José de Almada Negreiros (1893-1970) é um artista plástico e literário. Ao lado de nomes como o de Mário de Sá-Carneiro e de Fernando Pessoa, introduz uma viragem na cultura portuguesa a partir de 1920, representada pelos movimentos do Modernismo e Futurismo.
A obra 'Antes de Começar' é uma peça de teatro em que duas marionetes conversam entre si; à primeira vista, parece do género infantil, o que é ilusório, pois, à medida que a peça se desenrola, revela grande complexidade existencial, psicológica e emotiva. Dois bonecos descobrem que estão vivos e possuem um mundo interior tal como os seres humanos e assim, dialogando, refletem sobre a sua existência e a dos homens, sobre a interioridade e o mundo do coração e do amor.
O 'Manifesto Anti-Dantas' foi escrito no âmbito de uma polémica que opôs os defensores do Modernismo aos que defendiam princípios mais conservadores no plano da Arte e da Literatura, como o crítico literário Júlio Dantas, uma figura conceituada do panorama intelectual da época.
Almada Negreiros colabora na Revista 'Orpheu', destinada a divulgar os textos literários vanguardistas de novos e irreverentes escritores.
«Mas a receção de Orpheu não foi pacífica, muito pelo contrário, desencadeou uma controvérsia pública. (...) As críticas e comentários eram sobretudo jocosos, sendo os escritores ridicularizados e apontados como doidos varridos. Entre os opositores ao movimento estava o crítico literário Júlio Dantas, (...). A sua crítica aos vanguardistas, nos jornais da época, foi feroz.
Os membros da Revista Orpheu não consentiram calados esse ataque e, pela pena de Almada Negreiros, truculento polemista, brandiram um ataque sobre Júlio Dantas e, a partir dele, sobre todos os que mantinham uma atitude de renitência em relação à inovação nas artes (...).»
Fonte: Luso-Livros, 'Sobre o Autor e o seu Manifesto', [secção introdutória da obra 'Manifesto Anti-Dantas', publicada pela Luso-Livros, pp. 4-5, sendo esta a versão inserida neste 'site']
'Nome de Guerra' é um romance escrito em 1925 que aborda a importância de fazer escolhas próprias em confronto com uma vida submetida à vontade dos outros. Assim, leva o leitor a refletir sobre a vontade autónoma e o problema do livre-arbítrio.
«A personagem principal desta história chama-se Antunes, um rapaz da província com trinta anos cuja vida é fortemente influenciada pela vontade dos pais e do tio. Antunes é enviado para Lisboa pelo tio, onde fica a cargo de um amigo do mesmo, com o objetivo de ser preparado para as atividades masculinas, com destaque para o contacto com as mulheres e para a presença na sociedade.
Em Lisboa conhece Judite, uma prostituta que carrega ódios e vinganças e que dá a conhecer ao protagonista uma realidade à qual ele nunca teve acesso. Judite vem contrastar com a mulher pura da província, a Maria, que o ama sem restrição. Assim, é por intermédio da caracterização destas personagens, que nos é apresentado o binómio cidade/campo.»
No fim do romance apresenta-se a moralidade do mesmo: "Não te metas na vida alheia se não queres lá ficar".
Fonte: Cláudia Mendes, 'Nome de Guerra é nome de um bom romance', em ComUm (Jornal universitário online feito por alunos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho)
Almeida Garrett (1799-1854) foi jornalista, legislador, poeta, dramaturgo e romancista, assim como político e ministro do Reino. Como figura literária introduziu o Romantismo em Portugal e, como ministro, é responsável pela criação do Teatro Nacional D. Maria II e do Conservatório de Arte Dramática.
'O Alfageme de Santarém' e 'Falar a Verdade a Mentir' são duas peças de teatro. A primeira é um drama histórico que se desenrola durante a crise política de 1383-85. O Alfageme é um espadeiro que possui o dom de polir e temperar espadas invencíveis e a quem D. Nuno Álvares Pereira pede que arranje e conserte a sua. A segunda peça, 'Falar a Verdade a Mentir' é uma comédia cujo ambiente é a cidade de Lisboa no século XIX. Aí defrontam-se os interesses de duas famílias burguesas e seus criados num jogo de mentiras e verdades em que Almeida Garrett espelha uma crítica à sociedade da época.
Fontes: Porto Editora, 'O Alfageme de Santarém' em Infopédia
Porto Editora, Sinopse do livro 'Falar Verdade a Mentir' em Livraria Porto Editora online
A obra 'Folhas Caídas' é uma «coletânea de poesias líricas (...) a última e a mais importante obra do autor. Foi publicada apenas um ano antes da sua morte, em 1853, e sob anonimato, talvez pelo receio do escândalo, dadas as relações amorosas com a Viscondessa da Luz, de que em grande parte este livro é a expressão literária. A obra teve grande sucesso devido sobretudo à atmosfera erotizante de algumas das suas composições e também à invulgar expressão de conflito psicológico e amoroso vivido pelo autor. Esta obra revela grandes aspetos inovadores, desde as imagens até à organização estrófica, passando pelo tom coloquial, quase confessional, de muitas das poesias - fazendo dela a melhor obra de poesia romântica portuguesa.»
Fonte: Porto Editora, 'Folhas Caídas' em Infopédia
'Frei Luís de Sousa' é uma peça de teatro dramática e «(...) é considerada a obra-prima do teatro romântico e uma das obras-primas da literatura portuguesa. (...)» O enredo baseia-se na vida do escritor do século XVII, Frei Luís de Sousa, cujo nome secular era D. Manuel de Sousa Coutinho, casado com D. Madalena de Vilhena. Formam um casal feliz e têm uma filha, Maria, que sofre de tuberculose. O primeiro casamento de D. Madalena de Vilhena havia sido com D. João de Portugal, dado como morto na batalha de Alcácer Quibir, o que não se verifica, pois este regressa vários anos depois, tornando o segundo casamento de D. Madalena nulo, assim como ilegítima se torna sua filha, Maria. Manuel e Madalena têm de se separar e ingressam na vida religiosa, assumindo novos nomes, Frei Luís de Sousa e Sóror Madalena respetivamente. Maria morre na igreja em que seus pais professam.
Fontes: 'Frei Luís de Sousa (peça teatral)' em Wikipédia
Porto Editora, 'Frei Luís de Sousa (obra)' em Infopédia
Se quiseres aprofundar, indicamos aqui o filme 'Frei Luís de Sousa', 1950, de António Lopes Ribeiro e uma apresentação sobre a obra do canal 'Português no Youtube'.
'Romanceiro' é uma compilação de lendas e romances portugueses, de origem popular e de tradição oral ou escrita.
'Viagens na Minha Terra' representa uma obra única do Romantismo português. «(...), junta vários estilos literários no relato de uma viagem de Lisboa a Santarém. Muito mais do que uma crónica de viagem, é sobretudo uma reflexão sobre Portugal do século XIX (...).» A obra integra a narrativa de viagens, a reflexão e o ensaio políticos, a crónica jornalística e o romance. Este narra a história de amor entre dois primos, Carlos e Joaninha, inserida no cenário histórico da guerra civil entre absolutistas e liberais.
Fontes: Porto Editora, 'Romanceiro' em Infopédia
Porto Editora, 'Viagens na Minha Terra' em Infopédia
Companhia de Ideias, 'Grandes Livros - Viagens na Minha Terra' em RTP Ensina