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15/01/2021 19:13:33
Ao se pensar no ramo da computação, podemos rapidamente observar que a área é predominantemente composta por homens, mas nem sempre foi assim, houve um tempo em que as mulheres não só eram mais ativas nesse setor, como também correspondiam a maioria dele. No início de tudo, os computadores eram utilizados em sua maior parte para a realização de cálculos, processamento de dados e organização de arquivos, funções essas, geralmente exercidas por atendentes/secretárias. Entretanto, as mulheres não pararam por aí, algumas delas tiveram papel muito importante na história dos computadores. A matemática condessa de Lovelace, também conhecida como Ada Lovelace foi responsável pela criação do primeiro algoritmo processado por uma máquina, entrando na história como a primeira pessoa programadora. Diante disso, o que teria acontecido para que esse cenário mudasse de maneira tão drástica?
Atualmente, a participação de mulheres no mercado da tecnologia não passa dos 30%. No Brasil, de acordo com o Censo, publicado em 2010 e apurado pelo IBGE, existia 520 mil pessoas trabalhando na área de TI, mas apenas um quarto desses números eram representados por mulheres. Por vezes, a baixa participação das mulheres no mercado tecnológico se dá pelo estereotipo de que é uma área feita para homens, o que tende a criar um ambiente hostil para o público feminino que possivelmente possa se interessar pelo espaço ligado a tecnologia. Outro motivo responsável por esse baixo índice se dá pelo fato do aumento da competitividade do mercado, o que levou muitas pessoas passarem a associar TI como sinônimo de isolamento, isso acabou afastando algumas mulheres que buscavam áreas de trabalho com mais convívio social.
Além disso, existe o fator cultural, que possui origem na infância e já vem de um certo tempo em nossa sociedade. O computador se tornou um brinquedo comum na infância dos meninos, desde cedo eles estão em contato direto com a tecnologia e são incentivados pelos familiares a seguir por esse caminho, o mesmo não acontece com as meninas, que são direcionadas para outras formas de entretenimento, o que, no fim das contas acaba fazendo muita diferença na construção do interesse pela área. Essa lógica avança para o setor educacional, como cursos técnicos e faculdades por exemplo, e consequentemente ajuda a moldar a alta diferença quantitativa entre os gêneros no mercado de trabalho. Mas então, o que poderia ser feito para mudar essa realidade?
Para diminuir essa problemática, é necessário que as empresas que atuam no setor de tecnologia da informação estejam abertas a mudanças em seus ambientes de trabalho, de modo a atrair mais mulheres para o mercado de tecnologia. Outra saída seria implementar cursos de programação nas escolas, visando estimular a partir da conscientização que a tecnologia é adequada para os dois gêneros, tendo em vista a diminuição de estereótipos equivocados. A conscientização da família para dar o suporte necessário a meninas de modo a prosseguirem em carreiras no mundo tecnológico é uma medida de extrema importância, muitas mulheres são desestimuladas de continuar na área da computação devido à falta de apoio de seus parentes, esse processo acontece devido a construção de padrões preestabelecidos enraizados em nossa sociedade.
Em resumo, precisamos de mais mulheres no campo computacional, pois a cada dia que passa a demanda por empregos na área só aumenta. Além do mais, a diversidade melhora o desempenho do projeto e seu resultado final, trazendo mais criatividade ao abordar pontos de vistas ainda não explorados. Ao expandirmos a visão sobre determinados problemas podemos alcançar objetivos antes pouco prováveis. A decisão de seguir ou não na carreira da tecnologia não deve ser tomada por meio de concepções ultrapassadas aprendidas no tempo em que éramos mais novos. O que está em jogo aqui é mão de obra, capital humano, paixão e entusiasmo e isso é totalmente independente do sexo do indivíduo. As dificuldades ainda são muitas, mas essa situação tende a melhorar num futuro não tão distante.
Ada Lovelace. Wikipédia, 2021. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ada_Lovelace
Carreira em tecnologia para as mulheres, quais são os obstaculos e o que fazer para supera-los, 2019. Disponível em: https://www.napratica.org.br/carreira-em-tecnologia-para-mulheres/
Porque áreas como ciência e tecnologia ainda têm poucas mulheres? Disponível em: https://observatorio3setor.org.br/noticias/por-que-areas-como-ciencia-e-tecnologia-ainda-tem-poucas-mulheres/