saulolucas.gm@gmail.com
16/01/2021 15:15:24
A regulamentação na área de informática abrange vários pontos impossíveis fazer uma correlação com o mesmo processo em outros setores profissionais do mercado. Se por um lado, a valorização do profissional diplomado seria uma possível consequência, o encarecimento da mão de obra poderia ter consequências distintas e prejudiciais ao profissional da área. Mas o que há por trás desta discussão que circunda o mercado de tecnologia há vários anos e por que se torna tão controversa com fatores tão imprevisíveis?
Regulamentar a área de TI é um ponto bastante discutido nos últimos anos. Este processo visa valorizar os profissionais formados, definir bem os direitos e deverem do empregado e, em tese, melhorar os serviços prestados para as empresas, segundo artigo publicado pela Indyxa. Entretanto, há vários impasses nestes argumentos. Primeiramente, a empresa deve ter autonomia para julgar os serviços prestados a ela por qualquer profissional, seja ele formado ou não. A qualidade dos produtos, sejam eles softwares ou infraestrutura, podem e devem ser medidos pelo contratante, como a própria empresa ou os clientes que adquirem seu serviço. A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) argumenta a favor da auto-regulamentação, utilizando certificações privadas como comprovação de capacidade técnica, o que já é um fator que atenua a necessidade de intrometer-se na responsabilidade das empresas de julgar os seus próprios funcionários. Utilizar as próprias empresas detentoras da tecnologia, como a Oracle, para certificar a capacidade de um profissional parece compor melhor a ideia de garantia de qualidade dos serviços prestados do que simplesmente esperar que apenas profissionais que passaram anos na graduação para conseguir um diploma possam exercer determinada função técnica exigida por uma vaga específica.
A valorização dos profissionais da área é um dos pontos mais considerados a favor durante a discussão sobre o assunto. Uma vez que pode ser uma via de mão dupla. O Brasil atualmente forma 46 mil pessoas da área de tecnologia por ano, já havendo um déficit de 24 mil formandos para alcançar a necessidade de 70 mil empregos anuais requisitados pelo mercado de trabalho. A exclusividade da atuação por profissionais não apenas estimula o desemprego, que já atinge 14 milhões de pessoas — segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em dezembro de 2020 —, como impede o desenvolvimento tecnológico nacional, uma vez que os diplomas anuais não acompanham a grande oferta de empregos no setor. Esta alta oferta quando não possui demanda suficiente pode gerar a busca de serviços estrangeiros para o setor, ao invés de aumentar tão vigorosamente a média salarial de profissionais da área.
Em contraponto, o presidente do Sindpd (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Informática) Antonio Neto, argumenta que a medida busca trazer mais respaldo social e jurídico para a categoria. O que se espera, também, é que a regulamentação traga mais proteção à sociedade, uma vez que profissionais de TI lidam com projetos inteiramente ligados a segurança patrimonial, tecnologia hospitalar e carros autônomos. Neste ponto, de fato, há uma concordância consensual sobre a criticidade de setores importantes da indústria digital, que podem influenciar e até mesmo colocar em perigo os cidadãos e demais profissionais que lidam com o produto final. Porém, há mais sentido discutir-se como que a avaliação a validação destes produtos tecnológicos mais específicos e críticos que são utilizados em áreas tão sensíveis, pode ser feita de forma eficiente, uma vez que julgar a existência de diplomas dos profissionais envolvidos pode ser inconclusivo e impreciso em abrangência.
De fato, há benefícios claros no que diz respeito à regulamentação dos profissionais de tecnologia, uma vez que o respaldo judicial e a valorização da profissão podem ser estimulantes na decorrência deste processo. Entretanto, há vários fatores inconclusivos e imprevisíveis em vários pontos deste tipo de proposta. Se a padronização da validação do conhecimento é tão importante para o funcionamento do mercado, as discussões deveriam se centralizar neste ponto, em como pode-se avaliar o conhecimento e a capacidade de um profissional, independente de onde ele adquiriu as habilidades que possui. A regulamentação pela regulamentação pode ser uma medida elitista que impossibilita pessoas com uma condição de vida inferior de exercer a profissão, ainda que possua competências suficientes para determinada função. Em um país extremamente desigual e segregado, este tipo de medida pode ser mais um fator que dificulte as possibilidades de ascensão econômica e social de pessoas que podem ser capacitadas por outros meios e provar, na prática, que um diploma não é o único meio possível de gerar e validar proficiência.
WAGNER, Josias Rafael. Saiba tudo sobre a regulamentação do profissional de TI. Indyxa, 15 de out. de 2019. Disponível em: <https://www.indyxa.com.br/blog/saiba-tudo-sobre-a-regulamentacao-do-profissional-de-ti/>. Acesso em: 16 de jan. de 2021.
WAGNER, Josias Rafael. Saiba tudo sobre a regulamentação do profissional de TI. Indyxa, 15 de out. de 2019. Disponível em: <https://www.indyxa.com.br/blog/saiba-tudo-sobre-a-regulamentacao-do-profissional-de-ti/>. Acesso em: 16 de jan. de 2021.
WAGNER, Josias Rafael. Saiba tudo sobre a regulamentação do profissional de TI. Indyxa, 15 de out. de 2019. Disponível em: <https://www.indyxa.com.br/blog/saiba-tudo-sobre-a-regulamentacao-do-profissional-de-ti/>. Acesso em: 16 de jan. de 2021.
WAGNER, Josias Rafael. Saiba tudo sobre a regulamentação do profissional de TI. Indyxa, 15 de out. de 2019. Disponível em: <https://www.indyxa.com.br/blog/saiba-tudo-sobre-a-regulamentacao-do-profissional-de-ti/>. Acesso em: 16 de jan. de 2021.