As Sessões, de hoje (04), da UNESCO, sobre fuga de cérebros, tiveram como destaque a falta de participação e falas equivocadas por parte de alguns delegados.
O segundo dia foi marcado por dificuldades para a tomada de decisões em relação aos tópicos da agenda e a crise, declarada logo no início da primeira sessão. Nos primeiros momentos os delegados precisaram realizar algumas modificações no primeiro documento de trabalho, mas conseguiram apresentá-lo. Em seguida, as atividades para resolução da crise foram iniciadas e tomaram cerca de 1 sessão. Finalmente, com o impasse extra solucionado, os diplomatas passaram a atenção para as recentes crises migratórias advindas de perseguição política e guerras que impactam na fuga de cérebros. A delegação russa incentivou a criação de projetos educacionais e científicos para que ao fim dos conflitos os imigrantes e os refugiados possam retornar às suas nações de origem, a decisão foi aprovada após votação e nesse contexto a delegada de Israel acabou proferindo um discurso pró êxodo intelectual, o que gerou dúvidas entre os representantes.
O restante do evento teve constantes avisos das mesas acerca do preenchimento da lista de oradores e apelos das delegações dispostas a ajudar para a participação dos Estados, em especial àqueles mais necessitados. Nessa perspectiva, é importante destacar a importância do tema do comitê, que coloca em jogo o desenvolvimento econômico e social de diversas nações e que tem grandes proporções no globo, como mostra um relatório de desenvolvimento humano de 2009, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que diz que cerca de 195 milhões de pessoas moram fora de seus países de origem, o equivalente a 3% da população mundial, sendo que cerca de 60% desses imigrantes residem em países ricos e industrializados. No nosso país (África do Sul), os dados mais atualizados são provenientes da pesquisa de comunidade de 2016 pelo Stats SA, em que se estima que 97.460 sul-africanos emigraram nos anos de 2006 a 2016. Posto isso, a falta de presença de muitas nações atingidas pela fuga de cérebros gera uma grande preocupação com o futuro de suas populações. A delegação da África do Sul apesar de ter sido ativa nas primeiras sessões do evento, não se apresentou na última sessão do segundo dia, assim não foi incluída na proposta de envio de profissionais da saúde para o auxílio ao combate da pandemia, que de certa forma implica na emigração de grandes mentes, apresentada na confecção do segundo documento de trabalho. Deste modo, é esperada maior produtividade e participação dos Estados nos próximos debates para que todos os aspectos propostos na agenda do comitê sejam esclarecidos.
Por Júlia Querino