Publicado no blog da fintech Up.p. - não existe mais
No dia 8 de dezembro de 2019, alguns pacientes chegaram ao hospital Wuhan, na China, com quadros de pneumonia. No dia 29 de dezembro foi identificado que essas pessoas, internadas 21 dias antes, estavam infectadas com um vírus nunca visto antes: o Coronavírus.
Um dia após identificarem a doença desconhecida, a OMS foi notificada e o vírus começou a ser observado. Um agente patológico, aparentemente inofensivo começou a se espalhar pela continental China e em seguida pelo mundo.
Com o crescimento do número de casos e mortes, a tensão internacional aumentou e a China começou a tomar medidas drásticas para conter a epidemia. A cidade de Wuhan, epicentro da doença, entrou em quarentena e, com isso, portos e aeroportos foram fechados, fábricas interromperam a produção e a economia mundial começou a adoecer, tão rápido quanto a população.
Isso acontece porque, se pensarmos, quase todos os eletrônicos que utilizamos hoje possuem componentes que vêm da China. Além disso, o país é a segunda maior economia mundial. O abalo, de tão grande foi sentido, de alguma maneira, em todos os países do mundo, entre eles o Brasil.
Coronavírus vs o mundo
O COVID-19, nome oficial da doença, já infectou pessoas em todos os continentes do mundo. Na Coréia do Sul, a Samsung Electronics e a LG Innotek fecharam suas fábricas, após a confirmação de trabalhadores infectados. Na Samsung são produzidos smartphones, enquanto a LG faz módulos de câmeras para os iPhones da Apple.
A companhia aérea britânica Flybe também sofreu o impacto do vírus e declarou falência. Com a disseminação do COVID-19, as viagens em todo o mundo diminuíram, a empresa já passava por dificuldades e com todos os cancelamentos e aeroportos fechados, a empresa colapsou.
A atividade industrial chinesa apresentou a maior contração da história, um impacto já considerado maior que a crise de 2008. O PMI (Project Management Institute) oficial da China foi de 50 pontos, em janeiro, para 35,7 em fevereiro. Segundo a agência de noticias Reuters, o PMI esperado para o país, em fevereiro, era de 46.
Para combater a crise causada pelo surto, o banco central dos Estados Unidos da América (o Federal Reserve), reduziu a taxa de juros em 0,5 pontos percentuais, corte de emergência que não era feito desde 2008. A Disney prevê uma perda de perdas de US$ 175 milhões, em seus parques.
Na Itália, universidades e escolas tiveram suas aulas suspensas e o governo, para tentar evitar uma crise, colocou em prática incentivos na forma de crédito tributário.
Coronavírus vs Brasil
O Brasil saiu de 2019 com a economia abalada já que era esperado que houvesse um crescimento robusto, mas a chegada do vírus no país fez com que os planos mudassem.
No ano passado, o PIB brasileiro ficou em 1,1%. Entre os anos de 2011 e 2019, ocorreu um crescimento de apenas 0,7% e, para evitar a “década perdida”, o Produto Interno Bruto do Brasil deve crescer 10% neste, conturbado, ano.
O problema vai além do Coronavírus, mas com todo o movimento de desaceleração da economia global, a doença será um grande impedimento para as metas deste ano.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricante de Veículos Automotores (Anfavea), as montadoras instaladas no Brasil podem interromper a cadeia de produção de alguns modelos em abril. A razão da possível paralisação é a escassez de peças importadas da China.
As fabricantes de eletrônicos também fazem parte do grupo dos afetados. Linhas de montagem da LG, Samsung e a Flextrocnics (Motorola) estão paradas e parte dos funcionários receberam férias coletivas. Não só a indústria, mas o setor de turismo foi outro fortemente impactado.
Desde a chegada da COVID-19 no Brasil, no dia 26 de fevereiro, a economia brasileira está avançando com lentidão. A cada dia que passa o dólar aumenta ainda mais – parte da culpa é do Coronavírus.
Oportunidade em meio a crise
Há setores da indústria que estão vendo oportunidades. As fabricantes de vacinas, desinfetantes e máscaras, por conta da natureza de seus negócios, estão levando vantagem diante a crise. A exemplo disso, as ações da americana Inovio Pharmaceuticals, que está estudando uma vacina, dobraram de valor em fevereiro.
A própria Netflix registrou uma alta de 15% após os governos de alguns países aconselharem a população a ficar em casa. Empresas de vídeo games e redes sociais também tiveram um aumento nesse período.
No mês passado, uma pesquisa de mercado realizada no Reino Unido, registrou um aumento de 255% na venda de desinfetantes para mão, o álcool em gel. Na Itália, produtos de higiene pessoal estão sendo estocados, o que fez as vendas de sabonetes dispararem.
O mundo pós Coronavírus
Apesar do cenário, especialistas dizem que ainda não existem motivos para se preocupar. “Estamos monitorando o tema não só das peças que importamos, mas também dos fornecedores dos nossos fornecedores. Hoje não temos problema (de desabastecimento)”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, em uma entrevista ao jornal O Globo.
A maior empresa de contêineres do mundo, a Maersk, afirma que o desempenho econômico brasileiro ano passado é mais preocupante que o impacto do COVID-19 na economia. A companhia afirma que a operação no Brasil está normal e as exportações não sofreram problemas, até agora, mas não descarta um eventual transtorno na segunda metade do ano, quando a demanda por produtos refrigerados aumenta.
Ainda assim, o Brasil está na ponta do iceberg da crise do Coronavírus. A previsão do crescimento para a economia brasileira, este ano, é de 2,40%, segundo o Ministério da Economia. Mas em uma entrevista à Globo News, Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica da pasta, afirmou que a doença pode levar o PIB para baixo nesse ano.
Em uma nota oficial à imprensa, o Ministério da Economia afirmou: "Ainda não se sabe qual será a magnitude e a duração do surto, o que dificulta um cálculo preciso de seus impactos econômicos. É importante destacar que os governos e os bancos centrais ao redor do mundo estão provendo estímulos fiscais e monetários para atenuar o impacto do Coronavírus.”