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30/01/2021 02:10:05
"Ao mencionarmos a palavra desigualdade no plural, no bojo da temática sociedade da informação estamos levantando a questão a partir de um ponto pouco percebido. Estamos falando da desigualdade antes de uma consumação social em termos de informação e da desigualdade nova que cresce de igual tamanho e importância com a sociedade da informação. Novo padrão social, mas velhos problemas apresentados como novos poderíamos pensar assim, mas é algo realmente novo porque nunca estivemos assim antes em toda nossa historia conhecida ou presumida na linha do tempo e do espaço. Poderíamos elencar vários problemas com o advento da sociedade da informação, mas todos tem na sua matriz de origem do problema a questão da desigualdade.
Mas como definiríamos sociedade da informação, quando outros neologismos se ocupam ou agregam definições semelhantes ou ate mesmo sinônimas? Falamos em sociedade digital, era digital, sociedade de conhecimento ou ainda sociedade da informação e conhecimento para tentar dizermos ou situarmos em algo em torno da sociedade com a dinâmica da informação. E nessa era global, era digital ou pós-moderna talvez o conceito em si esteja ainda inacabado, evoluindo e tomando uma forma na medida em que promove em todo tecido social sua renovação e novo modo de ser. A computação exerce desde o principio como força agregadora dando forma e caráter multidisciplinar a definição de sociedade da informação.
A própria dita sociedade da informação promove na computação uma nova função ou definição. Eleva a computação a um estado de arte, na qual a computação passa a exercer uma extensão da própria humanidade. Observamos nos dias de hoje que a computação começa a ser encarada como vital para nossa própria evolução e manutenção da espécie humana. E nessa nova visão conceitual da computação em nossas vidas enquanto ser social, que as desigualdades se apresentam como pontos críticos que devem ser observados, minimizados e trabalhados e entendidos.
Mas numa sociedade da informação sob o aspecto de um mundo globalizado e neoliberal é possível que informações ou conhecimentos sejam vistos como mercadoria, ou melhor, mediado sob um interesse econômico, uma cultura que se forma destruindo outras ou simplesmente banalizando valores. Na era dos dados, tudo são produtos a começar de nós mesmo quando estamos distraídos no espaço virtual da sociedade da informação.
Quando falamos em desigualdades devemos ter em mente o abismo entre pobres e ricos, aonde os pobres muito mais numerosos e mais próximos do precipício tem sido o protagonista da ignorância em diferentes lugares no mundo e em diferentes culturas hoje globalizadas. Mesmo com esse abismo que até podemos chamar de abismo digital, observamos que as tecnologias da informação e comunicação evoluem em um gráfico exponencial, propiciando mudanças radicais em nossa sociedade, mas o acesso às tecnologias, a infraestrutura e cultura da informação estão apenas ao alcance de alguns e todas as dificuldades de concretização de uma sociedade da informação ampla para todos se traduz nessas desigualdades sociais.
Enquanto governos de países ricos, em suas organizações mundiais elaboram planos que tenham a capacidade de guiar a chamada sociedade da informação, atendendo a uma agenda econômica que movem as tecnologias da informação e comunicação, esta mesma sociedade da informação dar existência a sociedade de conhecimento que tem o posicionamento critico capaz de questionar e se opor as forças politicas e econômicas que condicionam as sociedades da informação. Defendida nos meios acadêmicos, a sociedade de conhecimento se aparta da sociedade da informação que está em sintonia com inovações tecnologias, com novas formas de convivência social. Mas a sociedade de conhecimento agrega valor à ciência e age como força que agrega valores em uma dimensão maior, capaz de produzir mudanças radicais na sociedade, como por exemplo, nos meios educacionais. Dessa forma contribui para diminuir as desigualdades sociais.
Percebemos que não basta sermos apenas sociedade da informação, e sermos apenas consumidores, óleo de uma complexa maquina que sempre atende aos apelos econômicos. O momento atual em que vivemos não possui precedente, nunca fomos tão globalizados, conectados ou amantes da informação como nos dias de hoje. Na era digital tudo se transforma e se torna ultrapassado em uma velocidade que esmaga a nossa própria noção de tempo, que condiciona o nosso próprio modo de viver. Nessa condição de sociedade da informação o espaço que se abre para o senso da critica é o que nos firmará como uma sociedade da informação sadia na qual construiremos uma ponte que irá diminuir as desigualdades sociais para que de fato possamos nos transformar numa sociedade da informação evolutiva.
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