2 de março de 2026
Querido,
Joaquim de Medeiros, bonito o seu nome, estranho apenas descobrir ele agora 19 anos depois de ter te conhecido, mesmo que de certa forma, você sempre esteve na minha vida, desde pequena sempre me vi observando o meu caminho até encontrar você, velho amigo.
Uma coisa que sempre me surpreendeu era a sua consistência, você sempre fez questão de aparecer no meu aniversário, e por isso eu sou extremamente grata. A sensação de chegar perto de você, de sentir seu cheiro, sempre foi extremamente reconfortante para mim. Você sempre foi um marco, de tempo e de época, a partir de você podia saber como estava o clima no DF, e Meu Deus!! Que loucura temos vivido, o clima árido e quente tem chegado a seus extremos, principalmente em 2015, o ano que todos nós achávamos que você tinha ido embora, e por um momento você realmente foi.
Cresci te vendo, te admirando e passar pela DF-230 sem sentir a sua brisa era uma verdadeira tortura. Me perguntava o que tinha acontecido e não obtinha nenhuma resposta, pensava que essas coisas eram normais, mesmo não devendo ser. Te ver sem vida era quase um tiro no peito, queria acreditar que era uma marca da minha infância se esvaindo, mas era só o aquecimento global.
Honestamente, eu não sei como você voltou, e como está recuperando suas forças. Te escrevo, grande amigo, com preocupação, tivemos algumas chuvas e cheias, mas a seca a cada dia que passa fica pior. Queria deixar registrado em algum tipo de papel sobre a nossa ainda curta história de companheirismo. Espero que um dia suas margens voltem a encher novamente e que sua água não seja tão escassa.
Segure firme.
Ana.