Finais geralmente são um problema para mim, constantemente me vejo com dificuldades de aceitá-los e compreendê-los. Ao escrever um texto me empolgo e sinto que nem toda vez consigo fazer um desfecho digno para os meu parágrafos cheios de emoção. Com frequência atribuía isso à um ideal de que nenhuma história realmente está concluída até que todos os envolvidos não existam mais. Porém, isso abre uma lacuna que nem sempre consigo preencher, um sentimento de culpa que coisas podem ser mudadas, que novos significados podem ser dados, mas raramente este é o caso.
Por ter essa paranoia com finais me senti surpreendida ao ler o livro da Fernanda Torres “O Fim”, em que a premissa é acompanhar a morte de cinco amigos cariocas que não tiveram seus epílogos concluídos com brio. Quando o terminei fiquei encantada com a leveza e ironia carregadas em cada página da obra, que brincava com o sentido de conclusões e conflitos. Tive uma espécie de catarse, agora sabia que podia tratar meus textinhos e relações de maneiras diferentes, mas não tratei. É um daqueles momentos da vida que mesmo que você saiba o que deve ou poderia fazer, por medo e ansiedade, não faz. Penso demais, e coisas que acho que deveriam ser pequenas, comuns ocupam um triplex na minha cabeça, a forma que alguém disse algo, um gesto, um olhar, um sorriso, um aperto de mão, uma forma de andar, a maneira de falar um texto… Enfim vocês entenderam. De alguma forma esse site aqui serve para eu colocar toda essa loucura à público para perceber que não é só eu que pensa muito. Voltando, ter picuinhas com essas coisas me faz ficar presa a momentos e percepções que provavelmente já acabaram, não conseguindo passar uma semana sem pensar que TAL COISA ocorreu NAQUELE MOMENTO E UAU, e esse paradoxo de ficar meio que remoendo algo é esquisito.
E finais continuam sendo esse grande ponto de interrogação dentro de mim, ainda não sei como classificá-los, mas acho que eles existem e são importantes, melhor ser uma série que terminou fazendo sentido à uma que por medo de terminar se perdeu e ninguém mais entende o enredo. Mas o que eu sei? Só tenho 18 anos ainda, não que eu não saiba de nada, mas é quase isso. Me sinto levemente animada de ver como a minha percepção sobre esse assunto vai mudar com o tempo, um grande fator que põe pontos finais em histórias.
28/07/205