"A minha vida não é um filme", mas nossa como eu gostaria que fosse. Que se eu perdi um amor é porque ele vai aparecer daqui nove anos de uma maneira poética, que se eu sair de um carro alguém vai vir correndo atrás de mim, ou por acreditar que cada pequena ação vai desencadear em algo maior depois. Sempre quando passo por um momento difícil ou doloroso volto à este pensamento, em vez de religião esse foi o sentido que comecei a dar para o absurdo enorme que é a nossa existência.
Coisas aleatórias acontecem e sempre vão acontecer, mas vê-las como um possível texto ou filme as tornam menos esdrúxulas. Entretanto, sempre entro em uma questão muito peculiar, o cinema, na maior parte das vezes, tem que ser verossímil, e a vida não, quantas vezes eu agi fora de personagem não ta contado, minha audiência provavelmente ia ficar revoltada comigo em muitos momentos, inclusive agora.
Costumo acreditar que cinegrafias mais esquisitas ou malucas são as mais parecidas com a nossa vida. E um ótimo exemplo disso é o nosso querido David Lynch, em que nos seus filmes não fazia questão de explicar cada detalhe, mas sim de te dar todas as ferramentas para que você sinta o que tem que sentir, porque no final é mais importante saber lidar com as situações em comparação com o ocorrido em si.
Porém infelizmente, tenho ficado desiludida quanto essa minha forma teatral de entender o que acontece comigo. Ultimamente tenho refletido se é a melhor maneira de lidar com a vida, e cheguei na conclusão que provavelmente sim, pelo menos para mim. No final do dia observar as coisas, as pessoas através de uma lente cinematográfica acaba deixando tudo um pouco mais colorido. Apesar de estar com esse tremendo desencanto, espero que ele passe logo para eu voltar a dançar La La Land na rua, porque no final de tudo a minha vida é sim um filme, e nunca vai deixar de ser.