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16/01/2021 19:05:41
Com o passar dos anos, é notável que mulheres vem conquistando cada vez mais seu espaço na sociedade, adquirindo direitos e atuando no mercado de trabalho. Entretanto, a desigualdade de gênero e ausência de mulheres em determinados papéis ainda é um problema que persiste, especialmente quando se trata de mulheres atuando na área de tecnologia, ou seja, ainda há um baixo número de meninas ingressando em cursos de computação, concluindo a graduação, ingressando no mercado de Tecnologia da Informação (TI) e alcançando cargos de liderança.
As dificuldades encontradas por mulheres para adentrar a área de TI são perceptíveis desde mesmo antes de entrar no mercado de trabalho. Ao redor do mundo, em média, menos de 5% das meninas pensam em seguir uma carreira em computação ou engenharia. No Brasil, o censo do IBGE de 2010 mostrou que no curso de Ciência da Computação, apenas 22% são estudantes do sexo feminino, enquanto que em cursos de Ciência da Educação e Saúde a porcentagem de mulheres chega ate 90%.
Não é natural que meninas não sejam tão bem representadas na área de computação mesmo sabendo que desde novas têm acesso a dispositivos tecnológicos (ex. celulares e computadores) e sejam tão boas em ciências exatas como os meninos.
E mesmo depois de superar essas estatísticas, a mulher que enfrenta a sala de aula em cursos relacionados a computação e ciências exatas acaba se deparando com mais obstáculos como situações de humilhação, objetificação e preconceitos.
Partindo para o cenário de uma mulher já inserida no mercado, pode-se analisar que existe uma série de obstáculos que interferem para que a mesma consiga permanecer e/ou alcançar posições de alto cargo na área. No Brasil, as mulheres dedicam cerca de 18h semanais a mais com afazeres domésticos do que os homens, ou seja, se torna mais difícil para elas se dedicar inteiramente à carreira quando ainda tem que lidar com a dupla jornada profissional e familiar.
Tendo em mente tudo isto, muito vem sendo discutido a respeito de como aumentar a representatividade feminina na área de computação. Sendo assim, diversas instituições e organizações de diferentes países, inclusive o Brasil, têm desenvolvido projetos e iniciativas com foco exclusivo nessa temática.
No Nordeste, por exemplo, existe o projeto “Meninas na Computação"" da Universidade Federal do Sergipe, que além de mapear os motivos que fazem as meninas ingressarem na área tecnológica, também motivam alunas do ensino médio a seguir estas mesmas carreiras. Já o projeto “Meninas na Ciência da Computação"" da Universidade Federal da Paraíba tem proposto um conjunto de atividades às alunas do ensino médio tais como: atividades de robótica, maratonas de programação, visitas técnicas à universidade e cursos de desenvolvimento de jogos.
Grandes organizações mundiais também tem se mostrado presente em relação a criação de projetos com o foco em apresentar as diversas opções que o estudo da computação pode oferecer, como também incentivar a participação feminina neste meio. Uma famosa organização quando se trata desse assunto é “Girls Who Code"", que comanda cursos de verão para garotas do ensino médio, e tem como ênfase ensinar programação.
Também é importante mostrar que as mulheres tiveram um papel imprescindível no desenvolvimento da área computacional para, deste modo, estimular cada vez mais a interação de mulheres no desenvolvimento da tecnologia. Basta lembrar de grandes nomes como Ada Lovelace (primeira programadora da história), Grace Hopper (contribuidora na criação do COBOL e desenvolvimento do primeiro compilador), dentre outras.
Para que haja uma mudança no atual cenário nas salas de aula de graduação em cursos de computação, é necessário passar por um longo processo que não somente envolve questões educacionais como também culturais. A partir de pequenas mudanças no modo como as jovens de hoje em dia são educadas, é que futuramente poderemos mudar essa triste realidade e assim encontrar um maior números de mulheres estudando e trabalhando na área de tecnologia.
LIMA, Michelle Pinto. As mulheres na ciência da computação. Revista Estudos Feministas, 2013.
BORGONOVI, Marilyn Achiron Francesca. O que está por trás da desigualdade de gênero na educação? Pisa em Foco, 2015.
Mulheres são minoria em apenas cinco carreiras. Disponível em: http://oglobo.globo.com/economia/emprego/mulheres-sao-minoria-em-apenascinco- carreiras-7216998.. Acesso em 15/09/2020.