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14/02/2021 18:15:09
A humanidade vivencia, nos dias atuais, os impactos da evolução tecnológica, consequência da presente Indústria 4.0, que utiliza a Tecnologia da Informação para criar utensílios e máquinas com inteligência própria. No entanto, as consequências desse avanço já podem ser notadas: a ausência da ética e moral definidas. Por isso, convém analisar as principais implicações dessa indefinição.
A princípio, os benefícios da Quarta Revolução Industrial são notórios, como as intervenções cirúrgicas não invasivas, todavia eles estão distantes da democracia. Nesse sentido, polos tecnológicos ao redor do mundo discutem os limites da aplicação ética da inteligência artificial (AI), como foco, sobretudo, nas nações desenvolvidas.
A Inteligência Artificial e as tecnologias de aprendizado de máquina estão transformando a sociedade rapidamente e devem continuar transformando nas próximas décadas. Essa transformação social terá impactos éticos profundos, pois estas poderosas novas tecnologias vão tanto melhorar como prejudicar a vida humana.
Instituições de ensino e pesquisa já se movimentam para propor um direcionamento ético para o avanço tecnológico. Entre elas está a Universidade de Stanford, referência mundial em inovação e tecnologia, que lançou um centro de pesquisa interdisciplinar com a meta de reunir formuladores de políticas públicas, pesquisadores e estudantes responsáveis pela elaboração das tecnologias do futuro.
Vários governos e até mesmo empresas também já revelaram preocupação a respeito de questões éticas, emitindo sugestões de conduta para as iniciativas em IA.
Assim, a expansão da Internet Of Things (IOT) expõe a necessidade de respeitar algum parâmetro ético-moral. Não só a IOT domina parte da rotina de muitos, através de aparelhos de uso cotidiano, como também fomenta o consumismo, uma vez que a dependência tecnológica induz o aumento da obsolescência programada, em que empresas determinam a duração de seus produtos, para que sejam comparados com frequência e o apego a IA se perpetue.
Em virtude do exposto, medidas serão úteis para que a inteligência artificial seja, majoritariamente, benéfica. Portanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) poderia divulgar, na mídia, o recente documento acerca da ética e moral aprovado, o ""Ethics guidelines for a trustworthy AI"". Essa divulgação seria feita por meio de parcerias com os países, para que o máximo de pessoas conheça o assunto, a fim de democratizar e estabelecer limites na execução de atividades inteligentes. Além disso, a ONU também pode explicitar, nos grandes meios de comunicação, formas de evitar o excesso de IOT, no dia a dia, e aumento obsolescência programada, com o objetivo de prevenir o uso indevido dessa tecnologia.
A decisão sobre os limites para o uso da IA deve se pautar em argumentos de ordem técnica, mas em última instância será uma decisão política que irá requerer amplo debate. Quais critérios devem prevalecer no momento de avaliar e decidir se um robô pode realizar cirurgias sem a supervisão humana, se iremos aceitar o desenvolvimento de armas autônomas civis ou militares ou se será possível o transporte de passageiros e cargas por veículos e aeronaves autônomos? Quais serão as implicações legais e de imputabilidade de culpa em caso de dolo?
No caso do Brasil, a IA traz transformações sociais tão profundas que o país necessita de uma estratégia nacional para se preparar. Questões importantes demandam debates e sobretudo ações coordenadas pelo país. É importante que a sociedade reme no mesmo ritmo e sentido com políticas públicas para os diferentes domínios relevantes da IA para o país , na pesquisa aplicada, no estímulo à adoção da IA pelo setor público e privado, no desenvolvimento das habilidades digitais da mão de obra, no avanço rumo à adoção de padrões globais e interoperáveis, além da necessária segurança, confiança e do estabelecimento de princípios éticos.
Ética e Inteligência Artificial. Dez áreas de interesse. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/574109-etica-e-inteligencia-artificial-dez-areas-de-interesse. Último acesso em: 13/02/2021
O dilema ético dos carros autônomos: a decisão de quem sofre acidentes é das máquinas. Disponível em: http://www.thecityfixbrasil.org/2017/04/19/o-dilema-etico-dos-carros-autonomos-a-decisao-de-quem-sofre-acidentes-e-das-maquinas/. Último acesso em: 13/02/2021
A ética e a inteligência artificial. Disponível em: https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2017/12/21/a-etica-e-a-inteligencia-artificial.ghtml. Último acesso: 13/02/2021