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23/01/2021 15:40:01
"No atual momento de nossas vidas, na qual presenciamos a expressiva liberdade digital podemos questionar a importância da ética para a formação do nosso caráter, principalmente profissional. A ética pode ser definida como o fundamento dos princípios morais que norteiam o individuo na sociedade. Estuda a moral, mas é diferente da moral porque a moral é um sentindo coletivo, enquanto a ética é um foco a partir do individuo. Indissociável na nossa educação, percebida ou não em nossas vidas, seguimos nossa jornada, construindo a cada dia nossa ética. A importância enquanto um ser na coletividade, nos leva a defender e a lembrarmos de ter sempre a questão ética em nosso ambiente do lar, do estudo, do trabalho e da sociedade.
A realidade de uma convivência digital em uma sociedade de informação e conhecimento demandam outras necessidades educacionais, que são necessárias para a sustentabilidade de uma forma social tecnológica sempre ascendente. É nesse sentido que a disciplina de filosofia se faz necessária voltar às salas de aula desde bem cedo, criando a base para um conhecimento amplo da ética e suas aplicações em diversas etapas de nossas vidas. A ética se refaz o tempo todo, se coloca de modo paralelo em nossas vidas como retas em direção ao infinito, nos moldam para que o próprio ato de viver e atuar na sociedade sejam mediados pelo sentimento de equilíbrio.
Desde os esforços para regulamentação da profissão na ampla área de computação a diversas empresas envolvidas, inclusive de maneira global a ética edifica os princípios que direcionam todas as atividades econômicas envolvidas. Ao compor o código de ética para área de computação, compomos o inicio da regulamentação e temos a possibilidade de definir sindicatos e conselhos, sejam estes federais ou regionalizados, essas ações encadeadas de fato contribuem para sistematização da ética profissional na computação.
Para termos uma ideia do cenário atual com sua carência da ética profissional em computação podemos lembrar o dilema das redes sociais informatizadas que é um exemplo bom e clássico da necessidade das empresas serem éticas. Quando falamos nas empresas éticas estamos olhando para todo o corpo de profissionais envolvidos que se pressupõem agirem de forma ética e a própria regulamentação da profissão deverá proibir o exercício profissional em situações de ocorrências graves na questão ética, ou melhor, na falta de ética do profissional para os clientes. Ser ético significa trilhar o caminho da justiça, e nesse sentido todos os direitos humanos devem ser no mínimo lembrados e acreditados.
O que de fato testemunhamos hoje em dia em nossa sociedade de informação e conhecimento é uma total e irrestrita falta de ética profissional na computação. Dados privados de clientes são compartilhados sem a devida autorização, o sigilo perdeu o sentido no mundo virtual, as veracidades dos conteúdos das informações nas mídias digitais passaram a ser duvidosa. O consentimento por parte dos clientes deixou de ser considerado e o direito a privacidade deixaram de fazer sentido em um ciberespaço regido pela descrença e falta das leis. Como se o mundo digital coexistisse como uma terra sem leis, e também vale aqui mencionar como resultado de uma falta de ética, os algoritmos discriminativos que dão continuidade ao racismo, preconceito e separação de classes e ainda os crimes digitais como o cyberbullying.
Associações como a ACM (Association for Computing Machinery-1947) e IEEE( Institute of Electrical and Electronics Engineers-1963) possuem códigos de éticas profissionais que orientam e conduzem profissionais, dando um corpo ético que se move através de suas ações junto a sociedade no mundo todo, agregando inclusive diversas áreas afins de profissionais, como por exemplo, profissionais de nanotecnologia. No Brasil a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e a Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu) trabalham essas ideias com ações que colaboram de forma positiva, embora tenham ainda que melhorar muito e isso depende principalmente dos próprios profissionais envolvidos. Um fator positivo aos profissionais da computação é o aspecto da autonomia, muitos são excelentes programadores, por exemplo, com pouca formação acadêmica, mas isso colabora de forma negativa no aspecto da postura ética enquanto profissionais perante os clientes ou as empresas, sendo fundamentais essas associações que exercem papel de orientadora para a formação ética em sua profissão.
Ao evidenciarmos a importância da ética aos profissionais na área de computação, devemos ter em mente que todos ganham, sejam amigos na sala de aula ou no trabalho, sejam clientes ou empresas e principalmente a sociedade. No sentindo maior é preciso compreender que ser ético é ser mais, e ser justo, ser ético é ser digno de ser respeitado enquanto profissional no exercício das suas criatividades e artes.
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D. Gotterbarn, K. Miller, and S. Rogerson, “Computer Society and ACM Approve Software Engineering Code of Ethics,” Computer, Oct. 1999, pp. 84-88.
Jonas, Hans (1994) Principio de Responsabilidad. Ensayo de uma ética para la civilización tecnológica. Herder: Barcelona.
Brown, M.T. (1992). La ética en la empresa. Paidós, Barcelona.
E. Towell, “Teaching Ethics in the Software Engineering Curriculum,” Proc. 16th Conf. Software Eng. Education and Training, IEEE Press, 2003, pp. 150-157.
Fernández, Carlos. Los Aspectos Éticos en la Formación de los Profesionales de la Información. Journal of Spanish Research on Information Science / Revista de Investigación Iberoamericana en Ciencia de la Información y Documentación. Vol. I / Nr. 2 Julio-Diciembre de 2000. Universidad de Granada (España). [Documento en línea]. Disponible: http://www.ucm.es/info/ multidoc/publicaciones/journal/pdf/ aspectos-eticos.pdf.