O risco financeiro nas empresas

O RISCO FINANCEIRO NAS EMPRESAS

CATEGORIAS DE RISCO

De forma geral, o risco pode ocorrer devido a fatores internos à empresa ou a fatores externos e relacionadas com o seu meio envolvente.

Como riscos internos às empresas, temos o Risco Operacional, Risco Financeiro e Riscos Organizacional, no sentido que estes têm a sua origem no ambiente interno das empresas.

Os riscos externos ocorrem no ambiente de negócios envolvente e, podem ser originados quer por mudanças económicas, quer por mudanças tecnológicas, políticas, legais e culturais.

Os riscos económicos aplicam-se a todas as empresas, está-se perante a natureza das variáveis macroeconómicas que influenciam a rendibilidade e sustentabilidade das empresas, designadamente, no que respeita aos custos de aquisição dos consumos intermédios e ao comportamento da procura dirigida à produção final dessas mesmas empresas.

Como esta categoria abrange os riscos que dependem de alterações nos mercados financeiros, também esta categoria de risco é muitas vezes referenciada como riscos financeiros ou riscos do mercado externo.

Os principais fatores de risco na categoria Risco Financeiro são designadamente, os riscos inerentes às alterações nas taxas de juros, nas taxas de câmbio e nos preços de “commodities” (matérias primas).

No entanto, os riscos financeiros podem também ocorrer independente do desenvolvimento dos mercados, nomeadamente no que respeita às opções de financiamento feitas pelas empresas, ao grau de liquidez das mesmas e à variabilidade no “consumo” (reduções) do capital próprio originado por percas económicas.

Neste artigo, optou-se por desenvolver com mais de detalhe o âmbito dos riscos financeiros internos e externos, não fazendo a abordagem às demais categorias de risco, eventualmente numa futura intervenção possa ser feito.

Vejamos então a Gestão do Risco Financeiro nas Empresas do Setor Não Financeiro e em particular, as Pequenas e Medias Empresas.

GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO

Vamos então de seguida abordar a gestão do risco financeiro nas empresas não financeiras, mas em primeiro lugar, fazendo uma breve nota ao conceito dos diferentes riscos financeiros e a flexibilidade/controlo (possibilidade) de gerir os mesmos.

RISCOS FINANCEIROS EXTERNOS

Como todos sabemos, em anos mais recentes, a gestão do risco financeiro tem sido alvo de uma maior atenção não só por órgãos reguladores e gestores financeiros das empresas, mas também um tema de atenção e de preocupação por parte do comum cidadão.

A razão para tal é que, apesar da gestão do risco financeiro não ser o “core bussiness” de uma empresa não financeira, o mesmo influencia (afeta) as operações em larga escala.Vejamos.

O risco financeiro pode ter origens diferentes. Por um lado, origem externa que depende do comportamento dos mercados financeiros e por outro lado, depende da empresa em si. Os riscos financeiros externos dependem do fator de risco originado pelo comportamento das taxas de câmbio, taxas de juro e do preço das matérias-primas.

Risco pela taxa de cambio

O risco financeiro com origem na evolução das taxas de cambio, ocorre quando a empresa opera no comercio internacional em que os cash in/ out flows são mensurados em moeda estrangeira.

Nas situações em que esta taxa não é fixada previamente e, em que não possa ser antecipada uma alteração na direção do comportamento da taxa de câmbio, leva a um risco nas alterações dos montantes a pagar ou a receber por parte dessas empresas.

Este risco é medido pelo chamado “conceito de transação”, ou seja, a exposição económica por parte de uma empresa e sua dependência à taxa de câmbio, que inclui as alterações nas quantidades a serem futuramente vendidas provocadas por oscilações nas taxas de câmbio, afetando a própria competitividade relativa da empresa nos mercados em que opera.

Contudo, a previsão desta sensibilidade é difícil e árdua de ser mensurável, pelo que muitas vezes leva a que as empresas não efetuem uma monitorização destes riscos de forma mais ativa.

Muitas empresas como tal, concentram a sua atenção mais na evolução dos preços e não tanto das quantidades (“esquecendo-se” do efeito elasticidade), a quando de alterações nas taxas de câmbio.

Risco da taxas de juro

O risco pelas taxas de juro são originadas por alterações nas taxas de juro e podem ser observadas de forma distinta.

Razões para ocorrência de risco financeiro pelas taxas de juro estão estreitamente ligadas aos empréstimos quer para o curto prazo quer para medio e longo prazo.

Uma subida nas taxas de juro leva a um aumento no pagamento dos juros e torna-se mais difícil de suportar futuros empréstimos por parte das empresas.

Tal circunstância leva a uma quebra nos ganhos das empresas e em situações mais estremas pode levar à situação do incumprimento.

Por outro lado e, numa situação oposta, em que os excedentes de caixa e equivalentes de caixa, são afetados pela descida nas taxas de juro, ou seja, perca em ganhos.

Uma outra situação a considerar em que as taxas fixas nos empréstimos podem incorrer em riscos para as empresas, é nas situações de descida nas taxas de juro nos mercados, o que leva a pagamentos de juros mais elevados do que praticados nos mercados, pelo que a taxa de juro fixa passou a ser uma desvantagem para a empresa.

Contudo, estes custos são custos de oportunidade e não custos reais para a empresa, pelo que de forma sucinta pode-se afirmar que quanto mais divida financeira uma empresa enfrenta e, e em especial a de curto prazo e para taxas variáveis, mais vulnerável é a empresa a alterações nas taxas de juro.

Lembrar que a sensibilidade a alterações por parte da procura ao comportamento das taxas de juro deve também ser considerada como parte integrante do risco financeiro, como seja e a título de exemplificação, a procura de bens duradouros como se sabe, sensíveis à evolução da taxa de juro.

Risco nos preços das matérias-primas

Um risco a ser considerado é a volatilidade dos preços dos “commodities”, tendo em consideração que essa situação pode vir a ser um risco significativo para as empresas, em especial, nas situações em que as matérias-primas têm um preço muito significativo nas receitas totais das empresas e desfavorecer de forma alargada as margens de contribuição.

No que respeita ao agrupamento dos riscos financeiros inerentes à empresa, são todos aqueles que estão relacionados com o financiamento da empresa, riscos de liquidez ou o risco de solvência.

Segue-se uma breve nota a cada um desses riscos financeiros internos à empresa.

RISCO FINANCEIRO INTERNOS

O financiamento das empresas pode tornar em risco e por diferentes motivos.

As origens de risco a serem considerados estão nas opções de taxa fixa ou taxa variável, duração da dívida e o montante do financiamento da dívida.

A duração dos empréstimos é importante na medida que deve estar sincronizada com a duração dos ativos (geração de “cash flow” no tempo) que são financiadas com o empréstimo.

Muitas vezes neste contexto são empiricamente observadas lacunas, entre as durações dos empréstimos e a duração do realizável (retorno).

Por vezes e de forma errática, temos ativos de medio e longo prazo serem financiados por empréstimos de curto prazo, com taxa ajustável, o que leva a uma redução nos fluxos de caixa nos contextos de subida das taxas de juro, levando em algumas situações à dificuldade de empréstimos futuros e levar à dificuldade em se conseguir financiar a restante vida útil desses ativos.

Num sentido oposto, financiamento a longo prazo de ativos de curto prazo pode levar a situações de se pedir empréstimos quando esse ativo já não existe, ou se quisermos, já não existe ativo gerador do “cash flow”, o que leva ao pagamento de juros desnecessários por parte das empresas.

Por ultimo, é de referir que uma quantidade elevada de financiamento da dívida pode se tornar um risco para a empresa, nas situações de haver um ano mais desfavorável em termos de rendibilidade, a descida do retorno leva a não libertar fundos suficientes para desembolsar o pagamento do juro, ou seja, leva a prejuízo nesse ano para a empresa, à custa do “consumo” do capital próprio da empresa (ganhos retidos de anos anteriores) e até levar a um cenário mais dramático em exercícios seguintes.

Risco de insolvência

A descapitalização dos capitais próprios das empresas, é um outro fator de risco financeiro das empresas, no sentido de que, quando a empresa não é capaz de obter lucro para um determinado ano, o capital próprio é consumido (reduzido).

No entanto, a insolvência pode ser causado por outros riscos, que influenciam o negócio, como sejam, a redução nas vendas, ou um aumento dos custos, o financiamento a taxas de juros fixas e elevadas, o que levam ao desgaste do capital próprio e em situações estremas à perca de solvência da empresa.

Risco de liquidez

O risco de liquidez é o resultado de outros riscos que provocam desvios dos objetivos para os resultados entretanto planeados e que podem provocar fluxos de caixa mais baixos ou saídas de caixa mais elevados.

Entenda-se liquidez como a capacidade da empresa para cobrir as suas despesas e, como tal, avalia a capacidade de a empresa lidar com algumas perdas devido à ocorrência de riscos.

A falta de recursos financeiros pode causar problemas na capacidade da empresa para cumprir as suas obrigações de tesouraria e sem incorrer e custos adicionais, como sejam, taxa de juro por atraso nos pagamentos, e por outro lado, o “rating” da empresa pode baixar o que poderá levar dificuldades em financiamentos futuros e as condições dos mesmos.

Apenas para finalizar, e como ideia principal, alertar de que os riscos financeiros externos e internos podem ter um enorme impacto sobre a empresa e sobre a continuidade dos seus negócios, pelo que a gestão destes riscos é essencial e obrigatório, mesmo para empresas não-financeiras.

Faço votos de ter sido útil.

Ao vosso dispor,

Pedro Carvalhosa