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16/01/2021 20:35:13
A figura feminina sempre teve papel importante na computação. Ada Lovelace foi a criadora do primeiro algoritmo da história, antes mesmo da existência dos próprios computadores. Outros grandes nomes são Jean Sammet, criadora do FORMAC, uma das primeiras linguagens de programação e Grace Hopper, uma das criadoras da linguagem de programação COBOL, que é utilizada até os dias de hoje. Hopper é mais conhecida por dar nome ao termo “bug”, que são erros no mundo da computação e tem este nome pois uma mariposa estava fazendo ninho dentro de um computador, ocasionando falhas no funcionamento da máquina, quando Grace retirou o inseto e disse que estava fazendo um ""debugging"".
Como nos dias atuais, os cursos de computação são compostos, em sua grande maioria, por homens, é difícil de acreditar que nas décadas de 70 e 80, estes cursos eram ocupados por mulheres. O Instituto de Matemática e Estatística (IME), teve sua primeira turma de Bacharelado em Ciências da Computação em 1974, e tinha 70% das vagas preenchidas por mulheres, sendo 20 alunos, 14 mulheres e 6 homens. Já em 2016, apenas 15% das vagas foram ocupadas por mulheres, sendo 41 alunos, 35 homens e 6 mulheres. O número de mulheres interessadas na computação diminuiu muito em todo o mundo com o passar dos anos, mas qual o motivo?
A Southeastern Louisiana University, nos Estados Unidos, conduziu um estudo para tentar descobrir porquê o número de estudantes de computação em geral, tinha decaído tanto. Os resultados mostraram que foram criados estereótipos que mulheres são melhores na área de humanas, enquanto homens nas de exatas. Além disso, as garotas são menos estimuladas a embarcar em carreiras computacionais, seja pela mídia, amigos ou até mesmo a família.
Há quem diga também que desde a popularização dos computadores com preço acessível para ter em casa, vieram também os jogos, o que se criou o mito que é “coisa de menino”, e com o passar do tempo, esse mito se tornou quase um preconceito. Em 2019, quando foi registrada a primeira fotografia de um buraco negro, muitas matérias se quer colocaram os devidos créditos a Katie Bouman, que foi responsável por desenvolver um algoritmo que auxiliou a equipe de cientistas a construir a imagem.
Está mais que claro que carreiras profissionais não incluem gênero, mulheres podem e devem escolher o que quiserem para trabalhar. Pensando nisso, algumas iniciativas foram criadas como por exemplo a PrograMaria, que foi um projeto lançado em 2015 pela jornalista e empreendedora Iana Chan, com o objetivo de reunir mulheres para aprender sobre programação e tecnologia oferecendo cursos, debates e oficinas de programação, e após ter passado por diversos empecilhos, o projeto foi um sucesso e em apenas três anos, formou 115 mulheres.
Com tanto acesso a tecnologia, esperamos que mais projetos como estes sejam cada vez mais bem vistos, que a sociedade aprenda de uma vez que o ramo da computação não é algo exclusivamente masculino e que nomes femininos importantes para a computação jamais sejam esquecidos.
As dez mulheres mais importantes da história da tecnologia. Canal Tech, 2020. Disponível em: https://canaltech.com.br/internet/as-dez-mulheres-mais-importantes-da-historia-da-tecnologia-59485/. Acesso em: 13 de Janeiro de 2021.
A retomada do espaço da mulher na computação. Revista Pesquisa, 2019. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-retomada-do-espaco-da-mulher-na-computacao/. Acesso em: 13 de Janeiro de 2021.
Por que as mulheres “desapareceram” dos cursos de computação?. Jornal da USP, 2018. Disponível em: https://jornal.usp.br/universidade/por-que-as-mulheres-desapareceram-dos-cursos-de-computacao/. Acesso em: 13 de Janeiro de 2021.