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14/01/2021 18:43:52
Grandes nomes já passaram pela área de computação, dentre eles Alan Turing, Steve Jobs, Bill Gates, James Gosling e tanto outros. Mas dentro desse mundo também houveram mulheres que se destacaram e marcaram seu nome na história, afinal “Lugar de mulher é onde ela quiser”, dentre elas Sheryl Sandberg, Carol Shaw, Paula Bellizia e tantas outras.
A primeira turma de ciências da computação do IME(Instituto de Matemática e Estatística) de São Paulo, contava com 20 alunos, sendo 14 mulheres e 6 homens, ou seja, 70% da turma era composta por mulheres. Já em 2016, a turma contava com 41 alunos, sendo apenas 6 meninas, ou seja, 15%. Entre as décadas de 70 e 80, houve uma grande inversão de gênero da área de tecnologia no mundo todo, mesma época em que surgiu o computador pessoal(PC).
Antes da criação do PC, o computador era uma máquina para realizar cálculos e processamento de dados, atividades que eram comuns no secretariado. Com a chegada dos PCs nas casas, seu uso foi popularizado, voltada principalmente para jogos. Para a professora Renata Wassermann, foi ai que o computador começou a ser mais associado ao gênero masculino, “Quando os jogos começaram a se popularizar, acabou ficando estigmatizado como ‘coisa de menino’. Já no início dos anos 1970, era tudo muito abstrato, ninguém tinha computador em casa, então computação tinha mais a ver com a matemática, e o curso de matemática tinha mais meninas do que o de computação. O curso de computação não era muito ligado à tecnologia porque a gente não tinha computadores pessoais. Isso mudou bastante e agora o curso se refere mais à tecnologia do que à matemática”.
Um estudo realizado em Southeastern Louisiana University, nos EUA, relata que as meninas são menos estimuladas às carreiras de tecnologia. Propagandas midiáticas, educação e a própria familia influênciam na criação do esteriótipo de que homens são melhores na área de exatas e as mulheres se dão melhor em humanas.
Nos últimos anos, surgiram várias organizações para tentar reverter esse quadro, criando projetos para estimular mulheres de todo o mundo. Um desses projetos é o Technovation Summer School for Girls, que ensina meninas de 10 a 18 anos a desenvolver aplicativos que contribuam para solucionar problemas sociais, onde também é apresentado para elas as possibilidades nas carreiras de tecnologia e empreendendorismo. Outro projeto que tem bastante sucesso é o PrograMaria, lançado em 2015 pela jornalista e empreendedora Iana Chan, ele nasceu a partir de um grupo de programação para mulheres. Onde, após se reunirem para para pesquisar sobre tecnologia e discutir a presença das mulheres na área, o grupo identificou vários obstaculos que contribuem para afastar as meninas e mulheres desse mundo, um deles é a falta de exemplos que tragam inspiração para o ingresso nos cursos, além do preconceito, que apontam uma ideia de que a tecnologia é algo masculino.
É possível verificar que embora existam várias figuras femininas que se destacaram na área da computação, é evidente que não são faladas ou enaltecidas no cotidiano. Logo não é transmitido confiança para as meninas que desejam ingressar em cursos da área, além do constante problema com o preconceito, então, é necessário, além de projetos, uma conscientização de todos que compõem a área, para que incentivem essas meninas e mulheres a tomar seus rumos na computação.
Com isso feito, além de ser quebrado esse tabu, será resolvido também um problema muito recorrente da área, a falta de mão de obra. Onde o número de cursos de computação cresceu 586% nas últimas décadas, tendo caido o percentual de mulheres matriculadas nesses cursos de 34,8% para 15,5%, segundo o INEP. Mas esse não é só o cenário do Brasil, o EUA também vive de extrema necessidade dessa mão de obra. Diante disso, é possível destacar a extrema importância da volta das mulheres à computação, tanto para a quebra do tabu que foi levantado a cerca disso, quanto para o crescimento da economia brasileira e mundial.
Santos, Carolina.Por que as mulheres “desapareceram” dos cursos de computação?. Jornal da USP, 2018. Disponivel em: https://jornal.usp.br/universidade/por-que-as-mulheres-desapareceram-dos-cursos-de-computacao/. Acesso em: 14/01/2021
Andrade, Rodrigo. A retomada do espaço da mulher na computação. Revista Pesquisa, 219. Disponivel em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-retomada-do-espaco-da-mulher-na-computacao/. Acesso em: 14/01/2021
Mulheres em Computação. Bitgirls, 2019. Disponivel em: http://www.bitgirls.dcc.ufmg.br/modelos.html. Acesso em: 14/01/2021