Entre cigarros e beijos lá estou eu. Intacta como um prego trincado em um pedaço de madeira, sinto dores pelo meu corpo “talvez seja o frio” penso. Olho ao redor e vejo as pessoas, todas usando preto e jaquetas, algumas chegam a me encarar, me oferecem sorrisos e eu desvio meu olhar, pois estou aqui com a mais leve armadura que poderia carregar; talvez minha roupa estivesse condizente para um parque mas não para este local. Os ventos uivantes passam a me cortar com suas palavras afiadas, logo, decido voltar, o caminho é feio e sujo, a cada passo que dou sinto as batidas da canção tocarem meu osso.
Dentro do pavilhão, uma enchente de pessoas começam a me engolir com seus pulos frenéticos e gritos, e eu passo a me afundar na multidão. O som das bandas batem em mim e sinto meu corpo caindo em uma cadeira olho para o céu…
“Desde quando surgiram tantas estrelas?”
Horas se passam e eu, inerte, o mundo muda e eu fico parada aqui. Até que alguém esbarra em minha perna. Reajo, e percebo que minha música favorita está tocando, a suave melodia puxam as marionetes de minhas pernas, começo a levantar.
O universo se concretiza e cai sobre meus ombros, as gotas dessa chuva me iluminam e me destroem em mil pedaços, mas pelo menos estou em pé, ou pelo menos acho que estou.
O som da minha música não faz mais sentido, pelo menos não agora, tento entender o que aconteceu e caio em meus pensamentos mais destrutivos até que.
BAM
“perdi meu colar”
talvez nunca o encontre novamente.
Sinto a dor no meu peito;
Com a leveza no pensamento;
Será que deveria mudar;
Mas meu bem;
Nunca retornará.
Acordo, sinto uma dor no peito.
“Tem prova de matemática hoje”