ederlucenafonseca@gmail.com
11/02/2021 21:41:03
"""Informação é crucial. Nunca vá para a batalha sem saber o que pode estar contra você"". Sun Tzu (544 a.c. – 496 a.c.), estrategista chinês. Podemos observar nesta fala que desde tempos remotos a informação é muito valiosa, e este fato não muda com o passar do tempo, atualmente os meios de se coletar informação mudaram muito, e com a combinação de Big Data e IoT a cada dia se expandem mais as possibilidades de uso para todos os novos tipos de informação que se veiculam na internet.
Atualmente estamos entrando numa era onde as facilidades proporcionadas pela tecnologia nos impulsionam a compartilhar cada vez mais nossos dados. Com o sentimento de que isto é totalmente necessário e benéfico a cada um de nós, acabamos por aceitar de bom grado compartilhá-los, mas cada aplicação que decidimos usar e compartilhar dados, pode atuar tanto de forma benéfica como danosa.
Quando decidimos utilizar, por exemplo, um aplicativo de exercícios físicos com o intuito de marcar a distância percorrida em uma corrida, obter informações sobre nosso ritmo, batimentos cardíacos, velocidade, queima de calorias e etc, geralmente aceitamos os termos e condições impostas pelo aplicativo sobre nossos dados sem ao menos ler as regras.
No exemplo acima, as pessoas conseguem ter uma experiência maravilhosa com o aplicativo. Apenas compartilhando os dados de uma simples corrida, elas podem se aperfeiçoar nos exercícios, ter um suporte em caso de emergências médicas, ou podem atingir metas e alcançar objetivos que antes pareciam impossíveis. Entretanto, como nem tudo são flores no mundo virtual, estes mesmos dados que decidimos compartilhar podem ser utilizados para outros fins, e dependendo de como eles são investigados pelas empresas que os detém, acabam revelando detalhes importantes da sua vida, como rotinas de treino, locais que frequenta, informações sobre sua saúde, gostos e preferências que podem ser utilizados de maneira oculta e a contragosto dos usuários.
Um exemplo enfático de como seus dados podem ser utilizados de forma danosa é o caso das eleições norte americanas de 2016, onde foi descoberto que a empresa Cambridge Analytica, que participava ativamente na campanha de Donald Trump, obteve dados sigilosos de cerca de 50 milhões de usuários do Facebook, e fez uso destes dados para favorecer sua campanha culminando na vitória dos republicanos naquele ano.
Com o avanço da Big Data, a profissão de cientista de dados encontra-se em alta e já paga praticamente os melhores salários da atualidade. A importância de obter informações dos usuários de dispositivos IoT transcende os limites da ética, e as empresas praticamente atropelam a privacidade dos usuários a fim de coletar informações que as façam vender mais, direcionar propagandas e assim, obterem vantagem sobre a concorrência.
De fato, alguns usuários podem até gostar, ou se beneficiar das facilidades oferecidas pelas técnicas de processamento de dados, mas a partir do momento que as informações de todos são coletadas de forma única e processadas juntas, aqueles que gostariam de manter suas informações pessoais ocultas acabam tendo seus direitos cerceados, tendo sua privacidade comercializada de forma gratuita e em benefício alheio a seus interesses.
Foi diante de todo esse descaso com os usuários que surgiu no Brasil a LGPD, uma lei de proteção aos clientes de serviços que armazenam, de alguma forma, dados dos usuários. Esta lei seguiu a base da RGPD, que é uma lei análoga à brasileira, criada anteriormente à nossa, na União Europeia.
Diante do exposto, podemos perceber que a preocupação com nossos dados deve ser tomada como prioridade, e devem ser responsabilizados todos aqueles que fizerem mau uso, ou uso indevido de nossas informações sem o nosso consentimento. A importância de impor limites sobre nossos dados é tão grande para o indivíduo quanto para a coletividade, podendo ir do simples vazamento de alguns poucos dados pessoais, até a manipulação deles, em massa, ao ponto de influenciar nos rumos de uma eleição.
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