saulolucas.gm@gmail.com
21/01/2021 22:43:29
"Em um mundo completamente conectado, as relações de trabalho parecem ter chegado com um certo atraso aos moldes virtuais dos ambientes de produtividade e inovação. As equipes virtuais são uma realidade em um mundo de home office e isolamento social, gerando fãs e críticos em similar escala. Porém, em que ponto este ambiente de trabalho virtualizado enfraquece as relações humanas e como isso pode ser remediado?
O distanciamento social provocado pela pandemia no COVID-19 levou diversas empresas a adotarem o modelo de home office, transferindo as equipes de trabalho para o mundo virtual, trocando a mesa de reunião pela chamada de voz. Este processo costuma requerer um tempo maior de adaptação do que foi permitido pela urgência do momento em que aconteceu. Entretanto, este modelo de trabalho já tem sido aplicado há um tempo por diversos motivos, entre eles, e um dos principais, a busca de mão de obra especializada sem restrições geográficas. Os benefícios se baseiam muito na pluralidade da experiência de colaboradores de diferentes partes do mundo, na comodidade de poder trabalhar na própria casa ou onde desejar, e, consequentemente, na redução de custos de escritório.
Mas o principal fator neste modelo é o quanto as relações sociais são prejudicadas pela falta do contato direto e comunicação pessoal. Em um estudo feito por Zimmer (2001), ainda no início do século, foi observado que em equipes virtuais pode ocorrer ruídos na comunicação entre os integrantes do time, que, segundo ele, ""demonstrou ser contraproducente e gerador de retrabalho"". Estes problemas de comunicação podem ser comum em um ambiente que não está adaptado ao modelo de integração de pessoas e metas em uma equipe de trabalho online. A falta de clareza nos objetivos pode gerar um trabalho lento e a falta de formalização dos processos costuma resultar em descontrole da produção e execução de atividades. Estes fatores são reforçados quando não se há um processo de planejamento e execução de tarefas bem definido, ao passo que não cientes dos procedimentos, os integrantes perdem o foco do objetivo com mais facilidade e não conseguem manter uma sincronia entre si na atuação de suas funções.
No mesmo segmento, a pouca comunicação direta entre as pessoas envolvidas é uma barreira para a criação de relações de confiança. Segundo Luis Felipe Cortoni, professor da Fundação Vanzolini e sócio-diretor da LCZ Desenvolvimento de Pessoas e Organizações, em entrevista para o InfoMoney, as relações virtuais de trabalho podem ser de menos conflito por conta do contato reduzido entre as pessoas, porém, os graus de envolvimentos e compromisso estão sempre sujeitos a diminuir por conta da falta da conexão pessoal face a face. Por estes motivos, o gerenciamento de uma equipe virtual deve considerar a adaptação dos participantes durante o processo, bem como investir tempo na aprendizagem dos integrantes às metodologias aplicadas, tendo sempre em vista enriquecer as conexões interpessoais e ao comprometimento aos procedimentos adotados. Desta forma, valorizar a comunicação entre os participantes se torna o principal desafio. E por vários motivos, o fuso horário pode ser conflitante, o idioma nativo pode causar isolamento, bem como o fator cultural pode ser segregador. Em muitas vezes, o principal momento de comunicação entre a equipe são as reuniões, e em um cenário virtual, estas precisam ser as mais eficientes possível, como explica Magdalena Jarosch, gerente de relações públicas da TeamViewer. Uma vez que em uma reunião sem um bom planejamento e objetivo, o foco pode ser perdido e o tempo pode ser desperdiçado, considerando, também, que os horários convergentes entre todos os integrantes podem ser raríssimos.
Portanto, a principal chave para a gestão de equipes virtuais é a definição sucinta dos processos aplicados. O planejamento é o que torna a equipe mais ágil e focada, mesmo com obstáculos de idioma, horário e localização geográfica. Existe toda uma metodologia por trás da gestão destas equipes que não pode ser desconsiderada. Certamente há uma diferença significante na interação entre os integrantes, a relação entre os membros não segue a mesma linha dos processos presenciais, e isso impacta tanto os graus de conflitos, quanto os de confiança entre eles. Por isso, o passo da adaptação e aprendizagem da equipe não pode ser desconsiderado."
Zimmer, Marco Vinício. "A criação de conhecimento em equipes virtuais: um estudo de caso em empresa do setor de alta tecnologia." (2001).
EQUIPES virtuais: veja como elas funcionam. InfoMoney, 16 de jun. de 2008. Disponível em: <https://www.infomoney.com.br/carreira/equipes-virtuais-veja-como-elas-funcionam/>. Acesso em: 21 de jan. de 2021.
GESTÃO de equipes virtuais: dicas para melhorar eficiência. VAGAS for Business. Disponível em: <https://forbusiness.vagas.com.br/gestao-de-equipes-virtuais/>. Acesso em: 21 de jan. de 2021.