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06/02/2021 22:24:18
Incontáveis informações passam nos olhos da humanidade todos os dias, algumas dessas informações são verdadeiras,outras parcialmente verdadeiras e até informações falsas. Cada dia que se passa as fake news e pós-verdade se espalham com uma velocidade assustadora. Mas o que seriam pós-verdade e fake news? Como evitar se tornar uma vítima? Como ajudar no combate dessas desinformações?
A pós-verdade é definida como um neologismo para descrever a situação na qual, na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que o apelo emocional, segundo o filósofo Leandro Karnal a pós-verdade é uma “seleção afetiva de identidade”, através da qual os indivíduos se identificam com as notícias que melhor se adaptam aos seus conceitos. É muito utilizada por negacionistas, populistas e teóricos da conspiração. O termo começou a ganhar notoriedade na última década, e em 2016 o dicionário Oxford elegeu a expressão como palavra do ano.
Já fake news (notícias falsas), é definida como uma forma de imprensa marrom que consiste na distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda online, como nas mídias sociais. Este tipo de notícia é escrito e publicado com a intenção de enganar, a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, muitas vezes com manchetes sensacionalistas, exageradas ou evidentemente falsas para chamar a atenção.
Nada disso é novidade, notícias falsas, negacionismo e afins existem a bastante tempo. Escritores já propagavam falsas informações sobre seus desafetos por meio de comunicados e obras. Anos mais tarde, a propaganda tornou-se o veículo utilizado para espalhar dados distorcidos para a população, o que ganhou força no século XX.
O termo ganhou bastante notoriedade nas eleições dos EUA no ano de 2016, época em que eleitores do ex-presidente Donald Trump compartilharam massivamente notícias falsas sobre a ex-presidenciável à época Hillary Clinton. No Reino Unido, nos últimos meses do referendo do Brexit, a Cambridge Analytica utilizando o perfil psicológico de usuários do Facebook, bombardeou notícias que causavam forte apelo emocionais de acordo com cada utilizador da rede social para influenciar na decisão dos usuários.
No Brasil na campanha presidencial de 2018 o atual presidente, Jair Bolsonaro, proferia abertamente notícias falsas ou meias-verdades como o “kit gay” por exemplo, além de tantas outras que seus eleitores também compartilharam, logo passaram a surgir notícias falsas dos votantes contrários ao atual chefe do poder executivo, a exemplo da jovem que afirmou que foi “marcada” de estilete com uma swastika nazista por supostos apoiadores do então candidato.
E não é apenas no âmbito político que as notícias falsas tem forte impacto, a vacinação por exemplo, existe um movimento anti-vacinas em crescimento utilizando como argumento estudos já foi desconceituado a décadas por erros no método científico e comprovada má intenção por parte do autor do artigo, em que dizia que vacinas causavam autismo em crianças vacinadas. Graças a esse movimento muitas outras doenças que antes estavam controladas voltaram à atividade recentemente.
A plataforma utilizada para propagar tudo isso costuma ser a internet, seja por meios de canais do YouTube, grupos do Facebook, troca de mensagens de WhatsApp, Blogs e sites.
Mas depois das repercussões algumas atitudes estão sendo tomadas, tardiamente, mas em andamento, o Facebook por exemplo vem banindo grupos categorizados por compartilhamento de desinformações, diminuindo o número de pessoas com quem você pode compartilhar mensagens, o Google vem desmonetizando canais que propagam mentiras, além de empresas. Também existem grupos de pessoas combatentes, atacando de divulgação de falsas informações que recebem remuneração com propaganda, o Sleeping Giants é um exemplo desse movimento. Além disso, algumas medidas governamentais combatem através de comerciais informativos, o projeto da lei das fake news, e canais de denúncia.
Para evitar de ser enganado, algumas medidas podem ajudar, como checar a notícia que você recebeu no seu mensageiro se ela possui fontes ou se mais algum outro canal também está publicando essa matéria, desconfiar de notícias de forte apelo emocional e alarmistas, se citarem um profissional ou uma instituição para dar credibilidade ao que está sendo dito, busque sobre tal profissional ou instituição, utilize “fact-checkers”, serviços como o E-Farsas, Agência Lupa e Fato ou Fake são exemplares. Se manter informado é sempre importante, mas mais importante que isso é saber onde se informar.
Hunt, Elle. - What is fake news? How to spot it and what you can do to stop it. The Guardian. 17 de dezembro de 2016 Disponível em: <https://www.theguardian.com/media/2016/dec/18/what-is-fake-news-pizzagate> Acessado em: 05 de Fevereiro de 2021
Costa, MB. 5 sites para checar se a notícia é verdadeira ou falsa, Canal Tech, 2020 Disponível em: <https://canaltech.com.br/internet/sites-para-checar-noticia-verdadeira-ou-fake-news/> Acessado em: 05 de Fevereiro de 2021
Veja, Vacina não causa autismo, novo estudo comprova, 2019 Disponível em: <https://veja.abril.com.br/saude/vacina-nao-causa-autismo-novo-estudo-comprova/> Acessado em: 05 de Fevereiro de 2021
IG São Paulo, Fake news marcaram as eleições de 2018; Relembre as mais emblemáticas, 2018 Acessado em: <https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-10-29/10-fake-news-das-eleicoes.html> Acessado em: 05 de Fevereiro de 2021
Bassas, Antoni. L'anàlisi d'Antoni Bassas: 'La postveritat'. Diari Ara 2016 Disponível em: <https://www.ara.cat/analisi/lanalisi-dantoni-bassas-postveritat_1_1470414.html> Acessado em: 05 de Fevereiro de 2021