existentes da empresa.

(ii) Estabelecer vantagens de custo sobre os seus concorrentes, como seja, redução de custos por negociação laboral e/ou fornecedores, bem como, através de decisões estratégicas de longo prazo feitas pela empresa.

(iii) Tomar medidas que aumentem o custo inicial para os novos concorrentes ao negócio.

(iv) Explorar mercados em que a vantagem diferencial é maior, quer em termos de custo de produção quer em termos de valor do nome da marca, pelo que deve procurar melhorara reputação da empresa no que se refere à entrega do produto, atendimento ao cliente.

(v) Desenvolvimento de canais de distribuição que são únicos e não podem ser facilmente acedidos pelos concorrentes.

(vi) Obtenção de patentes de produtos ou tecnologias que impedem a concorrência e ganhar altos retornos, pois isso pode reunir grandes investimentos em I&D, ao longo do tempo.

Para informações sobre os nossos trabalhos em Análises de Projetos de Investimento e em particular, no que respeita ao Estudo de Viabilidade Económico-Financeira de Investimentos, não hesite em me contatar, tenho muito gosto.

Ao vosso dispor,

Pedro Carvalhosa