Edvard Munch…. Você talvez reconheça esse nome, ou não, mas com toda certeza a pintura “ Grito”; A pintura que marca o começo do expressionismo. De início, ao ler o título dessa pintura a maioria das pessoas assumiria que o berro venha do personagem da pintura, mas eu te garanto que esse indivíduo não está gritando.
Primeiro, o título original da pintura não é “O Grito”, mas sim “O Grito Da Natureza”, o que seria o susto que o meio leva as pessoas. Em segundo, a expressão que a pessoa possui é mais assustada que alguém gritando; A boca se encontra meio torta, aparentando um grande suspiro de ar e não um grito. Ou seja, a caricatura está assustada, aterrorizada, e não gritando. A pintura foi inspirada em um momento de surto do próprio autor, demonstrando o seu próprio desespero.
" Eu estava andando pela estrada com dois amigos o sol estava se pondo de repente o céu virou sangueEu parei me sentindo exausto e me apoiei na cerca, havia sangue e línguas de fogo acima do azul-negro menos e a cidade que meus amigos caminhavam e eu estava lá tremendo de ansiedade e senti um grito infinito passando"
Edvard Munch
Apesar de outras obras como o “Retrato com um cigarro” serem menos chocantes, todas têm a psicologia e o lado obscuro da sua identidade embutido nelas. Até sendo considerado “perigoso dentro de sua cidade natal Oslo, onde diversos conservadores tinham a ideia que os artistas que abordavam assuntos como morte, dor e sexo estavam corrompendo a sociedade. Segundo Max Nordau, um escritor da época, o cigarro é o maior sintoma de todas as mudanças sociais.
Porém para Munch e seu círculo de artistas, o cigarro representava uma mudança na europa em si. Uma quebra nos padrões conservadores da corte inglesa. O cigarro era associado às classes mais baixas, já que os charutos já eram bem usados entre os mais ricos. Era nessa parte da sociedade menos valorizada que Edvard e seus amigos se encontravam. A vida seguindo a lógica da Boêmia era simbolizada pelo fumo, ele representava toda a revolta que eles sentiam.
Munch foge do naturalismo, em que todas as peças eram uma representação exata da realidade, e até sai da corrente impressionista, que segundo ele eram apenas enormes exercícios de luz e sombra. A sua arte era focada dentro de seu próprio psicológico, um retrato de sua visão subjetiva do mundo. É dessa forma que se adquire algo tão amedrontador como as pinturas de Edvard, ele representa perfeitamente como a perspectiva mais escura do mundo pode ser vista.
Doenças mentais tornaram-se comuns na época, com a ajuda do caos que o mundo estava passando nesse tempo, depressão e ansiedade se tornaram comuns. O relacionamento entre criatividade e loucura é inegável, e em Munch isso é extremamente aparente; ele constrói suas pinturas de uma maneira tão crua, tão psicótica que exprime todas as suas angústias.
Algo sempre me intrigou nas pinturas dde Edvard Munch, sua melancolia e sua loucura sempre se destavam. Para mim, suas pinturas sempre foram vivas, mas nem sempre de uma maneira boa.
Referências e inspirações:
Max Nordau, "Degeneration" . 1892
https://archive.org/details/degeneration035137mbp
Dr. L. Bremer, "Tobacco, Insanity and Nervousness" 1892
https://archive.org/details/39002011211464.med.yale.edu
https://www.amazon.com.br/Private-Journals-Edvard-Munch-English-ebook/dp/B009VNXTJ6/ref=sr_1_8?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=3DCPCFW1RUI0V&keywords=Edvard+Munch&qid=1680134156&sprefix=edvard+munch%2Caps%2C293&sr=8-8
Feito Por: Ana F
29/03/23