Em uma das vezes que naveguei pela internet nessa semana me deparei com uma montagem de muito mau gosto do exército israelence usando o molde de IA do ‘Studio Ghibli’ para promover seus ataques à Palestina, em especial a arte sensível de Hayao Miyazaki, criador do estúdio. Trazendo uma narrativa a favor da luta armada, algo que é contra todos os seus filmes, desde “Castelo Animado” até “Cemitério dos vagalumes”, animação que demonstra a cruel e triste realidade da guerra. Então me veio à cabeça, o quão diferente é do exército usando o programa, para as milhares de pessoas publicando suas fotos ‘Kawaii’ a partir da inteligência artificial?? Estamos em um período tão estranho que apenas o que nos resta é negação e ilusionismo??
Em primeiro lugar, ao se usar um programa para fazer arte ou outra função é ativamente escolher um sistema sob uma pessoa. Mesmo que tal ato nos dias de hoje passou a ser inconsciente, muitos já são tremendamente impactados por isso. E uma das parcelas sociais que mais sofreram foram os artistas, não é coincidência que em 2024 tivemos uma enorme greve em Hollywood, a greve dos roteiristas, que reivindicavam seus salários injustos e o impedimento do uso de inteligência artificial para escrever ou modelar textos dos futuros arrasa-quarteirões. Nesse sentido, a utilização do “filtro ghibli” não é tão fofa quanto parece, ela é a personificação da difamação sofrida por artistas plásticos. E nas palavras de Miyazaki “É um insulto à própria vida”, da mesma forma que é a guerra.
Perante isso, a publicação do governo de Israel é uma afronta arrebatadora, além de fazer uso da IA ela promove e glorifica a guerra, realizando assim, um descaso com todos os filmes do ‘Studio Ghibli’, que desprezam conflitos armados. E esse mesmo desleixo é o que une as pessoas ao exército israelense. Uma vez que ambos partem do ideal da ignorância.
Entretanto, as pessoas no mundo atual se veem tão desiludidas com as propostas antes previstas pelo capitalismo que existe a necessidade da negação e do ilusionismo para que haja uma mínima estabilidade mental. Aspectos que antes eram certeiros como comprar uma casa e crescer dentro de uma empresa, hoje não passam de simples histórias de uma realidade antes vivida. Por conseguinte, é perfeitamente compreensível que poucos se importam com o paradeiro de artistas ou a ética de usar inteligência artificial.
Fontes que não saíram das vozes da cabeça:
Ética e inteligência artificial:
https://periodicos.ufop.br/fundamento/article/download/2270/1722
https://journals-sol.sbc.org.br/index.php/comp-br/article/download/1791/1625/5268
Millennials ou Geração Z:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360
01/04/25 feliz dia da mentira! (mas não menti neste texto)