O elevador foi inventado por uma mulher chamada Elisha Graves Otis em 1879 na cidade de Nova Iorque, mas a sua ideia já estava nas cabeças de Egípcios e Romanos há milênios. Para alguns é o meio de transporte mais seguro que existe, outros são espantados pela sua anatomia enclausurada. Ele se movimenta verticalmente na maioria das vezes, e alguns casos estranhos horizontais. Pouco se fala do espaço do elevador, ao entrar se quer sair o mais rápido possível, esperar por ele pode ser considerado tortura, e estar em um cheio pode ser perturbador
Joana passava dez horas por dia, seis vezes na semana em um elevador. Acordava cinco horas da manhã, pegava a linha 249 no Méier, que era relativamente perto de sua casa, e lá ela ia até o Centro do Rio de Janeiro. Quando viu o cartaz anunciando uma vaga em emprego no grandioso Centro Cultural Banco do Brasil ficou entusiasmada, seria artista como havia prometido para seus pais, voltaria para casa com uma cesta cheia das frutas mais charmosas do mercado. No dia da entrevista ela se emperiquitou todinha, até uma rosa na cabeça colocou, leu sobre Machado, Guimarães e até Castro Alves. Ao chegar no escritório a era uma vaga para.... ascensorista, que palavra era aquela? Chique, devia ser algo no ramo da beleza pensou.
No seu primeiro dia de trabalho mostraram para ela todo o prédio em que iria trabalhar, bonito, exuberante e com um toque clássico, tudo que ela sempre quis ser, subiu no elevador, foi até o último andar ao tentar sair disseram a ela que ali o trabalho dela, Joana confusa tentou contestar, mas o seu novo chefe apenas a ignorou e abriu os braços sorrindo para os turistas gringos que estavam procurando informações sobre uma exposição.
E no tempo de subir um andar se passaram dez anos, uma década crescendo e descendo na vida, apenas sentada em sua cadeira no canto do elevador apertando botões e puxando alavancas. Algumas pessoas eram legais, outras não, às vezes via alguém bonito, mas nada que se tornasse em algo concreto. Joana se enxergava longe da sociedade que era inserida, sabia de tudo, ouvia fofocas, participava de eventos culturais promovidos pelo trabalho, até chegou a ver o Presidente, mas nunca era verdadeiramente incluída em nada que era proposto.
Um certo dia chegou uma família de Brasília, a mãe e seus dois filhos estavam em êxtase em conhecer a capital Guanabara. “Olha que massa mãe ela apertando os botões” “Nossa filhos, que elevador bonito”, os típicos ruídos que Joana lidava diariamente, até que eles pararam, o silencio a engoliu por inteiro, retirou o olhar da maquinaria e olhou para o trio, eles estavam esperando uma resposta da jovem moça. Joana sorriu para os três, fazia tempo que ninguém falava com ela que ninguém a via. Quando foi responder sentiu-se levitando, era euforia? Seria esse o pequeno reconhecimento que ela precisava? Talvez, mas era o elevador caindo.
No dia seguinte saiu no jornal que por erros de uma operadora de elevador três gringos tiveram graves lesões na queda. Na semana seguinte, já existia outro ascensorista.