São João

Versão corrigida e revisada, fiel ao texto original,

da tradução de João Ferreira de Almeida

8121/3-06

O evangelho segundo São João retirado da

Versão corrigida e revisada, fiel ao texto original,

da tradução de João Ferreira de Almeida

Sociedade Bíblica Trinitariana

Usado com permissão da Sociedade Bíblica Trinitariana

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Publicadora Lâmpada e Luz

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dotes e levitas para que lhe perguntassem:

Quem és tu?

20 E confessou, e não negou; confessou:

Eu não sou o Cristo.

21 E perguntaram-lhe: Então quê? És tu

Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E

respondeu: Não.

22 Disseram-lhe pois: Quem és? para que

demos resposta àqueles que nos enviaram;

que dizes de ti mesmo?

23 Disse: Eu sou a voz do que clama no

deserto: Endireitai o caminho do Senhor,

como disse o profeta Isaías.

24 E os que tinham sido enviados eram

dos fariseus.

25 E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por

que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem

Elias, nem o profeta?

26 João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo

com água; mas no meio de vós está um

a quem vós não conheceis.

27 Este é aquele que vem após mim, que

é antes de mim, do qual eu não sou digno

de desatar a correia da alparca.

28 Estas coisas aconteceram em Betânia,

do outro lado do Jordão, onde João estava

batizando.

O Cordeiro de Deus

29 No dia seguinte João viu a Jesus, que

vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de

Deus, que tira o pecado do mundo.

30 Este é aquele do qual eu disse: Após

mim vem um homem que é antes de mim,

porque foi primeiro do que eu.

31 E eu não o conhecia; mas, para que ele

fosse manifestado a Israel, vim eu, por

isso, batizando com água.

32 E João testificou, dizendo: Eu vi o

Espírito descer do céu como pomba, e

repousar sobre ele.

33 E eu não o conhecia, mas o que me

mandou a batizar com água, esse me disse:

Sobre aquele que vires descer o Espírito,

e sobre ele repousar, esse é o que batiza

com o Espírito Santo.

34 E eu vi, e tenho testificado que este é

o Filho de Deus.

O Verbo se fez carne

1 NO princípio era o Verbo, e o Verbo

estava com Deus, e o Verbo era

Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por ele, e

sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz

dos homens.

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas

não a compreenderam.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo

nome era João.

7 Este veio para testemunho, para que

testificasse da luz, para que todos cressem

por ele.

8 Não era ele a luz, mas para que testificasse

da luz.

9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a

todo o homem que vem ao mundo.

10 Estava no mundo, e o mundo foi feito

por ele, e o mundo não o conheceu.

11 Veio para o que era seu, e os seus não

o receberam.

12 Mas, a todos quantos o receberam,

deu-lhes o poder de serem feitos filhos de

Deus, aos que crêem no seu nome;

13 Os quais não nasceram do sangue, nem

da vontade da carne, nem da vontade do

homem, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre

nós, e vimos a sua glória, como a glória

do unigênito do Pai, cheio de graça e de

verdade.

15 João testificou dele, e clamou, dizendo:

Este era aquele de quem eu dizia: O que

vem após mim é antes de mim, porque foi

primeiro do que eu.

16 E todos nós recebemos também da sua

plenitude, e graça por graça.

17 Porque a lei foi dada por Moisés; a graça

e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18 Deus nunca foi visto por alguém. O

Filho unigênito, que está no seio do Pai,

esse o revelou.

O testemunho de João Batista

19 E este é o testemunho de João, quando

os judeus mandaram de Jerusalém sacerOs

primeiros apóstolos de Jesus

35 No dia seguinte João estava outra vez

ali, e dois dos seus discípulos;

36 E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui

o Cordeiro de Deus.

37 E os dois discípulos ouviram-no dizer

isto, e seguiram a Jesus.

38 E Jesus, voltando-se e vendo que eles

o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles

disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer

Mestre), onde moras?

39 Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram,

e viram onde morava, e ficaram com ele

aquele dia; e era já quase a hora décima.

40 Era André, irmão de Simão Pedro, um

dos dois que ouviram aquilo de João, e o

haviam seguido.

41 Este achou primeiro a seu irmão Simão,

e disse-lhe: Achamos o Messias (que,

traduzido, é o Cristo).

42 E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus

para ele, disse: Tu és Simão, filho de

Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer

dizer Pedro).

Jesus chama Filipe e Natanael

43 No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia,

e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me.

44 E Filipe era de Betsaida, cidade de

André e de Pedro.

45 Filipe achou Natanael, e disse-lhe:

Havemos achado aquele de quem Moisés

escreveu na lei, e os profetas: Jesus de

Nazaré, filho de José.

46 Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma

coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe:

Vem, e vê.

47 Jesus viu Natanael vir ter com ele, e

disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita,

em quem não há dolo.

48 Disse-lhe Natanael: De onde me conheces

tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes

que Filipe te chamasse, te vi eu, estando

tu debaixo da figueira.

49 Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi,

tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de

Israel.

50 Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque

te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês?

Coisas maiores do que estas verás.

51 E disse-lhe: Na verdade, na verdade

vos digo que daqui em diante vereis o

céu aberto, e os anjos de Deus subindo e

descendo sobre o Filho do homem.

As bodas em Caná

2 E, AO terceiro dia, fizeram-se umas

bodas em Caná da Galiléia; e estava

ali a mãe de Jesus.

2 E foi também convidado Jesus e os seus

discípulos para as bodas.

3 E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe

disse: Não têm vinho.

4 Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu

contigo? Ainda não é chegada a minha

hora.

5 Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo

quanto ele vos disser.

6 E estavam ali postas seis talhas de pedra,

para as purificações dos judeus, e em cada

uma cabiam dois ou três almudes.

7 Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas

talhas. E encheram-nas até em cima.

8 E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao

mestre-sala. E levaram.

9 E, logo que o mestre-sala provou a água

feita vinho (não sabendo de onde viera,

se bem que o sabiam os serventes que

tinham tirado a água), chamou o mestresala

ao esposo,

10 E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro

o vinho bom e, quando já têm bebido

bem, então o inferior; mas tu guardaste até

agora o bom vinho.

11 Jesus principiou assim os seus sinais em

Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória;

e os seus discípulos creram nele.

12 Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e

sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos;

e ficaram ali não muitos dias.

Jesus purifica o templo

13 E estava próxima a páscoa dos judeus,

e Jesus subiu a Jerusalém.

14 E achou no templo os que vendiam bois,

e ovelhas, e pombos, e os cambiadores

assentados.

15 E tendo feito um azorrague de cordéis,

lançou todos fora do templo, também os

bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos

cambiadores, e derribou as mesas;

16 E disse aos que vendiam pombos: Tirai

daqui estes, e não façais da casa de meu

Pai casa de venda.

17 E os seus discípulos lembraram-se do

que está escrito: O zelo da tua casa me

devorará.

18 Responderam, pois, os judeus, e disseram-

lhe: Que sinal nos mostras para

fazeres isto?

19 Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai

este templo, e em três dias o levantarei.

20 Disseram, pois, os judeus: Em quarenta

e seis anos foi edificado este templo, e tu

o levantarás em três dias?

21 Mas ele falava do templo do seu corpo.

22 Quando, pois, ressuscitou dentre os

mortos, os seus discípulos lembraram-se

de que lhes dissera isto; e creram na Escritura,

e na palavra que Jesus tinha dito.

Jesus conhece todos os homens

23 E, estando ele em Jerusalém pela páscoa,

durante a festa, muitos, vendo os

sinais que fazia, creram no seu nome.

24 Mas o mesmo Jesus não confiava neles,

porque a todos conhecia;

25 E não necessitava de que alguém testificasse

do homem, porque ele bem sabia

o que havia no homem.

Jesus e Nicodemos

3 E HAVIA entre os fariseus um

homem, chamado Nicodemos, príncipe

dos judeus.

2 Este foi ter de noite com Jesus, e disselhe:

Rabi, bem sabemos que és Mestre,

vindo de Deus; porque ninguém pode

fazer estes sinais que tu fazes, se Deus

não for com ele.

3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade,

na verdade te digo que aquele que

não nascer de novo, não pode ver o reino

de Deus.

4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um

homem nascer, sendo velho? Pode, porventura,

tornar a entrar no ventre de sua

mãe, e nascer?

5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade

te digo que aquele que não nascer da água

e do Espírito, não pode entrar no reino

de Deus.

6 O que é nascido da carne é carne, e o que

é nascido do Espírito é espírito.

7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário

vos é nascer de novo.

8 O vento assopra onde quer, e ouves a

sua voz, mas não sabes de onde vem, nem

para onde vai; assim é todo aquele que é

nascido do Espírito.

9 Nicodemos respondeu, e disse-lhe:

Como pode ser isso?

10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és

mestre de Israel, e não sabes isto?

11 Na verdade, na verdade te digo que

nós dizemos o que sabemos, e testificamos

o que vimos; e não aceitais o nosso

testemunho.

12 Se vos falei de coisas terrestres, e não

crestes, como crereis, se vos falar das

celestiais?

13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o

que desceu do céu, o Filho do homem,

que está no céu.

14 E, como Moisés levantou a serpente

no deserto, assim importa que o Filho do

homem seja levantado;

15 Para que todo aquele que nele crê não

pereça, mas tenha a vida eterna.

Deus amou o mundo

16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira

que deu o seu Filho unigênito, para

que todo aquele que nele crê não pereça,

mas tenha a vida eterna.

17 Porque Deus enviou o seu Filho ao

mundo, não para que condenasse o mundo,

mas para que o mundo fosse salvo

por ele.

18 Quem crê nele não é condenado; mas

quem não crê já está condenado, porquanto

não crê no nome do unigênito Filho de

Deus.

19 E a condenação é esta: Que a luz veio

ao mundo, e os homens amaram mais as

trevas do que a luz, porque as suas obras

eram más.

20 Porque todo aquele que faz o mal odeia

a luz, e não vem para a luz, para que as suas

obras não sejam reprovadas.

21 Mas quem pratica a verdade vem para

a luz, a fim de que as suas obras sejam

manifestas, porque são feitas em Deus.

O amigo do esposo

22 Depois disto foi Jesus com os seus

discípulos para a terra da Judéia; e estava

ali com eles, e batizava.

23 Ora, João batizava também em Enom,

junto a Salim, porque havia ali muitas

águas; e vinham ali, e eram batizados.

24 Porque ainda João não tinha sido lançado

na prisão.

25 Houve então uma questão entre os

discípulos de João e os judeus acerca da

purificação.

26 E foram ter com João, e disseram-lhe:

Rabi, aquele que estava contigo além do

Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo

batizando, e todos vão ter com ele.

27 João respondeu, e disse: O homem não

pode receber coisa alguma, se não lhe for

dada do céu.

28 Vós mesmos me sois testemunhas de

que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou

enviado adiante dele.

29 Aquele que tem a esposa é o esposo;

mas o amigo do esposo, que lhe assiste

e o ouve, alegra-se muito com a voz do

esposo. Assim, pois, já este meu gozo

está cumprido.

30 É necessário que ele cresça e que eu

diminua.

Aquele que vem de cima

31 Aquele que vem de cima é sobre todos;

aquele que vem da terra é da terra e fala

da terra. Aquele que vem do céu é sobre

todos.

32 E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica;

e ninguém aceita o seu testemunho.

33 Aquele que aceitou o seu testemunho,

esse confirmou que Deus é verdadeiro.

34 Porque aquele que Deus enviou fala as

palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o

Espírito por medida.

35 O Pai ama o Filho, e todas as coisas

entregou nas suas mãos.

36 Aquele que crê no Filho tem a vida

eterna; mas aquele que não crê no Filho

não verá a vida, mas a ira de Deus sobre

ele permanece.

A mulher samaritana

4 E QUANDO o Senhor entendeu

que os fariseus tinham ouvido que

Jesus fazia e batizava mais discípulos do

que João

2 (Ainda que Jesus mesmo não batizava,

mas os seus discípulos),

3 Deixou a Judéia, e foi outra vez para a

Galiléia.

4 E era-lhe necessário passar por Samaria.

5 Foi, pois, a uma cidade de Samaria,

chamada Sicar, junto da herdade que Jacó

tinha dado a seu filho José.

6 E estava ali a fonte de Jacó. Jesus,

pois, cansado do caminho, assentou-se

assim junto da fonte. Era isto quase à

hora sexta.

7 Veio uma mulher de Samaria tirar água.

Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

8 Porque os seus discípulos tinham ido à

cidade comprar comida.

9 Disse-lhe, pois, a mulher samaritana:

Como, sendo tu judeu, me pedes de beber

a mim, que sou mulher samaritana? (porque

os judeus não se comunicam com os

samaritanos).

10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras

o dom de Deus, e quem é o que

te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e

ele te daria água viva.

11 Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens

com que a tirar, e o poço é fundo; onde,

pois, tens a água viva?

12 És tu maior do que o nosso pai Jacó,

que nos deu o poço, bebendo ele próprio

dele, e os seus filhos, e o seu gado?

13 Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer

que beber desta água tornará a ter sede;

14 Mas aquele que beber da água que eu

lhe der nunca terá sede, porque a água que

eu lhe der se fará nele uma fonte de água

que salte para a vida eterna.

15 Disse-lhe a mulher: SENHOR, dá-me

dessa água, para que não mais tenha sede,

e não venha aqui tirá-la.

16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido,

e vem cá.

17 A mulher respondeu, e disse: Não tenho

marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem:

Não tenho marido;

18 Porque tiveste cinco maridos, e o que

agora tens não é teu marido; isto disseste

com verdade.

19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que

és profeta.

20 Nossos pais adoraram neste monte, e

vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde

se deve adorar.

21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a

hora vem, em que nem neste monte nem

em Jerusalém adorareis o Pai.

22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos

o que sabemos porque a salvação

vem dos judeus.

23 Mas a hora vem, e agora é, em que os

verdadeiros adoradores adorarão o Pai em

espírito e em verdade; porque o Pai procura

a tais que assim o adorem.

24 Deus é Espírito, e importa que os que

o adoram o adorem em espírito e em

verdade.

25 A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias

(que se chama o Cristo) vem; quando

ele vier, nos anunciará tudo.

26 Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo

contigo.

27 E nisto vieram os seus discípulos, e

maravilharam-se de que estivesse falando

com uma mulher; todavia nenhum lhe

disse: Que perguntas? ou: Por que falas

com ela?

28 Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e

foi à cidade, e disse àqueles homens:

29 Vinde, vede um homem que me disse

tudo quanto tenho feito. Porventura não é

este o Cristo?

30 Saíram, pois, da cidade, e foram ter

com ele.

31 E entretanto os seus discípulos lhe

rogaram, dizendo: Rabi, come.

32 Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho

para comer, que vós não conheceis.

33 Então os discípulos diziam uns aos

outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém

algo de comer?

34 Jesus disse-lhes: A minha comida é

fazer a vontade daquele que me enviou, e

realizar a sua obra.

35 Não dizeis vós que ainda há quatro

meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos

digo: Levantai os vossos olhos, e vede as

terras, que já estão brancas para a ceifa.

36 E o que ceifa recebe galardão, e ajunta

fruto para a vida eterna; para que, assim

o que semeia como o que ceifa, ambos se

regozijem.

37 Porque nisto é verdadeiro o ditado, que

um é o que semeia, e outro o que ceifa.

38 Eu vos enviei a ceifar onde vós não

trabalhastes; outros trabalharam, e vós

entrastes no seu trabalho.

39 E muitos dos samaritanos daquela

cidade creram nele, pela palavra da mulher,

que testificou: Disse-me tudo quanto

tenho feito.

40 Indo, pois, ter com ele os samaritanos,

rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou

ali dois dias.

41 E muitos mais creram nele, por causa

da sua palavra.

42 E diziam à mulher: Já não é pelo teu

dito que nós cremos; porque nós mesmos

o temos ouvido, e sabemos que este é

verdadeiramente o Cristo, o Salvador do

mundo.

Cura do filho dum nobre

43 E dois dias depois partiu dali, e foi para

a Galiléia.

44 Porque Jesus mesmo testificou que

um profeta não tem honra na sua própria

pátria.

45 Chegando, pois, à Galiléia, os galileus

o receberam, vistas todas as coisas que fizera

em Jerusalém, no dia da festa; porque

também eles tinham ido à festa.

46 Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia,

onde da água fizera vinho. E havia

ali um nobre, cujo filho estava enfermo

em Cafarnaum.

47 Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia

para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe

que descesse, e curasse o seu filho, porque

já estava à morte.

48 Então Jesus lhe disse: Se não virdes

sinais e milagres, não crereis.

49 Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes

que meu filho morra.

50 Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive.

E o homem creu na palavra que Jesus lhe

disse, e partiu.

51 E descendo ele logo, saíram-lhe ao

encontro os seus servos, e lhe anunciaram,

dizendo: O teu filho vive.

52 Perguntou-lhes, pois, a que hora se

achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às

sete horas a febre o deixou.

53 Entendeu, pois, o pai que era aquela

hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu

filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.

54 Jesus fez este segundo milagre, quando

ia da Judéia para a Galiléia.

Cura dum paralítico de Betesda

5 DEPOIS disto havia uma festa entre

os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

2 Ora, em Jerusalém há, próximo à porta

das ovelhas, um tanque, chamado em

hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.

3 Nestes jazia grande multidão de enfermos,

cegos, mancos e ressicados,

esperando o movimento da água.

4 Porquanto um anjo descia em certo tempo

ao tanque, e agitava a água; e o primeiro

que ali descia, depois do movimento da

água, sarava de qualquer enfermidade

que tivesse.

5 E estava ali um homem que, havia trinta

e oito anos, se achava enfermo.

6 E Jesus, vendo este deitado, e sabendo

que estava neste estado havia muito tempo,

disse-lhe: Queres ficar são?

7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não

tenho homem algum que, quando a água é

agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto

eu vou, desce outro antes de mim.

8 Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu

leito, e anda.

9 Logo aquele homem ficou são; e tomou

o seu leito, e andava. E aquele dia era

sábado.

10 Então os judeus disseram àquele que

tinha sido curado: É sábado, não te é lícito

levar o leito.

11 Ele respondeu-lhes: Aquele que me

curou, ele próprio disse: Toma o teu leito,

e anda.

12 Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem

que te disse: Toma o teu leito, e

anda?

13 E o que fora curado não sabia quem era;

porque Jesus se havia retirado, em razão de

naquele lugar haver grande multidão.

14 Depois Jesus encontrou-o no templo,

e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques

mais, para que não te suceda alguma

coisa pior.

15 E aquele homem foi, e anunciou aos

judeus que Jesus era o que o curara.

16 E por esta causa os judeus perseguiram

a Jesus, e procuravam matá-lo, porque

fazia estas coisas no sábado.

17 E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha

até agora, e eu trabalho também.

18 Por isso, pois, os judeus ainda mais

procuravam matá-lo, porque não só quebrantava

o sábado, mas também dizia

que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se

igual a Deus.

A autoridade do Filho

19 Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na

verdade, na verdade vos digo que o Filho

por si mesmo não pode fazer coisa alguma,

se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto

ele faz, o Filho o faz igualmente.

20 Porque o Pai ama o Filho, e mostralhe

tudo o que faz; e ele lhe mostrará

maiores obras do que estas, para que vos

maravilheis.

21 Pois, assim como o Pai ressuscita os

mortos, e os vivifica, assim também o Filho

vivifica aqueles que quer.

22 E também o Pai a ninguém julga, mas

deu ao Filho todo o juízo;

23 Para que todos honrem o Filho, como

honram o Pai. Quem não honra o Filho,

não honra o Pai que o enviou.

24 Na verdade, na verdade vos digo que

quem ouve a minha palavra, e crê naquele

que me enviou, tem a vida eterna, e não

entrará em condenação, mas passou da

morte para a vida.

25 Em verdade, em verdade vos digo que

vem a hora, e agora é, em que os mortos

ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que

a ouvirem viverão.

26 Porque, como o Pai tem a vida em si

mesmo, assim deu também ao Filho ter a

vida em si mesmo;

27 E deu-lhe o poder de exercer o juízo,

porque é o Filho do homem.

28 Não vos maravilheis disto; porque

vem a hora em que todos os que estão nos

sepulcros ouvirão a sua voz.

29 E os que fizeram o bem sairão para a

ressurreição da vida; e os que fizeram o

mal para a ressurreição da condenação.

Testemunho de Cristo

30 Eu não posso de mim mesmo fazer

coisa alguma. Como ouço, assim julgo;

e o meu juízo é justo, porque não busco a

minha vontade, mas a vontade do Pai que

me enviou.

31 Se eu testifico de mim mesmo, o meu

testemunho não é verdadeiro.

32 Há outro que testifica de mim, e sei

que o testemunho que ele dá de mim é

verdadeiro.

33 Vós mandastes mensageiros a João, e

ele deu testemunho da verdade.

34 Eu, porém, não recebo testemunho

de homem; mas digo isto, para que vos

salveis.

35 Ele era a candeia que ardia e alumiava,

e vós quisestes alegrar-vos por um pouco

de tempo com a sua luz.

36 Mas eu tenho maior testemunho do

que o de João; porque as obras que o Pai

me deu para realizar, as mesmas obras

que eu faço, testificam de mim, que o Pai

me enviou.

37 E o Pai, que me enviou, ele mesmo

testificou de mim. Vós nunca ouvistes a

sua voz, nem vistes o seu parecer.

38 E a sua palavra não permanece em

vós, porque naquele que ele enviou não

credes vós.

39 Examinais as Escrituras, porque vós

cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas

que de mim testificam;

40 E não quereis vir a mim para terdes

vida.

41 Eu não recebo glória dos homens;

42 Mas bem vos conheço, que não tendes

em vós o amor de Deus.

43 Eu vim em nome de meu Pai, e não

me aceitais; se outro vier em seu próprio

nome, a esse aceitareis.

44 Como podeis vós crer, recebendo honra

uns dos outros, e não buscando a honra que

vem só de Deus?

45 Não cuideis que eu vos hei de acusar

para com o Pai. Há um que vos acusa,

Moisés, em quem vós esperais.

46 Porque, se vós crêsseis em Moisés,

creríeis em mim; porque de mim escreveu

ele.

47 Mas, se não credes nos seus escritos,

como crereis nas minhas palavras?

A multiplicação dos pães

6 DEPOIS disto partiu Jesus para o

outro lado do mar da Galiléia, que

é o de Tiberíades.

2 E grande multidão o seguia, porque via

os sinais que operava sobre os enfermos.

3 E Jesus subiu ao monte, e assentou-se

ali com os seus discípulos.

4 E a páscoa, a festa dos judeus, estava

próxima.

10

5 Então Jesus, levantando os olhos, e

vendo que uma grande multidão vinha ter

com ele, disse a Filipe: Onde compraremos

pão, para estes comerem?

6 Mas dizia isto para o experimentar; porque

ele bem sabia o que havia de fazer.

7 Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros

de pão não lhes bastarão, para que cada

um deles tome um pouco.

8 E um dos seus discípulos, André, irmão

de Simão Pedro, disse-lhe:

9 Está aqui um rapaz que tem cinco pães

de cevada e dois peixinhos; mas que é isto

para tantos?

10 E disse Jesus: Mandai assentar os

homens. E havia muita relva naquele

lugar. Assentaram-se, pois, os homens em

número de quase cinco mil.

11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado

graças, repartiu-os pelos discípulos, e os

discípulos pelos que estavam assentados;

e igualmente também dos peixes, quanto

eles queriam.

12 E, quando estavam saciados, disse aos

seus discípulos: Recolhei os pedaços que

sobejaram, para que nada se perca.

13 Recolheram-nos, pois, e encheram

doze alcofas de pedaços dos cinco pães

de cevada, que sobejaram aos que haviam

comido.

14 Vendo, pois, aqueles homens o milagre

que Jesus tinha feito, diziam: Este é

verdadeiramente o profeta que devia vir

ao mundo.

15 Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir

arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a

retirar-se, ele só, para o monte.

Jesus anda sobre o mar

16 E, quando veio a tarde, os seus discípulos

desceram para o mar.

17 E, entrando no barco, atravessaram

o mar em direção a Cafarnaum; e era já

escuro, e ainda Jesus não tinha chegado

ao pé deles.

18 E o mar se levantou, porque um grande

vento assoprava.

19 E, tendo navegado uns vinte e cinco

ou trinta estádios, viram a Jesus, andando

sobre o mar e aproximando-se do barco;

e temeram.

20 Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.

21 Então eles de boa mente o receberam

no barco; e logo o barco chegou à terra

para onde iam.

A multidão sai em busca de Jesus

22 No dia seguinte, a multidão que estava

do outro lado do mar, vendo que não havia

ali mais do que um barquinho, a não ser

aquele no qual os discípulos haviam entrado,

e que Jesus não entrara com os seus

discípulos naquele barquinho, mas que os

seus discípulos tinham ido sozinhos

23 (Contudo, outros barquinhos tinham

chegado de Tiberíades, perto do lugar

onde comeram o pão, havendo o SENHOR

dado graças).

24 Vendo, pois, a multidão que Jesus não

estava ali nem os seus discípulos, entraram

eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum,

em busca de Jesus.

Jesus, o pão da vida

25 E, achando-o no outro lado do mar, disseram-

lhe: Rabi, quando chegaste aqui?

26 Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade,

na verdade vos digo que me buscais,

não pelos sinais que vistes, mas porque

comestes do pão e vos saciastes.

27 Trabalhai, não pela comida que perece,

mas pela comida que permanece para a

vida eterna, a qual o Filho do homem vos

dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.

28 Disseram-lhe, pois: Que faremos para

executarmos as obras de Deus?

29 Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra

de Deus é esta: Que creiais naquele que

ele enviou.

30 Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois,

fazes tu, para que o vejamos, e creiamos

em ti? Que operas tu?

31 Nossos pais comeram o maná no deserto,

como está escrito: Deu-lhes a comer o

pão do céu.

32 Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na

verdade vos digo: Moisés não vos deu o

11

pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro

pão do céu.

33 Porque o pão de Deus é aquele que

desce do céu e dá vida ao mundo.

34 Disseram-lhe, pois: SENHOR, dá-nos

sempre desse pão.

35 E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida;

aquele que vem a mim não terá fome, e

quem crê em mim nunca terá sede.

36 Mas já vos disse que também vós me

vistes, e contudo não credes.

37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e

o que vem a mim de maneira nenhuma o

lançarei fora.

38 Porque eu desci do céu, não para fazer

a minha vontade, mas a vontade daquele

que me enviou.

39 E a vontade do Pai que me enviou é

esta: Que nenhum de todos aqueles que

me deu se perca, mas que o ressuscite no

último dia.

40 Porquanto a vontade daquele que me

enviou é esta: Que todo aquele que vê o

Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu

o ressuscitarei no último dia.

41 Murmuravam, pois, dele os judeus,

porque dissera: Eu sou o pão que desceu

do céu.

42 E diziam: Não é este Jesus, o filho de

José, cujo pai e mãe nós conhecemos?

Como, pois, diz ele: Desci do céu?

43 Respondeu, pois, Jesus, e disse-lhes:

Não murmureis entre vós.

44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que

me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei

no último dia.

45 Está escrito nos profetas: E serão todos

ensinados por Deus. Portanto, todo aquele

que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

46 Não que alguém visse ao Pai, a não

ser aquele que é de Deus; este tem visto

ao Pai.

47 Na verdade, na verdade vos digo que

aquele que crê em mim tem a vida eterna.

48 Eu sou o pão da vida.

49 Vossos pais comeram o maná no deserto,

e morreram.

50 Este é o pão que desce do céu, para que

o que dele comer não morra.

51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu;

se alguém comer deste pão, viverá para

sempre; e o pão que eu der é a minha carne,

que eu darei pela vida do mundo.

52 Disputavam, pois, os judeus entre si,

dizendo: Como nos pode dar este a sua

carne a comer?

53 Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na

verdade vos digo que, se não comerdes a

carne do Filho do homem, e não beberdes

o seu sangue, não tereis vida em vós

mesmos.

54 Quem come a minha carne e bebe

o meu sangue tem a vida eterna, e eu o

ressuscitarei no último dia.

55 Porque a minha carne verdadeiramente

é comida, e o meu sangue verdadeiramente

é bebida.

56 Quem come a minha carne e bebe o meu

sangue permanece em mim e eu nele.

57 Assim como o Pai, que vive, me enviou,

e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se

alimenta, também viverá por mim.

58 Este é o pão que desceu do céu; não é o

caso de vossos pais, que comeram o maná

e morreram; quem comer este pão viverá

para sempre.

59 Ele disse estas coisas na sinagoga,

ensinando em Cafarnaum.

As palavras da vida eterna

60 Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo

isto, disseram: Duro é este discurso;

quem o pode ouvir?

61 Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que

os seus discípulos murmuravam disto,

disse-lhes: Isto escandaliza-vos?

62 Que seria, pois, se vísseis subir o Filho

do homem para onde primeiro estava?

63 O espírito é o que vivifica, a carne para

nada aproveita; as palavras que eu vos

disse são espírito e vida.

64 Mas há alguns de vós que não crêem.

Porque bem sabia Jesus, desde o princípio,

quem eram os que não criam, e quem era

o que o havia de entregar.

12

65 E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém

pode vir a mim, se por meu Pai não

lhe for concedido.

66 Desde então muitos dos seus discípulos

tornaram para trás, e já não andavam

com ele.

67 Então disse Jesus aos doze: Quereis vós

também retirar-vos?

68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro:

Senhor, para quem iremos nós? Tu tens

as palavras da vida eterna.

69 E nós temos crido e conhecido que tu és

o Cristo, o Filho do Deus vivente.

70 Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a

vós os doze? e um de vós é um diabo.

71 E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho

de Simão; porque este o havia de entregar,

sendo um dos doze.

A incredulidade dos irmãos de Jesus

7 E DEPOIS disto Jesus andava pela

Galiléia, e já não queria andar pela

Judéia, pois os judeus procuravam matálo.

2 E estava próxima a festa dos judeus, a

dos tabernáculos.

3 Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai

daqui, e vai para a Judéia, para que também

os teus discípulos vejam as obras

que fazes.

4 Porque não há ninguém que procure

ser conhecido que faça coisa alguma em

oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te

ao mundo.

5 Porque nem mesmo seus irmãos criam

nele.

6 Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é

chegado o meu tempo, mas o vosso tempo

sempre está pronto.

7 O mundo não vos pode odiar, mas ele

me odeia a mim, porquanto dele testifico

que as suas obras são más.

8 Subi vós a esta festa; eu não subo ainda

a esta festa, porque ainda o meu tempo não

está cumprido.

9 E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia.

Jesus ensina no templo na festa

dos tabernáculos

10 Mas, quando seus irmãos já tinham

subido à festa, então subiu ele também, não

manifestamente, mas como em oculto.

11 Ora, os judeus procuravam-no na festa,

e diziam: Onde está ele?

12 E havia grande murmuração entre a

multidão a respeito dele. Diziam alguns:

Ele é bom. E outros diziam: Não, antes

engana o povo.

13 Todavia ninguém falava dele abertamente,

por medo dos judeus.

14 Mas, no meio da festa subiu Jesus ao

templo, e ensinava.

15 E os judeus maravilhavam-se, dizendo:

Como sabe este letras, não as tendo

aprendido?

16 Jesus lhes respondeu, e disse: A minha

doutrina não é minha, mas daquele que

me enviou.

17 Se alguém quiser fazer a vontade dele,

pela mesma doutrina conhecerá se ela é de

Deus, ou se eu falo de mim mesmo.

18 Quem fala de si mesmo busca a sua

própria glória; mas o que busca a glória

daquele que o enviou, esse é verdadeiro,

e não há nele injustiça.

19 Não vos deu Moisés a lei? e nenhum

de vós observa a lei. Por que procurais

matar-me?

20 A multidão respondeu, e disse: Tens

demônio; quem procura matar-te?

21 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma

só obra, e todos vos maravilhais.

22 Pelo motivo de que Moisés vos deu

a circuncisão (não que fosse de Moisés,

mas dos pais), no sábado circuncidais um

homem.

23 Se o homem recebe a circuncisão no

sábado, para que a lei de Moisés não

seja quebrantada, indignais-vos contra

mim, porque no sábado curei de todo um

homem?

24 Não julgueis segundo a aparência, mas

julgai segundo a reta justiça.

13

É este o Cristo?

25 Então alguns dos de Jerusalém diziam:

Não é este o que procuram matar?

26 E ei-lo aí está falando abertamente, e

nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente

os príncipes que de fato este

é o Cristo?

27 Todavia bem sabemos de onde este é;

mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá

de onde ele é.

28 Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando,

e dizendo: Vós conheceis-me, e

sabeis de onde sou; e eu não vim de mim

mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro,

o qual vós não conheceis.

29 Mas eu conheço-o, porque dele sou e

ele me enviou.

30 Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém

lançou mão dele, porque ainda não

era chegada a sua hora.

31 E muitos da multidão creram nele, e

diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda

mais sinais do que os que este tem feito?

Os fariseus enviam servidores para

prenderem Jesus

32 Os fariseus ouviram que a multidão

murmurava dele estas coisas; e os fariseus

e os principais dos sacerdotes mandaram

servidores para o prenderem.

33 Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco

de tempo estou convosco, e depois vou

para aquele que me enviou.

34 Vós me buscareis, e não me achareis; e

onde eu estou, vós não podeis vir.

35 Disseram, pois, os judeus uns para os

outros: Para onde irá este, que o não acharemos?

Irá porventura para os dispersos

entre os gregos, e ensinará os gregos?

36 Que palavra é esta que disse: Buscarme-

eis, e não me achareis; e: Aonde eu

estou vós não podeis ir?

Rios de água viva

37 E no último dia, o grande dia da festa,

Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se

alguém tem sede, venha a mim, e beba.

38 Quem crê em mim, como diz a Escritura,

rios de água viva correrão do seu

ventre.

39 E isto disse ele do Espírito que haviam

de receber os que nele cressem; porque o

Espírito Santo ainda não fora dado, por

ainda Jesus não ter sido glorificado.

Divisão entre o povo

40 Então muitos da multidão, ouvindo esta

palavra, diziam: Verdadeiramente este é

o Profeta.

41 Outros diziam: Este é o Cristo; mas

diziam outros: Vem, pois, o Cristo da

Galiléia?

42 Não diz a Escritura que o Cristo vem

da descendência de Davi, e de Belém, da

aldeia de onde era Davi?

43 Assim entre o povo havia dissensão

por causa dele.

44 E alguns deles queriam prendê-lo, mas

ninguém lançou mão dele.

Nunca homem algum falou assim

45 E os servidores foram ter com os principais

dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes

perguntaram: Por que não o trouxestes?

46 Responderam os servidores: Nunca

homem algum falou assim como este

homem.

47 Responderam-lhes, pois, os fariseus:

Também vós fostes enganados?

48 Creu nele porventura algum dos principais

ou dos fariseus?

49 Mas esta multidão, que não sabe a lei,

é maldita.

50 Nicodemos, que era um deles (o que de

noite fora ter com Jesus), disse-lhes:

51 Porventura condena a nossa lei um

homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento

do que faz?

52 Responderam eles, e disseram-lhe: És

tu também da Galiléia? Examina, e verás

que da Galiléia nenhum profeta surgiu.

53 E cada um foi para sua casa.

14

A mulher adúltera

8 JESUS, porém, foi para o Monte

das Oliveiras.

2 E pela manhã cedo tornou para o templo,

e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-

se, os ensinava.

3 E os escribas e fariseus trouxeram-lhe

uma mulher apanhada em adultério;

4 E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre,

esta mulher foi apanhada, no próprio

ato, adulterando.

5 E na lei nos mandou Moisés que as tais

sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

6 Isto diziam eles, tentando-o, para que

tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-

se, escrevia com o dedo na terra.

7 E, como insistissem, perguntando-lhe,

endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de

entre vós está sem pecado seja o primeiro

que atire pedra contra ela.

8 E, tornando a inclinar-se, escrevia na

terra.

9 Quando ouviram isto, redargüidos da

consciência, saíram um a um, a começar

pelos mais velhos até aos últimos; ficou só

Jesus e a mulher que estava no meio.

10 E, endireitando-se Jesus, e não vendo

ninguém mais do que a mulher, disse-lhe:

Mulher, onde estão aqueles teus acusadores?

Ninguém te condenou?

11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disselhe

Jesus: Nem eu também te condeno;

vai-te, e não peques mais.

Jesus, a luz do mundo

12 Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo:

Eu sou a luz do mundo; quem me

segue não andará em trevas, mas terá a

luz da vida.

13 Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu

testificas de ti mesmo; o teu testemunho

não é verdadeiro.

14 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda

que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho

é verdadeiro, porque sei de onde

vim, e para onde vou; mas vós não sabeis

de onde venho, nem para onde vou.

15 Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém

julgo.

16 E, se na verdade julgo, o meu juízo é

verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu

e o Pai que me enviou.

17 E na vossa lei está também escrito

que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18 Eu sou o que testifico de mim mesmo,

e de mim testifica também o Pai que me

enviou.

19 Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai?

Jesus respondeu: Não me conheceis a mim,

nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a

mim, também conheceríeis a meu Pai.

20 Estas palavras disse Jesus no lugar do

tesouro, ensinando no templo, e ninguém

o prendeu, porque ainda não era chegada

a sua hora.

Para onde eu vou, não podeis vós vir

21 Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu

retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis

no vosso pecado. Para onde eu vou, não

podeis vós vir.

22 Diziam, pois, os judeus: Porventura

quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para

onde eu vou não podeis vir?

23 E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou

de cima; vós sois deste mundo, eu não sou

deste mundo.

24 Por isso vos disse que morrereis em

vossos pecados, porque se não crerdes que

eu sou, morrereis em vossos pecados.

25 Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus

lhes disse: Isso mesmo que já desde o

princípio vos disse.

26 Muito tenho que dizer e julgar de vós,

mas aquele que me enviou é verdadeiro;

e o que dele tenho ouvido, isso falo ao

mundo.

27 Mas não entenderam que ele lhes falava

do Pai.

28 Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes

o Filho do homem, então

conhecereis quem eu sou, e que nada faço

por mim mesmo; mas falo como meu Pai

me ensinou.

29 E aquele que me enviou está comigo.

O Pai não me tem deixado só, porque eu

faço sempre o que lhe agrada.

15

30 Dizendo ele estas coisas, muitos creram

nele.

A verdade vos libertará

31 Jesus dizia, pois, aos judeus que criam

nele: Se vós permanecerdes na minha

palavra, verdadeiramente sereis meus

discípulos;

32 E conhecereis a verdade, e a verdade

vos libertará.

33 Responderam-lhe: Somos descendência

de Abraão, e nunca servimos a ninguém;

como dizes tu: Sereis livres?

34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade,

em verdade vos digo que todo aquele que

comete pecado é servo do pecado.

35 Ora o servo não fica para sempre em

casa; o Filho fica para sempre.

36 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente

sereis livres.

37 Bem sei que sois descendência de

Abraão; contudo, procurais matar-me, porque

a minha palavra não entra em vós.

38 Eu falo do que vi junto de meu Pai, e

vós fazeis o que também vistes junto de

vosso pai.

Vós tendes por pai ao diabo

39 Responderam, e disseram-lhe: Nosso

pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis

filhos de Abraão, faríeis as obras de

Abraão.

40 Mas agora procurais matar-me, a mim,

homem que vos tem dito a verdade que de

Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.

41 Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-

lhe, pois: Nós não somos nascidos de

prostituição; temos um Pai, que é Deus.

42 Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse

o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois

que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim

mesmo, mas ele me enviou.

43 Por que não entendeis a minha linguagem?

Por não poderdes ouvir a minha

palavra.

44 Vós tendes por pai ao diabo, e quereis

satisfazer os desejos de vosso pai. Ele

foi homicida desde o princípio, e não se

firmou na verdade, porque não há verdade

nele. Quando ele profere mentira, fala do

que lhe é próprio, porque é mentiroso, e

pai da mentira.

45 Mas, porque vos digo a verdade, não

me credes.

46 Quem dentre vós me convence de

pecado? E se vos digo a verdade, por que

não credes?

47 Quem é de Deus escuta as palavras de

Deus; por isso vós não as escutais, porque

não sois de Deus.

A preexistência de Cristo

48 Responderam, pois, os judeus, e disseram-

lhe: Não dizemos nós bem que és

samaritano, e que tens demônio?

49 Jesus respondeu: Eu não tenho demônio,

antes honro a meu Pai, e vós me

desonrais.

50 Eu não busco a minha glória; há quem

a busque, e julgue.

51 Em verdade, em verdade vos digo que,

se alguém guardar a minha palavra, nunca

verá a morte.

52 Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora

conhecemos que tens demônio. Morreu

Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém

guardar a minha palavra, nunca provará

a morte.

53 És tu maior do que o nosso pai Abraão,

que morreu? E também os profetas morreram.

Quem te fazes tu ser?

54 Jesus respondeu: Se eu me glorifico a

mim mesmo, a minha glória não é nada;

quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis

que é vosso Deus.

55 E vós não o conheceis, mas eu conheço-

o. E, se disser que o não conheço, serei

mentiroso como vós; mas conheço-o e

guardo a sua palavra.

56 Abraão, vosso pai, exultou por ver o

meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

57 Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda

não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?

58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em

verdade vos digo que antes que Abraão

existisse, eu sou.

16

59 Então pegaram em pedras para lhe

atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do

templo, passando pelo meio deles, e assim

se retirou.

Cura dum cego de nascença

9 E, PASSANDO Jesus, viu um homem

cego de nascença.

2 E os seus discípulos lhe perguntaram,

dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus

pais, para que nascesse cego?

3 Jesus respondeu: Nem ele pecou nem

seus pais; mas foi assim para que se manifestem

nele as obras de Deus.

4 Convém que eu faça as obras daquele que

me enviou, enquanto é dia; a noite vem,

quando ninguém pode trabalhar.

5 Enquanto estou no mundo, sou a luz

do mundo.

6 Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com

a saliva fez lodo, e untou com o lodo os

olhos do cego.

7 E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de

Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois,

e lavou-se, e voltou vendo.

8 Então os vizinhos, e aqueles que dantes

tinham visto que era cego, diziam: Não é

este aquele que estava assentado e mendigava?

9 Uns diziam: É este. E outros: Parece-se

com ele. Ele dizia: Sou eu.

10 Diziam-lhe, pois: Como se te abriram

os olhos?

11 Ele respondeu, e disse: O homem,

chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os

olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé,

e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.

12 Disseram-lhe, pois: Onde está ele?

Respondeu: Não sei.

Os fariseus interrogam o cego curado

13 Levaram, pois, aos fariseus o que dantes

era cego.

14 E era sábado quando Jesus fez o lodo

e lhe abriu os olhos.

15 Tornaram, pois, também os fariseus a

perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse:

Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me,

e vejo.

16 Então alguns dos fariseus diziam: Este

homem não é de Deus, pois não guarda o

sábado. Diziam outros: Como pode um

homem pecador fazer tais sinais? E havia

dissensão entre eles.

17 Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que

dizes daquele que te abriu os olhos? E ele

respondeu: Que é profeta.

18 Os judeus, porém, não creram que

ele tivesse sido cego, e que agora visse,

enquanto não chamaram os pais do que

agora via.

19 E perguntaram-lhes, dizendo: É este

o vosso filho, que vós dizeis ter nascido

cego? Como, pois, vê agora?

20 Seus pais lhes responderam, e disseram:

Sabemos que este é o nosso filho, e que

nasceu cego;

21 Mas como agora vê, não sabemos;

ou quem lhe tenha aberto os olhos, não

sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele

mesmo; e ele falará por si mesmo.

22 Seus pais disseram isto, porque temiam

os judeus. Porquanto já os judeus tinham

resolvido que, se alguém confessasse ser

ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.

23 Por isso é que seus pais disseram: Tem

idade, perguntai-lho a ele mesmo.

24 Chamaram, pois, pela segunda vez o

homem que tinha sido cego, e disseramlhe:

Dá glória a Deus; nós sabemos que

esse homem é pecador.

25 Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador,

não sei; uma coisa sei, é que, havendo

eu sido cego, agora vejo.

26 E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele?

Como te abriu os olhos?

27 Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não

ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir?

Quereis vós porventura fazer-vos também

seus discípulos?

28 Então o injuriaram, e disseram: Discípulo

dele sejas tu; nós, porém, somos

discípulos de Moisés.

29 Nós bem sabemos que Deus falou a

Moisés, mas este não sabemos de onde é.

17

30 O homem respondeu, e disse-lhes:

Nisto, pois, está a maravilha, que vós não

saibais de onde ele é, e contudo me abrisse

os olhos.

31 Ora, nós sabemos que Deus não ouve

a pecadores; mas, se alguém é temente a

Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.

32 Desde o princípio do mundo nunca se

ouviu que alguém abrisse os olhos a um

cego de nascença.

33 Se este não fosse de Deus, nada poderia

fazer.

34 Responderam eles, e disseram-lhe: Tu

és nascido todo em pecados, e nos ensinas

a nós? E expulsaram-no.

Cegueira espiritual

35 Jesus ouviu que o tinham expulsado

e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no

Filho de Deus?

36 Ele respondeu, e disse: Quem é ele,

Senhor, para que nele creia?

37 E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e

é aquele que fala contigo.

38 Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.

39 E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo

para juízo, a fim de que os que não vêem

vejam, e os que vêem sejam cegos.

40 E aqueles dos fariseus, que estavam

com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também

nós somos cegos?

41 Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não

teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos;

por isso o vosso pecado permanece.

A parábola do aprisco

10 NA verdade, na verdade vos digo

que aquele que não entra pela

porta no curral das ovelhas, mas sobe por

outra parte, é ladrão e salteador.

2 Aquele, porém, que entra pela porta é o

pastor das ovelhas.

3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem

a sua voz, e chama pelo nome às suas

ovelhas, e as traz para fora.

4 E, quando tira para fora as suas ovelhas,

vai adiante delas, e as ovelhas o seguem,

porque conhecem a sua voz.

5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho,

antes fugirão dele, porque não

conhecem a voz dos estranhos.

6 Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles

não entenderam o que era que lhes dizia.

Jesus, o bom pastor

7 Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em

verdade, em verdade vos digo que eu sou

a porta das ovelhas.

8 Todos quantos vieram antes de mim são

ladrões e salteadores; mas as ovelhas não

os ouviram.

9 Eu sou a porta; se alguém entrar por mim,

salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará

pastagens.

10 O ladrão não vem senão a roubar, a

matar, e a destruir; eu vim para que tenham

vida, e a tenham com abundância.

11 Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá

a sua vida pelas ovelhas.

12 Mas o mercenário, e o que não é pastor,

de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo,

e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as

arrebata e dispersa as ovelhas.

13 Ora, o mercenário foge, porque é mercenário,

e não tem cuidado das ovelhas.

14 Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas

ovelhas, e das minhas sou conhecido.

15 Assim como o Pai me conhece a mim,

também eu conheço o Pai, e dou a minha

vida pelas ovelhas.

16 Ainda tenho outras ovelhas que não são

deste aprisco; também me convém agregar

estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá

um rebanho e um Pastor.

17 Por isto o Pai me ama, porque dou a

minha vida para tornar a tomá-la.

18 Ninguém ma tira de mim, mas eu de

mim mesmo a dou; tenho poder para a

dar, e poder para tornar a tomá-la. Este

mandamento recebi de meu Pai.

19 Tornou, pois, a haver divisão entre os

judeus por causa destas palavras.

20 E muitos deles diziam: Tem demônio,

e está fora de si; por que o ouvis?

21 Diziam outros: Estas palavras não são

de endemoninhado. Pode, porventura, um

demônio abrir os olhos aos cegos?

18

Os judeus rejeitam Jesus

22 E em Jerusalém havia a festa da dedicação,

e era inverno.

23 E Jesus andava passeando no templo,

no alpendre de Salomão.

24 Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-

lhe: Até quando terás a nossa alma

suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo

abertamente.

25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho

dito, e não o credes. As obras que eu faço,

em nome de meu Pai, essas testificam de

mim.

26 Mas vós não credes porque não sois

das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho

dito.

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz,

e eu conheço-as, e elas me seguem;

28 E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão

de perecer, e ninguém as arrebatará da

minha mão.

29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que

todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão

de meu Pai.

30 Eu e o Pai somos um.

31 Os judeus pegaram então outra vez em

pedras para o apedrejar.

32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos

mostrado muitas obras boas procedentes

de meu Pai; por qual destas obras me

apedrejais?

33 Os judeus responderam, dizendo-lhe:

Não te apedrejamos por alguma obra boa,

mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem,

te fazes Deus a ti mesmo.

34 Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito

na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35 Pois, se a lei chamou deuses àqueles a

quem a palavra de Deus foi dirigida (e a

Escritura não pode ser anulada),

36 Àquele a quem o Pai santificou, e

enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas,

porque disse: Sou Filho de Deus?

37 Se não faço as obras de meu Pai, não

me acrediteis.

38 Mas, se as faço, e não credes em mim,

crede nas obras; para que conheçais e acrediteis

que o Pai está em mim e eu nele.

39 Procuravam, pois, prendê-lo outra vez,

mas ele escapou-se de suas mãos,

40 E retirou-se outra vez para além do

Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente

batizado; e ali ficou.

41 E muitos iam ter com ele, e diziam: Na

verdade João não fez sinal algum, mas tudo

quanto João disse deste era verdade.

42 E muitos ali creram nele.

A morte de Lázaro

11 ESTAVA, porém, enfermo um

certo Lázaro, de Betânia, aldeia

de Maria e de sua irmã Marta.

2 E Maria era aquela que tinha ungido o

Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado

os pés com os seus cabelos, cujo irmão

Lázaro estava enfermo.

3 Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer:

Senhor, eis que está enfermo aquele que

tu amas.

4 E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade

não é para morte, mas para glória

de Deus, para que o Filho de Deus seja

glorificado por ela.

5 Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã,

e a Lázaro.

6 Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou

ainda dois dias no lugar onde estava.

7 Depois disto, disse aos seus discípulos:

Vamos outra vez para a Judéia.

8 Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda

agora os judeus procuravam apedrejar-te,

e tornas para lá?

9 Jesus respondeu: Não há doze horas no

dia? Se alguém andar de dia, não tropeça,

porque vê a luz deste mundo;

10 Mas, se andar de noite, tropeça, porque

nele não há luz.

11 Assim falou; e depois disse-lhes:

Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou

despertá-lo do sono.

12 Disseram, pois, os seus discípulos:

Senhor, se dorme, estará salvo.

13 Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles,

porém, cuidavam que falava do repouso

do sono.

19

14 Então Jesus disse-lhes claramente:

Lázaro está morto;

15 E folgo, por amor de vós, de que eu

lá não estivesse, para que acrediteis; mas

vamos ter com ele.

16 Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo,

aos condiscípulos: Vamos nós também,

para morrermos com ele.

Jesus, a ressurreição e a vida

17 Chegando, pois, Jesus, achou que já havia

quatro dias que estava na sepultura.

18 (Ora Betânia distava de Jerusalém

quase quinze estádios.)

19 E muitos dos judeus tinham ido consolar

a Marta e a Maria, acerca de seu

irmão.

20 Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha,

saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou

assentada em casa.

21 Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se

tu estivesses aqui, meu irmão não teria

morrido.

22 Mas também agora sei que tudo quanto

pedires a Deus, Deus to concederá.

23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

24 Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar

na ressurreição do último dia.

25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e

a vida; quem crê em mim, ainda que esteja

morto, viverá;

26 E todo aquele que vive, e crê em mim,

nunca morrerá. Crês tu isto?

27 Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que

tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia

de vir ao mundo.

Jesus chora diante do túmulo

de Lázaro

28 E, dito isto, partiu, e chamou em segredo

a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre

está cá, e chama-te.

29 Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e

foi ter com ele.

30 (Ainda Jesus não tinha chegado à

aldeia, mas estava no lugar onde Marta o

encontrara.)

31 Vendo, pois, os judeus, que estavam

com ela em casa e a consolavam, que

Maria apressadamente se levantara e saíra,

seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para

chorar ali.

32 Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus

estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés,

dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui,

meu irmão não teria morrido.

33 Jesus pois, quando a viu chorar, e

também chorando os judeus que com ela

vinham, moveu-se muito em espírito, e

perturbou-se.

34 E disse: Onde o pusestes? Disseramlhe:

Senhor, vem, e vê.

35 Jesus chorou.

36 Disseram, pois, os judeus: Vede como

o amava.

37 E alguns deles disseram: Não podia ele,

que abriu os olhos ao cego, fazer também

com que este não morresse?

A ressurreição de Lázaro

38 Jesus, pois, movendo-se outra vez

muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e

era uma caverna, e tinha uma pedra posta

sobre ela.

39 Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã

do defunto, disse-lhe: SENHOR, já cheira

mal, porque é já de quatro dias.

40 Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se

creres, verás a glória de Deus?

41 Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto

jazia. E Jesus, levantando os olhos para

cima, disse: Pai, graças te dou, por me

haveres ouvido.

42 Eu bem sei que sempre me ouves, mas

eu disse isto por causa da multidão que

está em redor, para que creiam que tu me

enviaste.

43 E, tendo dito isto, clamou com grande

voz: Lázaro, sai para fora.

44 E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés

ligados com faixas, e o seu rosto envolto

num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o,

e deixai-o ir.

20

Os fariseus formam conselho para

matarem Jesus

45 Muitos, pois, dentre os judeus que

tinham vindo a Maria, e que tinham visto

o que Jesus fizera, creram nele.

46 Mas alguns deles foram ter com os

fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha

feito.

47 Depois os principais dos sacerdotes e

os fariseus formaram conselho, e diziam:

Que faremos? porquanto este homem faz

muitos sinais.

48 Se o deixamos assim, todos crerão nele,

e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso

lugar e a nação.

49 E Caifás, um deles que era sumo sacerdote

naquele ano, lhes disse: Vós nada

sabeis,

50 Nem considerais que nos convém que

um homem morra pelo povo, e que não

pereça toda a nação.

51 Ora ele não disse isto de si mesmo,

mas, sendo o sumo sacerdote naquele

ano, profetizou que Jesus devia morrer

pela nação.

52 E não somente pela nação, mas também

para reunir em um corpo os filhos de Deus

que andavam dispersos.

53 Desde aquele dia, pois, consultavam-se

para o matarem.

54 Jesus, pois, já não andava manifestamente

entre os judeus, mas retirou-se dali

para a terra junto do deserto, para uma

cidade chamada Efraim; e ali ficou com

os seus discípulos.

55 E estava próxima a páscoa dos judeus, e

muitos daquela região subiram a Jerusalém

antes da páscoa para se purificarem.

56 Buscavam, pois, a Jesus, e diziam uns

aos outros, estando no templo: Que vos

parece? Não virá à festa?

57 Ora, os principais dos sacerdotes e os

fariseus tinham dado ordem para que, se

alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse,

para o prenderem.

Maria unge com ungüento os

pés de Jesus

12 FOI, pois, Jesus seis dias antes

da páscoa a Betânia, onde estava

Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara

dentre os mortos.

2 Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta

servia, e Lázaro era um dos que estavam

à mesa com ele.

3 Então Maria, tomando um arrátel de

ungüento de nardo puro, de muito preço,

ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os

pés com os seus cabelos; e encheu-se a

casa do cheiro do ungüento.

4 Então, um dos seus discípulos, Judas

Iscariotes, filho de Simão, o que havia de

traí-lo, disse:

5 Por que não se vendeu este ungüento

por trezentos dinheiros e não se deu aos

pobres?

6 Ora, ele disse isto, não pelo cuidado

que tivesse dos pobres, mas porque era

ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali

se lançava.

7 Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia

da minha sepultura guardou isto;

8 Porque os pobres sempre os tendes

convosco, mas a mim nem sempre me

tendes.

A conspiração contra Lázaro

9 E muita gente dos judeus soube que ele

estava ali; e foram, não só por causa de

Jesus, mas também para ver a Lázaro, a

quem ressuscitara dentre os mortos.

10 E os principais dos sacerdotes tomaram

deliberação para matar também a

Lázaro;

11 Porque muitos dos judeus, por causa

dele, iam e criam em Jesus.

A entrada triunfal em Jerusalém

12 No dia seguinte, ouvindo uma grande

multidão, que viera à festa, que Jesus vinha

a Jerusalém,

21

13 Tomaram ramos de palmeiras, e saíramlhe

ao encontro, e clamavam: Hosana!

Bendito o Rei de Israel que vem em nome

do Senhor.

14 E achou Jesus um jumentinho, e assentou-

se sobre ele, como está escrito:

15 Não temas, ó filha de Sião; eis que o

teu Rei vem assentado sobre o filho de

uma jumenta.

16 Os seus discípulos, porém, não entenderam

isto no princípio; mas, quando

Jesus foi glorificado, então se lembraram

de que isto estava escrito dele, e que isto

lhe fizeram.

17 A multidão, pois, que estava com ele

quando Lázaro foi chamado da sepultura,

testificava que ele o ressuscitara dentre

os mortos.

18 Por isso a multidão lhe saiu ao encontro,

porque tinham ouvido que ele fizera

este sinal.

19 Disseram, pois, os fariseus entre si:

Vedes que nada aproveitais? Eis que toda

a gente vai após ele.

Alguns gregos desejam ver Jesus

20 Ora, havia alguns gregos, entre os que

tinham subido a adorar no dia da festa.

21 Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que

era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe,

dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.

22 Filipe foi dizê-lo a André, e então André

e Filipe o disseram a Jesus.

23 E Jesus lhes respondeu, dizendo: É

chegada a hora em que o Filho do homem

há de ser glorificado.

24 Na verdade, na verdade vos digo que,

se o grão de trigo, caindo na terra, não

morrer, fica ele só; mas se morrer, dá

muito fruto.

25 Quem ama a sua vida perdê-la-á, e

quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-

la-á para a vida eterna.

26 Se alguém me serve, siga-me, e onde eu

estiver, ali estará também o meu servo. E,

se alguém me servir, meu Pai o honrará.

Jesus anuncia a sua morte

27 Agora a minha alma está perturbada;

e que direi eu? Pai, salva-me desta hora;

mas para isto vim a esta hora.

28 Pai, glorifica o teu nome. Então veio

uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado,

e outra vez o glorificarei.

29 Ora, a multidão que ali estava, e que

a ouvira, dizia que havia sido um trovão.

Outros diziam: Um anjo lhe falou.

30 Respondeu Jesus, e disse: Não veio

esta voz por amor de mim, mas por amor

de vós.

31 Agora é o juízo deste mundo; agora será

expulso o príncipe deste mundo.

32 E eu, quando for levantado da terra,

todos atrairei a mim.

33 E dizia isto, significando de que morte

havia de morrer.

34 Respondeu-lhe a multidão: Nós temos

ouvido da lei, que o Cristo permanece para

sempre; e como dizes tu que convém que

o Filho do homem seja levantado? Quem

é esse Filho do homem?

35 Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está

convosco por um pouco de tempo. Andai

enquanto tendes luz, para que as trevas não

vos apanhem; pois quem anda nas trevas

não sabe para onde vai.

36 Enquanto tendes luz, crede na luz, para

que sejais filhos da luz. Estas coisas disse

Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles.

A incredulidade dos judeus

37 E, ainda que tinha feito tantos sinais

diante deles, não criam nele;

38 Para que se cumprisse a palavra do profeta

Isaías, que diz: SENHOR, quem creu

na nossa pregação? E a quem foi revelado

o braço do Senhor?

39 Por isso não podiam crer, então Isaías

disse outra vez:

40 Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes

o coração, A fim de que não vejam com

os olhos, e compreendam no coração, E

se convertam, E eu os cure.

22

41 Isaías disse isto quando viu a sua glória

e falou dele.

42 Apesar de tudo, até muitos dos principais

creram nele; mas não o confessavam

por causa dos fariseus, para não serem

expulsos da sinagoga.

43 Porque amavam mais a glória dos homens

do que a glória de Deus.

As palavras de Jesus julgarão

os homens

44 E Jesus clamou, e disse: Quem crê em

mim, crê, não em mim, mas naquele que

me enviou.

45 E quem me vê a mim, vê aquele que

me enviou.

46 Eu sou a luz que vim ao mundo, para

que todo aquele que crê em mim não permaneça

nas trevas.

47 E se alguém ouvir as minhas palavras,

e não crer, eu não o julgo; porque eu vim,

não para julgar o mundo, mas para salvar

o mundo.

48 Quem me rejeitar a mim, e não receber

as minhas palavras, já tem quem o julgue;

a palavra que tenho pregado, essa o há de

julgar no último dia.

49 Porque eu não tenho falado de mim

mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me

deu mandamento sobre o que hei de dizer

e sobre o que hei de falar.

50 E sei que o seu mandamento é a vida

eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como

o Pai mo tem dito.

Jesus lava os pés aos discípulos

13 ORA, antes da festa da páscoa, sabendo

Jesus que já era chegada a

sua hora de passar deste mundo para o Pai,

como havia amado os seus, que estavam

no mundo, amou-os até o fim.

2 E, acabada a ceia, tendo o diabo posto

no coração de Judas Iscariotes, filho de

Simão, que o traísse,

3 Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado

nas suas mãos todas as coisas, e que havia

saído de Deus e ia para Deus,

4 Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e,

tomando uma toalha, cingiu-se.

5 Depois deitou água numa bacia, e começou

a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos

com a toalha com que estava cingido.

6 Aproximou-se, pois, de Simão Pedro,

que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés

a mim?

7 Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que

eu faço não o sabes tu agora, mas tu o

saberás depois.

8 Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os

pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não

lavar, não tens parte comigo.

9 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não

só os meus pés, mas também as mãos e

a cabeça.

10 Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado

não necessita de lavar senão os pés, pois

no mais todo está limpo. Ora vós estais

limpos, mas não todos.

11 Porque bem sabia ele quem o havia

de trair; por isso disse: Nem todos estais

limpos.

12 Depois que lhes lavou os pés, e tomou

as suas vestes, e se assentou outra vez

à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos

tenho feito?

13 Vós me chamais Mestre e Senhor, e

dizeis bem, porque eu o sou.

14 Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei

os pés, vós deveis também lavar os pés

uns aos outros.

15 Porque eu vos dei o exemplo, para que,

como eu vos fiz, façais vós também.

16 Na verdade, na verdade vos digo que

não é o servo maior do que o seu senhor,

nem o enviado maior do que aquele que

o enviou.

17 Se sabeis estas coisas, bem-aventurados

sois se as fizerdes.

18 Não falo de todos vós; eu bem sei os que

tenho escolhido; mas para que se cumpra

a Escritura: O que come o pão comigo,

levantou contra mim o seu calcanhar.

19 Desde agora vo-lo digo, antes que

aconteça, para que, quando acontecer,

acrediteis que eu sou.

23

20 Na verdade, na verdade vos digo: Se

alguém receber o que eu enviar, me recebe

a mim, e quem me recebe a mim, recebe

aquele que me enviou.

Jesus prediz que Judas o trairá

21 Tendo Jesus dito isto, turbou-se em

espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade,

na verdade vos digo que um de vós me

há de trair.

22 Então os discípulos olhavam uns para os

outros, duvidando de quem ele falava.

23 Ora, um de seus discípulos, aquele a

quem Jesus amava, estava reclinado no

seio de Jesus.

24 Então Simão Pedro fez sinal a este,

para que perguntasse quem era aquele de

quem ele falava.

25 E, inclinando-se ele sobre o peito de

Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?

26 Jesus respondeu: É aquele a quem

eu der o bocado molhado. E, molhando

o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho

de Simão.

27 E, após o bocado, entrou nele Satanás.

Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o

depressa.

28 E nenhum dos que estavam assentados

à mesa compreendeu a que propósito lhe

dissera isto.

29 Porque, como Judas tinha a bolsa,

pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito:

Compra o que nos é necessário para a festa;

ou que desse alguma coisa aos pobres.

30 E, tendo Judas tomado o bocado, saiu

logo. E era já noite.

O novo mandamento

31 Tendo ele, pois, saído, disse Jesus:

Agora é glorificado o Filho do homem, e

Deus é glorificado nele.

32 Se Deus é glorificado nele, também

Deus o glorificará em si mesmo, e logo o

há de glorificar.

33 Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco.

Vós me buscareis, mas, como tenho

dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis

vós ir; eu vo-lo digo também agora.

34 Um novo mandamento vos dou: Que

vos ameis uns aos outros; como eu vos

amei a vós, que também vós uns aos outros

vos ameis.

35 Nisto todos conhecerão que sois meus

discípulos, se vos amardes uns aos outros.

Jesus prediz que Pedro o negará

36 Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para

onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde

eu vou não podes agora seguir-me, mas

depois me seguirás.

37 Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-

te agora? Por ti darei a minha vida.

38 Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua

vida por mim? Na verdade, na verdade te

digo que não cantará o galo enquanto não

me tiveres negado três vezes.

Jesus, o caminho ao Pai

14 NÃO se turbe o vosso coração;

credes em Deus, crede também

em mim.

2 Na casa de meu Pai há muitas moradas;

se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou

preparar-vos lugar.

3 E quando eu for, e vos preparar lugar,

virei outra vez, e vos levarei para mim

mesmo, para que onde eu estiver estejais

vós também.

4 Mesmo vós sabeis para onde vou, e

conheceis o caminho.

5 Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos

para onde vais; e como podemos

saber o caminho?

6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e

a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai,

senão por mim.

7 Se vós me conhecêsseis a mim, também

conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o

conheceis, e o tendes visto.

8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o

Pai, o que nos basta.

9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo

convosco, e não me tendes conhecido,

Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e

como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

24

10 Não crês tu que eu estou no Pai, e que o

Pai está em mim? As palavras que eu vos

digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai,

que está em mim, é quem faz as obras.

11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai em

mim; crede-me, ao menos, por causa das

mesmas obras.

12 Na verdade, na verdade vos digo que

aquele que crê em mim também fará as

obras que eu faço, e as fará maiores do que

estas, porque eu vou para meu Pai.

13 E tudo quanto pedirdes em meu nome

eu o farei, para que o Pai seja glorificado

no Filho.

14 Se pedirdes alguma coisa em meu

nome, eu o farei.

A promessa do Espírito Santo

15 Se me amais, guardai os meus mandamentos.

16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro

Consolador, para que fique convosco para

sempre;

17 O Espírito de verdade, que o mundo

não pode receber, porque não o vê nem

o conhece; mas vós o conheceis, porque

habita convosco, e estará em vós.

18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para

vós.

19 Ainda um pouco, e o mundo não me

verá mais, mas vós me vereis; porque eu

vivo, e vós vivereis.

20 Naquele dia conhecereis que estou em

meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.

21 Aquele que tem os meus mandamentos

e os guarda esse é o que me ama; e aquele

que me ama será amado de meu Pai, e eu

o amarei, e me manifestarei a ele.

22 Disse-lhe Judas (não o Iscariotes):

SENHOR, de onde vem que te hás de

manifestar a nós, e não ao mundo?

23 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém

me ama, guardará a minha palavra, e meu

Pai o amará, e viremos para ele, e faremos

nele morada.

24 Quem não me ama não guarda as minhas

palavras; ora, a palavra que ouvistes

não é minha, mas do Pai que me enviou.

25 Tenho-vos dito isto, estando convosco.

26 Mas aquele Consolador, o Espírito

Santo, que o Pai enviará em meu nome,

esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará

lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;

não vo-la dou como o mundo a dá. Não se

turbe o vosso coração, nem se atemorize.

28 Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho

para vós. Se me amásseis, certamente

exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai;

porque meu Pai é maior do que eu.

29 Eu vo-lo disse agora antes que aconteça,

para que, quando acontecer, vós

acrediteis.

30 Já não falarei muito convosco, porque

se aproxima o príncipe deste mundo, e

nada tem em mim;

31 Mas é para que o mundo saiba que eu

amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou.

Levantai-vos, vamo-nos daqui.

Jesus, a videira verdadeira

15 EU sou a videira verdadeira, e

meu Pai é o lavrador.

2 Toda a vara em mim, que não dá fruto, a

tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para

que dê mais fruto.

3 Vós já estais limpos, pela palavra que

vos tenho falado.

4 Estai em mim, e eu em vós; como a vara

de si mesma não pode dar fruto, se não

estiver na videira, assim também vós, se

não estiverdes em mim.

5 Eu sou a videira, vós as varas; quem está

em mim, e eu nele, esse dá muito fruto;

porque sem mim nada podeis fazer.

6 Se alguém não estiver em mim, será

lançado fora, como a vara, e secará; e os

colhem e lançam no fogo, e ardem.

7 Se vós estiverdes em mim, e as minhas

palavras estiverem em vós, pedireis tudo

o que quiserdes, e vos será feito.

8 Nisto é glorificado meu Pai, que deis

muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

25

9 Como o Pai me amou, também eu vos

amei a vós; permanecei no meu amor.

10 Se guardardes os meus mandamentos,

permanecereis no meu amor; do mesmo

modo que eu tenho guardado os mandamentos

de meu Pai, e permaneço no seu amor.

11 Tenho-vos dito isto, para que o meu

gozo permaneça em vós, e o vosso gozo

seja completo.

12 O meu mandamento é este: Que vos

ameis uns aos outros, assim como eu vos

amei.

13 Ninguém tem maior amor do que

este, de dar alguém a sua vida pelos seus

amigos.

14 Vós sereis meus amigos, se fizerdes o

que eu vos mando.

15 Já vos não chamarei servos, porque

o servo não sabe o que faz o seu senhor;

mas tenho-vos chamado amigos, porque

tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho

feito conhecer.

16 Não me escolhestes vós a mim, mas eu

vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que

vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça;

a fim de que tudo quanto em meu nome

pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

17 Isto vos mando: Que vos ameis uns

aos outros.

O mundo vos odiará

18 Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro

do que a vós, me odiou a mim.

19 Se vós fôsseis do mundo, o mundo

amaria o que era seu, mas porque não sois

do mundo, antes eu vos escolhi do mundo,

por isso é que o mundo vos odeia.

20 Lembrai-vos da palavra que vos disse:

Não é o servo maior do que o seu

SENHOR. Se a mim me perseguiram,

também vos perseguirão a vós; se guardaram

a minha palavra, também guardarão

a vossa.

21 Mas tudo isto vos farão por causa do

meu nome, porque não conhecem aquele

que me enviou.

22 Se eu não viera, nem lhes houvera

falado, não teriam pecado, mas agora não

têm desculpa do seu pecado.

23 Aquele que me odeia, odeia também

a meu Pai.

24 Se eu entre eles não fizesse tais obras,

quais nenhum outro tem feito, não teriam

pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram

a mim e a meu Pai.

25 Mas é para que se cumpra a palavra

que está escrita na sua lei: Odiaram-me

sem causa.

26 Mas, quando vier o Consolador, que eu

da parte do Pai vos hei de enviar, aquele

Espírito de verdade, que procede do Pai,

ele testificará de mim.

27 E vós também testificareis, pois estivestes

comigo desde o princípio.

16 TENHO-VOS dito estas coisas

para que vos não escandalizeis.

2 Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem

mesmo a hora em que qualquer que vos

matar cuidará fazer um serviço a Deus.

3 E isto vos farão, porque não conheceram

ao Pai nem a mim.

4 Mas tenho-vos dito isto, a fim de que,

quando chegar aquela hora, vos lembreis

de que já vo-lo tinha dito.

A obra do Espírito Santo

E eu não vos disse isto desde o princípio,

porque estava convosco.

5 E agora vou para aquele que me enviou;

e nenhum de vós me pergunta: Para onde

vais?

6 Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso

coração se encheu de tristeza.

7 Todavia digo-vos a verdade, que vos

convém que eu vá; porque, se eu não for,

o Consolador não virá a vós; mas, quando

eu for, vo-lo enviarei.

8 E, quando ele vier, convencerá o mundo

do pecado, e da justiça e do juízo.

9 Do pecado, porque não crêem em

mim;

10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e

não me vereis mais;

11 E do juízo, porque já o príncipe deste

mundo está julgado.

26

12 Ainda tenho muito que vos dizer, mas

vós não o podeis suportar agora.

13 Mas, quando vier aquele, o Espírito de

verdade, ele vos guiará em toda a verdade;

porque não falará de si mesmo, mas dirá

tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará

o que há de vir.

14 Ele me glorificará, porque há de receber

do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

15 Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso

vos disse que há de receber do que é meu

e vo-lo há de anunciar.

A tristeza se converterá em alegria

16 Um pouco, e não me vereis; e outra

vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto

vou para o Pai.

17 Então alguns dos seus discípulos disseram

uns aos outros: Que é isto que nos

diz? Um pouco, e não me vereis; e outra

vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto

vou para o Pai?

18 Diziam, pois: Que quer dizer isto: Um

pouco? Não sabemos o que diz.

19 Conheceu, pois, Jesus que o queriam

interrogar, e disse-lhes: Indagais entre vós

acerca disto que disse: Um pouco, e não me

vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis?

20 Na verdade, na verdade vos digo que

vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo

se alegrará, e vós estareis tristes, mas a

vossa tristeza se converterá em alegria.

21 A mulher, quando está para dar à luz,

sente tristeza, porque é chegada a sua hora;

mas, depois de ter dado à luz a criança, já

não se lembra da aflição, pelo prazer de

haver nascido um homem no mundo.

22 Assim também vós agora, na verdade,

tendes tristeza; mas outra vez vos verei,

e o vosso coração se alegrará, e a vossa

alegria ninguém vo-la tirará.

23 E naquele dia nada me perguntareis.

Na verdade, na verdade vos digo que tudo

quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome,

ele vo-lo há de dar.

24 Até agora nada pedistes em meu nome;

pedi, e recebereis, para que o vosso gozo

se cumpra.

Eu venci o mundo

25 Disse-vos isto por parábolas; chega,

porém, a hora em que não vos falarei mais

por parábolas, mas abertamente vos falarei

acerca do Pai.

26 Naquele dia pedireis em meu nome,

e não vos digo que eu rogarei por vós

ao Pai;

27 Pois o mesmo Pai vos ama, visto como

vós me amastes, e crestes que saí de

Deus.

28 Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez

deixo o mundo, e vou para o Pai.

29 Disseram-lhe os seus discípulos: Eis

que agora falas abertamente, e não dizes

parábola alguma.

30 Agora conhecemos que sabes tudo, e

não precisas de que alguém te interrogue.

Por isso cremos que saíste de Deus.

31 Respondeu-lhes Jesus: Credes agora?

32 Eis que chega a hora, e já se aproxima,

em que vós sereis dispersos cada um para

sua parte, e me deixareis só; mas não estou

só, porque o Pai está comigo.

33 Tenho-vos dito isto, para que em mim

tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas

tende bom ânimo, eu venci o mundo.

Oração de Jesus pelos seus discípulos

17 JESUS falou assim e, levantando

seus olhos ao céu, disse: Pai, é

chegada a hora; glorifica a teu Filho, para

que também o teu Filho te glorifique a ti;

2 Assim como lhe deste poder sobre toda

a carne, para que dê a vida eterna a todos

quantos lhe deste.

3 E a vida eterna é esta: que te conheçam, a

ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus

Cristo, a quem enviaste.

4 Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado

a obra que me deste a fazer.

5 E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de

ti mesmo, com aquela glória que tinha

contigo antes que o mundo existisse.

6 Manifestei o teu nome aos homens que

do mundo me deste; eram teus, e tu mos

deste, e guardaram a tua palavra.

27

7 Agora já têm conhecido que tudo quanto

me deste provém de ti;

8 Porque lhes dei as palavras que tu me

deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente

conhecido que saí de ti, e creram

que me enviaste.

9 Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo,

mas por aqueles que me deste, porque

são teus.

10 E todas as minhas coisas são tuas, e

as tuas coisas são minhas; e nisso sou

glorificado.

11 E eu já não estou mais no mundo, mas

eles estão no mundo, e eu vou para ti.

Pai santo, guarda em teu nome aqueles

que me deste, para que sejam um, assim

como nós.

12 Estando eu com eles no mundo, guardava-

os em teu nome. Tenho guardado

aqueles que tu me deste, e nenhum deles

se perdeu, senão o filho da perdição, para

que a Escritura se cumprisse.

13 Mas agora vou para ti, e digo isto no

mundo, para que tenham a minha alegria

completa em si mesmos.

14 Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os

odiou, porque não são do mundo, assim

como eu não sou do mundo.

15 Não peço que os tires do mundo, mas

que os livres do mal.

16 Não são do mundo, como eu do mundo

não sou.

17 Santifica-os na tua verdade; a tua palavra

é a verdade.

18 Assim como tu me enviaste ao mundo,

também eu os enviei ao mundo.

19 E por eles me santifico a mim mesmo,

para que também eles sejam santificados

na verdade.

20 E não rogo somente por estes, mas

também por aqueles que pela sua palavra

hão de crer em mim;

21 Para que todos sejam um, como tu, ó

Pai, o és em mim, e eu em ti; que também

eles sejam um em nós, para que o mundo

creia que tu me enviaste.

22 E eu dei-lhes a glória que a mim me deste,

para que sejam um, como nós somos um.

23 Eu neles, e tu em mim, para que eles

sejam perfeitos em unidade, e para que o

mundo conheça que tu me enviaste a mim,

e que os tens amado a eles como me tens

amado a mim.

24 Pai, aqueles que me deste quero que,

onde eu estiver, também eles estejam comigo,

para que vejam a minha glória que

me deste; porque tu me amaste antes da

fundação do mundo.

25 Pai justo, o mundo não te conheceu;

mas eu te conheci, e estes conheceram que

tu me enviaste a mim.

26 E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e

lho farei conhecer mais, para que o amor

com que me tens amado esteja neles, e eu

neles esteja.

Jesus preso no Getsêmani

18 TENDO Jesus dito isto, saiu

com os seus discípulos para

além do ribeiro de Cedrom, onde havia

um horto, no qual ele entrou e seus

discípulos.

2 E Judas, que o traía, também conhecia

aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se

ajuntava ali com os seus discípulos.

3 Tendo, pois, Judas recebido a coorte

e oficiais dos principais sacerdotes e

fariseus, veio para ali com lanternas, e

archotes e armas.

4 Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que

sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e

disse-lhes: A quem buscais?

5 Responderam-lhe: A Jesus Nazareno.

Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o

traía, estava com eles.

6 Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram,

e caíram por terra.

7 Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem

buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno.

8 Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu;

se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes;

9 Para que se cumprisse a palavra que

tinha dito: Dos que me deste nenhum

deles perdi.

28

10 Então Simão Pedro, que tinha espada,

desembainhou-a, e feriu o servo do sumo

sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E

o nome do servo era Malco.

11 Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua

espada na bainha; não beberei eu o cálice

que o Pai me deu?

Jesus perante o sumo sacerdote

12 Então a coorte, e o tribuno, e os servos

dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.

13 E conduziram-no primeiramente a

Anás, por ser sogro de Caifás, que era o

sumo sacerdote daquele ano.

14 Ora, Caifás era quem tinha aconselhado

aos judeus que convinha que um homem

morresse pelo povo.

Pedro no pátio de Anás

15 E Simão Pedro e outro discípulo

seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido

do sumo sacerdote, e entrou com

Jesus na sala do sumo sacerdote.

16 E Pedro estava da parte de fora, à porta.

Saiu então o outro discípulo que era conhecido

do sumo sacerdote, e falou à porteira,

levando Pedro para dentro.

17 Então a porteira disse a Pedro: Não és

tu também dos discípulos deste homem?

Disse ele: Não sou.

18 Ora, estavam ali os servos e os servidores,

que tinham feito brasas, e se

aquentavam, porque fazia frio; e com eles

estava Pedro, aquentando-se também.

Anás interroga Jesus

19 E o sumo sacerdote interrogou Jesus

acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

20 Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente

ao mundo; eu sempre ensinei na

sinagoga e no templo, onde os judeus sempre

se ajuntam, e nada disse em oculto.

21 Para que me perguntas a mim? Pergunta

aos que ouviram o que é que lhes

ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes

tenho dito.

22 E, tendo dito isto, um dos servidores

que ali estavam, deu uma bofetada em

Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo

sacerdote?

23 Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá

testemunho do mal; e, se bem, por que

me feres?

24 E Anás mandou-o, maniatado, ao sumo

sacerdote Caifás.

Pedro nega Jesus

25 E Simão Pedro estava ali, e aquentavase.

Disseram-lhe, pois: Não és também

tu um dos seus discípulos? Ele negou, e

disse: Não sou.

26 E um dos servos do sumo sacerdote, parente

daquele a quem Pedro cortara a orelha,

disse: Não te vi eu no horto com ele?

27 E Pedro negou outra vez, e logo o galo

cantou.

Jesus perante Pilatos

28 Depois levaram Jesus da casa de Caifás

para a audiência. E era pela manhã cedo.

E não entraram na audiência, para não

se contaminarem, mas poderem comer

a páscoa.

29 Então Pilatos saiu fora e disse-lhes: Que

acusação trazeis contra este homem?

30 Responderam, e disseram-lhe: Se este

não fosse malfeitor, não to entregaríamos.

31 Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós,

e julgai-o segundo a vossa lei. Disseramlhe

então os judeus: A nós não nos é lícito

matar pessoa alguma.

32 (Para que se cumprisse a palavra que

Jesus tinha dito, significando de que morte

havia de morrer).

33 Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência,

e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és

o Rei dos Judeus?

34 Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti

mesmo, ou disseram-to outros de mim?

35 Pilatos respondeu: Porventura sou eu

judeu? A tua nação e os principais dos

sacerdotes entregaram-te a mim. Que

fizeste?

29

36 Respondeu Jesus: O meu reino não é

deste mundo; se o meu reino fosse deste

mundo, pelejariam os meus servos, para

que eu não fosse entregue aos judeus; mas

agora o meu reino não é daqui.

37 Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és

rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou

rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao

mundo, a fim de dar testemunho da verdade.

Todo aquele que é da verdade ouve

a minha voz.

38 Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E,

dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus,

e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

39 Mas vós tendes por costume que eu vos

solte alguém pela páscoa. Quereis, pois,

que vos solte o Rei dos Judeus?

40 Então todos tornaram a clamar, dizendo:

Este não, mas Barrabás. E Barrabás

era um salteador.

19 PILATOS, pois, tomou então a

Jesus, e o açoitou.

2 E os soldados, tecendo uma coroa de

espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e

lhe vestiram roupa de púrpura.

3 E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-

lhe bofetadas.

4 Então Pilatos saiu outra vez fora, e disselhes:

Eis aqui vo-lo trago fora, para que

saibais que não acho nele crime algum.

5 Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de

espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes

Pilatos: Eis aqui o homem.

6 Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes

e os servos, clamaram, dizendo:

Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos:

Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu

nenhum crime acho nele.

7 Responderam-lhe os judeus: Nós temos

uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer,

porque se fez Filho de Deus.

8 E Pilatos, quando ouviu esta palavra,

mais atemorizado ficou.

9 E entrou outra vez na audiência, e disse

a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe

deu resposta.

10 Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a

mim? Não sabes tu que tenho poder para te

crucificar e tenho poder para te soltar?

11 Respondeu Jesus: Nenhum poder terias

contra mim, se de cima não te fosse dado;

mas aquele que me entregou a ti maior

pecado tem.

12 Desde então Pilatos procurava soltá-lo;

mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas

este, não és amigo de César; qualquer

que se faz rei é contra César.

13 Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou

Jesus para fora, e assentou-se no tribunal,

no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico

Gabatá.

14 E era a preparação da páscoa, e quase

à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui

o vosso Rei.

15 Mas eles bradaram: Tira, tira, crucificao.

Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o

vosso Rei? Responderam os principais dos

sacerdotes: Não temos rei, senão César.

16 Então, conseqüentemente entregou-lho,

para que fosse crucificado. E tomaram a

Jesus, e o levaram.

A crucificação

17 E, levando ele às costas a sua cruz, saiu

para o lugar chamado Caveira, que em

hebraico se chama Gólgota,

18 Onde o crucificaram, e com ele outros

dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

19 E Pilatos escreveu também um título,

e pô-lo em cima da cruz; e nele estava

escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS

JUDEUS.

20 E muitos dos judeus leram este título;

porque o lugar onde Jesus estava crucificado

era próximo da cidade; e estava escrito

em hebraico, grego e latim.

21 Diziam, pois, os principais sacerdotes

dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei

dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei

dos Judeus.

22 Respondeu Pilatos: O que escrevi,

escrevi.

23 Tendo, pois, os soldados crucificado a

Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram

30

quatro partes, para cada soldado uma parte;

e também a túnica. A túnica, porém, tecida

toda de alto a baixo, não tinha costura.

24 Disseram, pois, uns aos outros: Não

a rasguemos, mas lancemos sortes sobre

ela, para ver de quem será. Para que se

cumprisse a Escritura que diz: Repartiram

entre si as minhas vestes, E sobre a minha

vestidura lançaram sortes. Os soldados,

pois, fizeram estas coisas.

25 E junto à cruz de Jesus estava sua mãe,

e a irmã de sua mãe, Maria mulher de

Clopas, e Maria Madalena.

26 Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o

discípulo a quem ele amava estava presente,

disse a sua mãe: Mulher, eis aí o

teu filho.

27 Depois disse ao discípulo: Eis aí tua

mãe. E desde aquela hora o discípulo a

recebeu em sua casa.

28 Depois, sabendo Jesus que já todas as

coisas estavam terminadas, para que a Escritura

se cumprisse, disse: Tenho sede.

29 Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre.

E encheram de vinagre uma esponja,

e, pondo-a num hissope, lha chegaram à

boca.

30 E, quando Jesus tomou o vinagre, disse:

Está consumado. E, inclinando a cabeça,

entregou o espírito.

O lado de Jesus traspassado

31 Os judeus, pois, para que no sábado

não ficassem os corpos na cruz, visto como

era a preparação (pois era grande o dia

de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes

quebrassem as pernas, e fossem tirados.

32 Foram, pois, os soldados, e, na verdade,

quebraram as pernas ao primeiro, e ao

outro que como ele fora crucificado;

33 Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto,

não lhe quebraram as pernas.

34 Contudo um dos soldados lhe furou o

lado com uma lança, e logo saiu sangue

e água.

35 E aquele que o viu testificou, e o seu

testemunho é verdadeiro; e sabe que é

verdade o que diz, para que também vós

o creiais.

36 Porque isto aconteceu para que se

cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum

dos seus ossos será quebrado.

37 E outra vez diz a Escritura: Verão aquele

que traspassaram.

A sepultura de Jesus

38 Depois disto, José de Arimatéia (o

que era discípulo de Jesus, mas oculto,

por medo dos judeus) rogou a Pilatos que

lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E

Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o

corpo de Jesus.

39 E foi também Nicodemos (aquele que

anteriormente se dirigira de noite a Jesus),

levando quase cem arráteis de um composto

de mirra e aloés.

40 Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o

envolveram em lençóis com as especiarias,

como os judeus costumam fazer, na

preparação para o sepulcro.

41 E havia um horto naquele lugar onde

fora crucificado, e no horto um sepulcro

novo, em que ainda ninguém havia sido

posto.

42 Ali, pois (por causa da preparação dos

judeus, e por estar perto aquele sepulcro),

puseram a Jesus.

A ressurreição

20 E NO primeiro dia da semana,

Maria Madalena foi ao sepulcro

de madrugada, sendo ainda escuro, e viu

a pedra tirada do sepulcro.

2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao

outro discípulo, a quem Jesus amava, e

disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro,

e não sabemos onde o puseram.

3 Então Pedro saiu com o outro discípulo,

e foram ao sepulcro.

4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo

correu mais apressadamente do que

Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.

5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis;

todavia não entrou.

6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia,

e entrou no sepulcro, e viu no chão

os lençóis,

31

7 E que o lenço, que tinha estado sobre a

sua cabeça, não estava com os lençóis, mas

enrolado num lugar à parte.

8 Então entrou também o outro discípulo,

que chegara primeiro ao sepulcro, e viu,

e creu.

9 Porque ainda não sabiam a Escritura,

que era necessário que ressuscitasse dentre

os mortos.

10 Tornaram, pois, os discípulos para casa.

Jesus aparece a Maria Madalena

11 E Maria estava chorando fora, junto

ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando,

abaixou-se para o sepulcro.

12 E viu dois anjos vestidos de branco,

assentados onde jazera o corpo de Jesus,

um à cabeceira e outro aos pés.

13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que

choras? Ela lhes disse: Porque levaram o

meu Senhor, e não sei onde o puseram.

14 E, tendo dito isto, voltou-se para trás,

e viu Jesus em pé, mas não sabia que era

Jesus.

15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras?

Quem buscas? Ela, cuidando que era o

hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste,

dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-

se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer,

Mestre).

17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas,

porque ainda não subi para meu Pai, mas

vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu

subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus

e vosso Deus.

18 Maria Madalena foi e anunciou aos

discípulos que vira o Senhor, e que ele

lhe dissera isto.

Jesus aparece aos onze

19 Chegada, pois, a tarde daquele dia, o

primeiro da semana, e cerradas as portas

onde os discípulos, com medo dos judeus,

se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se

no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.

20 E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas

mãos e o lado. De sorte que os discípulos

se alegraram, vendo o Senhor.

21 Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz

seja convosco; assim como o Pai me enviou,

também eu vos envio a vós.

22 E, havendo dito isto, assoprou sobre eles

e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

23 Àqueles a quem perdoardes os pecados

lhes são perdoados; e àqueles a quem os

retiverdes lhes são retidos.

A incredulidade de Tomé

24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado

Dídimo, não estava com eles quando veio

Jesus.

25 Disseram-lhe, pois, os outros discípulos:

Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se

eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos,

e não puser o dedo no lugar dos cravos, e

não puser a minha mão no seu lado, de

maneira nenhuma o crerei.

26 E oito dias depois estavam outra vez os

seus discípulos dentro, e com eles Tomé.

Chegou Jesus, estando as portas fechadas,

e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja

convosco.

27 Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu

dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua

mão, e põe-na no meu lado; e não sejas

incrédulo, mas crente.

28 E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor

meu, e Deus meu!

29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé,

creste; bem-aventurados os que não viram

e creram.

O propósito do livro

30 Jesus, pois, operou também em presença

de seus discípulos muitos outros sinais,

que não estão escritos neste livro.

31 Estes, porém, foram escritos para que

creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de

Deus, e para que, crendo, tenhais vida em

seu nome.

Jesus aparece a alguns dos discípulos

21 DEPOIS disto manifestou-se

Jesus outra vez aos discípulos

junto do mar de Tiberíades; e manifestouse

assim:

32

2 Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé,

chamado Dídimo, e Natanael, que era de

Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e

outros dois dos seus discípulos.

3 Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar.

Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo.

Foram, e subiram logo para o barco,

e naquela noite nada apanharam.

4 E, sendo já manhã, Jesus se apresentou

na praia, mas os discípulos não conheceram

que era Jesus.

5 Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes

alguma coisa de comer? Responderamlhe:

Não.

6 E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado

direito do barco, e achareis. Lançaram-na,

pois, e já não a podiam tirar, pela multidão

dos peixes.

7 Então aquele discípulo, a quem Jesus

amava, disse a Pedro: É o SENHOR. E,

quando Simão Pedro ouviu que era o

Senhor, cingiu-se com a túnica (porque

estava nu) e lançou-se ao mar.

8 E os outros discípulos foram com o barco

(porque não estavam distantes da terra

senão quase duzentos côvados), levando

a rede cheia de peixes.

9 Logo que desceram para terra, viram ali

brasas, e um peixe posto em cima, e pão.

10 Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que

agora apanhastes.

11 Simão Pedro subiu e puxou a rede

para terra, cheia de cento e cinqüenta e

três grandes peixes e, sendo tantos, não

se rompeu a rede.

12 Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum

dos discípulos ousava perguntar-lhe:

Quem és tu? sabendo que era o Senhor.

13 Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e

deu-lhes e, semelhantemente o peixe.

14 E já era a terceira vez que Jesus se

manifestava aos seus discípulos, depois de

ter ressuscitado dentre os mortos.

Apascenta as minhas ovelhas

15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a

Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amasme

mais do que estes? E ele respondeu:

Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disselhe:

Apascenta os meus cordeiros.

16 Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão,

filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim,

Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe:

Apascenta as minhas ovelhas.

17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de

Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por

lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-

lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes

que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta

as minhas ovelhas.

18 Na verdade, na verdade te digo que,

quando eras mais moço, te cingias a ti

mesmo, e andavas por onde querias; mas,

quando já fores velho, estenderás as tuas

mãos, e outro te cingirá, e te levará para

onde tu não queiras.

19 E disse isto, significando com que morte

havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto,

disse-lhe: Segue-me.

O discípulo amado

20 E Pedro, voltando-se, viu que o seguia

aquele discípulo a quem Jesus amava, e

que na ceia se recostara também sobre o

seu peito, e que dissera: Senhor, quem é

que te há de trair?

21 Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor,

e deste que será?

22 Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele

fique até que eu venha, que te importa a

ti? Segue-me tu.

23 Divulgou-se, pois, entre os irmãos este

dito, que aquele discípulo não havia de

morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não

morreria, mas: Se eu quero que ele fique

até que eu venha, que te importa a ti?

24 Este é o discípulo que testifica destas

coisas e as escreveu; e sabemos que o seu

testemunho é verdadeiro.

25 Há, porém, ainda muitas outras coisas

que Jesus fez; e se cada uma das quais

fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo

todo poderia conter os livros que se

escrevessem. Amém.

33


O evangelho

segundo

São João

Venda proibida

Versão corrigida e revisada, fiel ao texto original,

da tradução de João Ferreira de Almeida