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21/02/2021 00:30:26
"O Seminário Grandes Desafios em Computação no Brasil foi concebido com o objetivo de definir questões de pesquisa que serão importantes para a ciência e para o país no longo prazo. Tendo isto em mente, um desses desafios é a questão do acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao conhecimento.
Formar cidadãos que sejam capazes de exercer seu direito à informação e participação na sociedade em que estão inseridos deve fazer parte dos objetivos de um governo comprometido com a educação e a democracia. Como menciona Moura Castro (1992): “Todos os países que estão se dando bem fizeram um grande esforço para aperfeiçoar a Educação em todos os níveis e, em particular, resolveram o desafio de oferecer uma Educação Básica de qualidade a, praticamente, todos os seus cidadãos.”
Graças à formação e manutenção da sociedade capitalista, o conhecimento se torna o principal elemento da organização social e econômica. Mudanças significativas vêm ocorrendo globalmente, o que produz alterações na sociedade como um todo e, portanto, se faz presente também na educação, no sentido de buscar novas tendências sociais, econômicas e tecnológicas para a sociedade. A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, prevê que a educação seja promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. A gestão autoritária e individual é uma prática que não satisfaz mais às exigências de uma nova sociedade que visa ser igualitária e justa. Por isso, sua presença se manifesta através da incorporação de categorias e grupos sociais envolvidos direta ou indiretamente no processo educativo.
Pensando nisso, uma gestão participativa é importante pois, é capaz de levar em consideração a palavra de cada grupo representado, pois, numa sociedade democrática, há lugar para os interesses individuais sem a exclusão daqueles comuns a toda a sociedade. Em uma democracia, são estabelecidos elos entre interesses individuais e coletivos, pois, sem estes, não há sociedade ou comunidade.
Nesta sociedade com intenso fluxo e produtora de informação e conhecimento, as redes de comunicação, utilizando seus dispositivos, assumem papel vital para tornar a informação ainda mais relevante, como destaca Assmann (2000): “A sociedade da informação é a sociedade que está atualmente a constituir-se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de armazenamento e transmissão de dados e informação de baixo custo. Esta generalização da utilização da informação e dos dados é acompanhada por inovações organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que alterarão profundamente o modo de vida tanto no mundo do trabalho como na sociedade em geral.”
Criar mecanismos de participação e envolver as lideranças locais na tomada de decisões implica em mudanças culturais e de comportamento. É uma forma de garantir serviços, acervos e ações mais adequados às necessidades dos grupos em questão. No entanto, esses mecanismos só serão realmente efetivos se partirmos de princípios baseados na participação, ou seja, que respeitam a diversidade, a pluralidade cultural e as redes de sociabilidade locais; respeitam e valorizam o espaço público; e estimulam a participação como processo, ou seja, aquela participação que permite ao indivíduo participar da tomada de decisões. Não se trata apenas de ser politicamente correto, mas, muito mais, de abraçar a participação como uma estratégia eficiente para a vida da comunidade.
Nesse cenário de grandes produções, as informações devem ser registradas, organizadas em sistemas que possibilitem o acesso em um suporte tecnológico que permita que seja administrado como uma rede de comunicação e aprendizagem. De forma geral, a produção de tecnologias que possibilitem a comunicação e o acesso à informação tornam-se relevantes para o empoderamento social de grupos desfavorecidos. Esse modelo deve privilegiar a participação popular, proporcionando impulsionadores para comunicações diretas, com promoção socioeducativa da comunidade, formulando, assim, uma plataforma de cooperação e colaboração via web, entre atores e agentes envolvidos no processo."
A gestão participativa e o desafio de formar cidadãos. Disponível em: https://www.construirnoticias.com.br/a-gestao-participativa-e-o-desafio-de-formar-cidadaos/. Último acesso: 20/02/2021
Orçamento participativo: uma abordagem na perspectiva da Ciência da Informação. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-37862012000100002. Último acesso: 20/02/2021
A prática da gestão participativa em espaços de acesso à informação: o caso das bibliotecas públicas e das bibliotecas comunitárias. Disponível em: http://www.scielo.org.co/pdf/rib/v33n1/v33n1a10.pdf. Último acesso: 20/02/2021