wellington.cunha@gmail.com
16/01/2021 18:35:46
A presença da mulher na computação em termos de quantidade e importância tem sido estuda, avaliada e observada desde o inicio da formação dos conhecimentos na área de computação. Num olhar sobre o aspecto histórico da computação, percebemos a valorização apenas de homens com os seus respectivos trabalhos. Não nos damos conta que muitas mulheres foram simplesmente deixadas ao lado, numa clara e evidente disputa de poder, na qual os homens são colocados em evidência. É como se o trabalho da mulher não existisse, não tivesse importância ou simplesmente por questões politicas, seus respectivos nomes e o próprio trabalho fossem apropriados. Testemunhamos essas ocorrências infelizmente em diversas áreas do campo de trabalho feminino na computação.
O curso de computação do instituto de matemática e estatística teve em 1974 setenta por cento, composto de mulheres. Muitas mulheres no mundo todo trabalharam no desenvolvimento de linguagens. Mas a partir dessa década surge o fenômeno da diminuição das mulheres na computação que merece um estudo criterioso, porque ainda em nossos dias sua presença é pequena nos meios computacionais e sua importância não é reconhecida. Vários estudos indicam um ou outro fator que de certa forma contribuíram para essa realidade, sempre atrelado pelo próprio histórico da formação dos cursos em diversas instituições a partir da década de 1960.
Dados estatísticos compondo gráficos relacionais nos indicam em uma projeção temporal os movimentos das participações femininas em diversos cursos relacionados à Computação. Essa dinâmica de certa forma se confunde com a própria evolução dos computadores que por sua vez direcionaram o mercado de trabalho e criaram subáreas na Computação que se aproximaram de ideias pré-concebidas como áreas femininas. A evolução de jogos, por exemplo, configurava que computação era coisa de menino ou que a licenciatura em computação era coisa de menina, ideias como essas e outras coloriam os fios do tecido social e formavam ideias pré-concebidas que mantinham e direcionavam a presença da mulher no mundo da computação. Esses cenários que se deslocam no tempo ainda continuam no geral, sendo restrito para a importância das mulheres, como se existisse uma força negativa na qual impede uma propulsão ainda maior.
Podemos citar historicamente algumas mulheres com seus trabalhos de suma importância na Computação. Margaret Hamilton, por exemplo, foi uma programadora responsável pela viagem do homem a Lua. Karen Sparckjones desenvolveu seu trabalho contribuindo para os sistemas de buscas e localizações que utilizamos hoje em dia quando usamos o Google. Karen envolvida em causas feministas questionava o desenvolvimento de computação, apenas pelo aspecto dos homens. Augusta Ada Byron escreveu o primeiro programa de computador, ao trabalhar no artigo da Máquina Analítica.
Essas são algumas evidências pouco conhecida da importância da mulher na Computação.
Não podemos deixar de lembrar que a Matemática e a Computação são indissociáveis, cuja evolução descreve pontos de interseção e importâncias, o que nos faltam como pesquisadores é o fato de reconhecer que homens e mulheres são capazes de desenvolverem essas Ciências. O pensamento Matemático que permeia o Pensamento Computacional é perfeitamente capaz de ser desenvolvido entre homens e mulheres.
Como os estudos atuais apenas atestam a diminuição das mulheres na área da computação, nos restam indagações das origens dessa realidade e dificuldades. Quando olhamos o desenvolvimento da Ciência Computacional como um todo e testemunhamos avanços pontuais para a participação da importância das mulheres, fica claro que não podemos deixar de falarmos sobre movimentos feministas. Movimento cuja participação nas décadas de sessenta e setenta, deixaram sua marca histórica no mundo, e contribuíram de forma positiva para inserção das mulheres nos meios Científicos, que permitiram redescobrir a importância da mulher para os avanços Computacionais.
A Computação não tem sexo, não deveríamos fazer nesta área uma Ciência polarizada, ou transforma-la em campo de batalha, um campo minado. Essa seria uma ideia contrária das realidades expostas, nas quais gladiadores confiam em seus arsenais de combate. O fenômeno da divisão sexual do trabalho permeia toda área da computação, no entanto as divisões sexuais de trabalho que são frutos diretamente das tensões sociais tendem a sofrerem modificações. As tensões sociais por sua vez geradas pelas relações sociais conduzem essas problemáticas das divisões sexuais de trabalho também na computação. Essa tensão parece não ter fim, mas é justamente um olhar para as tensões sociais que se começam a entender a origem de toda essa problemática. O fator social explica essa tendência da divisão de trabalho.
Precisamos lembrar que a ética deve vir antes da competição, para entendermos que as relações sociais devem ser equilibradas, é um caminho no qual conseguiremos reeducarmos e reconhecermos a importância feminina na computação e que a computação é também um lugar para as mulheres.
Novas configurações da divisão sexual do trabalho H Hirata, D Kergoat - Cadernos de pesquisa, 2007 - SciELO Brasil
Divisão sexual do trabalho profissional e doméstico: Brasil, França, Japão H Hirata, D Kergoat - … . Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio …, 2008 - books.google.com
Light, J. S. (1999) "When Computer Were Women", Technology and Culture 40(3):455-483.
AGUILHAR, Lígia. Mulheres buscam mais espaço e diversidade no mercado de tecnologia. O Estado de São Paulo, 06 dez. 2014. [<http://blogs.estadao.com.br/link/mulheres-buscam-mais-espaco-e-diversidade-no-mercado-de-tecnologia>].
M. Othman and R. Latih, “Women in Computer Science: NO SHORTAGE HERE”, Communications of the ACM. New York , vol 49 (3), March 2006.