Não ser, o nada, mas o que é esse sentimento? Para Sartre o nada não é uma ausência completa de algo, mas sim uma característica intrínseca da existência humana, ele afirmava que o nada não se refere a uma falta de ser, mas sim à liberdade e à ausência de determinação prévia, eu sei, estranho. E por isso não estou aqui para explicar um conceito filosófico, mas sim para falar sobre sentimentos.
Por muito tempo me perguntei isso o que seria esse tal de nada que muitas vezes sentimos. Escrevia mas nada achava, lia e nada me agradava e passei a aceitar lo. De vez em quando ele aparece me bate e me chuta e sai correndo. Honestamente esse não é um texto de como descobri a fórmula mágica para a felicidade ou algo do tipo, mas um ensaio de pensamentos soltos. De alguma forma sempre é. Uma voz, alguém me puxando para baixo, e hoje eu cai.
Acordo desamparada em meu quarto, ele se encontra totalmente escuro, a única luz a vista é do ar condicionado, paro de perceber as luzes e sinto o meu corpo afundando na cama. Penso que talvez esteja morta, mas começo a ouvir meus pais me chamando, eu não ouviria eles no céu, e bom nem no inferno. Talvez estivesse no limbo, mas isso seria o mesmo que continuar viva... Comecei a pensar demais outra vez... Bom eu ia gostar de vê-los bem, espero que eles não sintam muito a minha falta. Ia gostar de saber que eles estivessem bem, enquanto eu vivo eternamente.
Estranhamente me levanto, contra a minha própria vontade corporal, algo grita para eu não me mexer mas meu corpo segue um instinto bizarro e se começa a se locomover. Meus músculos se movem rigidamente, não os controlo mais, eles possuem uma vida própria. Sou levada, arrastada. Cada movimento é uma dor diferente batendo fortemente em meu crânio. Mas depois de presenciar esse multilamento, eu acostumo. Me habituo com tudo em minha volta, mas isso aos poucos se torna uma mera indiferença.
Passo a viver como espectadora da minha própria vida. Dizem quão especial sou, mas isso soa distante de todos os pensamentos incessantes da minha mente. Meus dias passam e decorrem como sempre existisse um amanhã. E hoje não existe mais. Porém ainda deve existir algo para acreditar.
01/11/23
escrito por:Ana
Nota: Oi gente, como cês tão??