Com a grande influência das vanguardas artísticas, grandes nomes surgiram como, Alexander Rodchenko, El Lissitzky, Hebert Bayer, Jan Tschichold, Laszlo Moholy-Nagy e Theo van Doesburg no design gráfico moderno, sendo um design com uso de formas claras, simples e despojadas, proposta essa relacionada as teorias do gestaltismo.
“A influência das vanguardas artísticas foi a mais ampla e profunda na área do design gráfico. Partindo principalmente da confluência de ideias e de atores em torno do construtivismo russo, do movimento De Stijl na Holanda e da Bauhaus na Alemanha [...]” (CARDOSO, 2008, p. 129).
Muitos dos nomes citados aparecem também no contexto do ensino do design, principalmente ligado à Bauhaus. A Staatliches Bauhaus era uma escola alemã fundada em 1919 em Weimar, também chamada apenas de Bauhaus, ela era marcada por conflitos, já que seus membros possuíam ideais libertários, mas ela era uma instituição estatal, com hierarquia.
A instituição surgiu com a direção de Walter Gropius e a unificação e reorganização de duas escolas que já existiam em Weimar, a escola de artes e ofícios e a academia de belas-artes, mas sua criação não teria sido possível fora do contexto em que se encontrava a Alemanha entre 1918-1919, após a primeira guerra mundial. Desse modo, em meio a todo o caos, o governo estadual provisório, aceitou a proposta de Gropius, de remodelar o ensino artístico público. Seu tempo de existência foi breve, mas em um curto período, a Bauhaus conseguiu se caracterizar como paradigma do ensino do design, durante o século XX.
A Bauhaus teve a direção de três pessoas durante a sua existência, sendo eles, Gropius, Hannes Mayer e Mies Van der Rohe, mas também se situou em três diferentes cidades, além de Weimar, ela também esteve em Dessau e Berlim, por ser dominada por um ideário socialista, ela teve essas sucessivas mudanças de localidade, por conta dos conflitos políticos dos partidos que administravam a região e financiava a escola.
Seu período inicial, durante a direção de Gropius, a instituição pregava pela proposta de diversas tendencias, aberta a qualquer novidade, atraindo assim figuras e ideias inovadoras de conteúdo artístico e arquitetônico de toda Europa, figuras essas como Wassily Kandinsky e o Alemão Paul Klee, que eram pintores extremamente reconhecidos na época, e que acabaram participando do corpo docente da Bauhaus, mas de fato, o que deu grande força a Bauhaus, foi essa capacidade de atrair diversas pessoas diferentes e com pensamentos diferentes.
Com esse corpo docente, de diversas pessoas de personalidades fortes, a instituição esteve sempre em mudança, tanto nos docentes, como também em sua estrutura curricular, alterando cursos e enfoques, uma forma de definir cada período é através da predominância de certo professor.
“Separam o período inicial, quando prevaleceram as ideias expressionistas e místicas de Gropius e Itten, da fase subsequente em que dominaram o tecnicismo e o racionalismo de Moholy-Nagy e Meyer, ou da fase final sob Mies van der Rohe, em que o ensino da arquitetura passou a ser privilegiado quase que exclusivamente [...]” (CARDOSO, 2008, p. 133).
Um dos elementos que sustentou a Bauhaus em seu início foi o curso básico, introduzido em 1919 por Johannes Itten, o qual era parte importantíssima do currículo de cada aluno, sendo obrigatória, pois era o curso de formação básica artístico-politécnica. Tendo como objetivo provar a capacidade dos alunos como objetivo e intercomunicação de conhecimentos básicos, para o aprendizado efetivo da matéria.
Após aprovação no curso básico o aluno poderia decidir por onde seguir, em cada oficina o estudante iria desenvolver uma capacidade artística e manuais de forma equilibrada, já que cada oficina era liderada por duas pessoas, um “mestre da forma” e um “mestre artesão”, mas na prática não deu muito certo, já que o mestre artesão acabava se subordinando ao mestre de forma, gerando assim conflitos internos, mas foi durante esse período que surgiu as primeiras experiências para definir uma estética de produtos.
“Após serem aprovados, os estudantes poderiam decidir-se por oficinas/laboratórios especiais, como por exemplo Gráfica, Cerâmica, Metal, Pintura Mural, Pintura em Vidro, Marcenaria, Oficina de Palco, Têxtil, Encadernação, Escultura em Madeira.” (BÜRDEK, 2005, p. 30-31).
Desde sua fundação, o design da Bauhaus era pensando como uma ação construtiva e subordinada apenas em última análise a arquitetura, daí se vem uma das maiores contribuições pedagógicas de Gropius e da Bauhaus, de que o design deve ser algo unificado e global. Com o passar do tempo a instituição largou a ideia de utopia, e com a saída de Gropius se focou mais na adequação menos grandiosa do design, tendo nos seus últimos anos o subtítulo de Escola Superior de Design, o ensino bauhausiano, tinha como estrutura oficinas dedicas a uma única atividade ou único material.
O seu legado no campo do design, se dá não somente pela nova cultura a qual se criou e novas invenções, como também pela sua criação durante todo o período conturbado da Alemanha entre a primeira e segunda guerra mundial, o fato de estar aberta naquela época já era uma implicação política. Então com o final da guerra, o mundo mudou e a Bauhaus foi assumindo um papel diferente do qual os seus integrantes pregavam, o qual para a maioria era o uso do design e da arquitetura para construir uma sociedade melhor, sendo ela mais livre, justa e internacional, sem conflitos de nacionalidade e raça, como o qual vinham dominando o mundo político.
“A Bauhaus esteve sempre preocupada em agregar pessoas e propostas das mais diversas tendências. Suas portas estavam abertas para praticamente qualquer novidade [...]” (CARDOSO, 2008, p. 133).
Indo um pouco contra os ideais de seus idealizadores, a Bauhaus contribuiu para a concretização de um estilo de design específico, chamado de alto modernismo, que tinha como ideia principal o funcionalismo, sendo assim a forma ideal de um objeto era determinada pela sua função, que precisava atender a uma convenção estética bem rígida.
Apesar da instituição ser cheia de artistas e artesões, acabou se prevalecendo o ideal de legitimar o design, afastando-o da criatividade individual e deixá-lo mais próximo de um algoritmo técnico e científico.
Em 1933 a Bauhaus chegou ao seu momento mais triste, o seu fechamento, anunciado pelo partido nazista o qual comandava a Alemanha na época, alegaram que a escola estaria difundindo o comunismo entre os alunos e a população, pois havia diversos artista russos que lá estavam para estudar ou trabalhar, porém a Bauhaus nunca teve sua queda, pois mesmo após seu fechamento, seus ideais foram difundidos e sua fama continuou a se espalhar após o seu fim.
CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. 2. ed., rev. ampl. São Paulo, SP: Edgard Blücher, 2004.
BÜRDEK, Bernhard E. Design: História, teoria e prática do Design de produtos. 2. ed. São Paulo, SP: Editora Blucher, 2010.
Bauhaus, Wikipedia, 2022, Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus
https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/fok/bau/21356319.html
https://www.archdaily.com.br/br/901976/100-anos-da-bauhaus-10-coisas-que-todo-arquiteto-precisa-saber