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12/02/2021 15:29:11
"Vivemos uma época na qual a magnitude de geração de dados superam nossas expectivas de entendermos o seu significado e a sua aplicabilidade em nossas vidas. Sondas espaciais ainda esse ano de 2021 irá reconfigurar a nossa ideia de sistema solar e galáxia, enquanto a maior parte das sociedades em nosso planeta sequer tem acesso à educação digna ou entende o que é ser ético. As multiplicidades das realidades das vidas humanas tomam forma nunca antes imaginada pelo volume, construção e possibilidades de uso da grande massa de dados elaborada, enquanto uma verdade inconveniente nos convida a repensar sobre a importância da ética na dinâmica desses dados, chamados big data, que não param de crescer a cada instante de nossas vidas.
Nossa realidade é uma época em que os clientes são produtos em redes sociais, algoritmos preconceituosos ditam distâncias e desigualdades nas camadas sociais e invasão de privacidade deixou ser aparentemente tão grave pela conivência dos participantes. É nesses casos citados e outros, que a nossa realidade se caracteriza por um contexto louco e imprevisível, sendo necessário que a importância da ética possa ser pensada como um assunto de extrema urgência e gerência em nossas vidas. Isso porque em todos os aspectos humanos uma grande quantidade de dados está sendo gerada, observamos isso em nossa biologia, biodiversidade, em nossa economia, geografia, em nossa geopolítica, e em qualquer área da ciência factual ou não factual, na verdade em tudo que pensarmos a transformação em dados está sendo realizada. E ocorrendo em uma velocidade exponencial, difícil de ser imaginada e de uma maneira cujos efeitos bons e os efeitos negativos ainda não vivenciamos em sua plenitude em nossas vidas.
Poderemos expor a problemática em uma balança na qual poderíamos comparar o lado bom das aplicabilidades dos big datas num prato da balança e o lado não muito positivo no prato do outro lado, mas a questão é o que se faz com esses dados e qual a sua implicação direta em nossas vidas em um longo ou curto prazo. Então a questão recai diretamente sobre a ética profissional, ou melhor, sobre a importância da ética nos big datas, porque ficam claras as manipulações dos dados na esfera da nossa liberdade de decidir sobre as escolhas, na discriminação que podemos ser vitimas e na sutil invasão de nossa privacidade, embora muitas vezes reviradas pelas tecnologias de informações e comunicações, sempre fazemos questão de termos controle de nossa privacidade. Como um lado positivo podemos citar o uso recente dos grandes dados coletados há bastante tempo sobre os vírus e sua colaboração em consórcios de produção de vacinas a nível internacional, que diminuem o tempo de produção e acompanham a evolução viral. Como uns dos pontos negativos podem ser citados os algoritmos com viés discriminativos que limitam valores em cartões de créditos, ou financiamentos a pessoas de baixa renda. É nesse contexto de problemática crescente que a questão ética deve ser evidenciada, como uma certificação que as empresas e governos globalizados devem ter.
Essa importância da ética nas big datas pode ser iniciada e fomentada nos meios acadêmicos, a articulação a partir dos pesquisadores teóricos irá concretizar essa importância ética pelo fato de ser a ética em si de natureza humana. Quando estendida aos aspectos políticos, econômicos e sociais humanos, a ética deve equilibrar o uso excessivo das abstrações geradas nos big datas que possam criar aspectos nocivos ao dia a dia em nossas vidas. A parte difícil desse consenso é engendrar nas pessoas a importância da ética, é fazê-las pensar em se defender, por exemplo, de algoritmos discriminativos ou de empresas sem escrúpulos. Leis devem ser pensadas e reformuladas, mas sempre direcionadas pela questão da importância da ética, que para cada área de conhecimento terá suas especificidade e dificuldades mesmo de serem implementadas, seguidas ou ate mesmo que esteja em nível de conhecimento amplo da sociedade.
Quando focamos no lado humano e tentamos entender a importância da ética nas big datas, desde o mais comuns dos homens mortais na face da terra, todos primam por liberdade, por essa sensação às vezes até incompreensível, mas desejada por muitos. Ao relacionamos ética e a problemática na big data, temos na ideia de liberdade, por exemplo, à questão de manter nossa privacidade, de preservar a nossa identidade, nossos direitos de propriedade intelectuais e outras necessidades que a ética em sua importância e como conceito móvel se desloca e contempla nossas necessidades sendo, portanto o vital reconhecimento da importância da ética na big datas que impactam nossas vidas o tempo todo. Será uma garantia de uma simbiose saudável com o mundo em metamorfose constante em que estamos vivendo.
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