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14/01/2021 13:09:10
Em 1974 se formava a primeira turma de Ciência da Computação da USP, composta de 15 alunas e 6 alunos e configurando cerca de 71% de mulheres no curso. 40 anos depois o que vemos é totalmente o oposto, com a participação feminina em torno de 10% das turmas de computação. O que aconteceu para isso ocorrer? O que podemos fazer para reverter essa realidade?
Segundo a USP, entre 2012 e 2017, apenas 9% dos alunos formados no curso de Ciência da Computação eram mulheres; no Bacharelado em Sistema da Informação, foram 10% e em Engenharia da Computação, 6%. Se antes de nomes como Bill Gates e Steve Jobs aparecerem, a computação era ocupada em sua grande maioria por mulheres, sendo elas as criadoras de inúmeras tecnologias e linguagens de programação, como o COBOL por exemplo, essa inversão pode ser explicada pela popularização dos computadores domésticos, os personal computer, por meio de empresas como IBM e Apple. Segundo a professor do IME, Renata Wassermann, foi nesse período que o computador foi estigmatizado como sendo algo pro público masculino:
“Quando os jogos começaram a se popularizar, acabou ficando estigmatizado como ‘coisa de menino’. Já no início dos anos 1970, era tudo muito abstrato, ninguém tinha computador em casa, então computação tinha mais a ver com a matemática, e o curso de matemática tinha mais meninas do que o de computação. O curso de computação não era muito ligado à tecnologia porque a gente não tinha computadores pessoais. Isso mudou bastante e agora o curso se refere mais à tecnologia do que à matemática.”
A criação de cursos de bacharelados atraiu bastante mulheres da licenciatura em matemática, mas com o passar dos anos e a criação de empregos com bons salários nessa área, os homens foram se interessando mais e mais até haver e inversão no percentual de alunos, passando a ser maioria de homens. Um estudo realizado na Southeastern Louisiana University, nos Estados Unidos, investigou o motivo pelo qual houve essa inversão, concluindo que as meninas passaram a ser bem menos estimuladas à carreiras de tecnologia. Propagandas da mídia se entrelaçaram na cultura, criando o estereótipo de que homens são melhores nos negócios e consequentemente melhores em exatas, enquanto as mulheres são melhores nas áreas de humanas. A falta de representação feminina também pode ser um fator que repelem as mulheres da área. Embora tenhamos importantes nomes femininos ligadas a história da computação, esses nomes são raramente citados.
A Microsoft, por meio de uma pesquisa, demonstrou que por influencia da sociedade em que vivem, as mulheres normalmente são influenciadas a acreditarem ser menos capazes de atuar em carreiras nas áreas de exatas. Me média, as garotas começas a ter interesse por tecnologia e exatas aos 11 anos. Contudo, aos 15 elas começam a desistir. Dentre as razões, segundo a pesquisa, podemos destacar: ausência de referências femininas na área, a incredibilidade na igualdade de capacidade entre homens e mulheres na área de exatas e a ausência de contato com cálculo e programação antes da faculdade. Hoje há programas para retirar essa exclusividade masculina na computação. Algumas propostas como o Blog Mulheres na Computação, procuram incentivar, debater e difundir temas relacionados a tecnologia e empreendedorismo sob a ótica de jovens mulheres. Em Pernambuco, temos o MINAS( Mulheres, Inovação, Negócios e Artes), um programa de equidade de gênero criado m 2017 pelo Porto Digital e que passou a incluir estratégias para aumentar e fortalecer a participação das mulheres no setor de inovação tecnológica. Além disso os homens também devem ser incentivados a contribuírem nesse papel de atrair mulheres de volta a área, diminuindo o preconceito e o sexismo hoje presente.
O desenvolvimento de programas por parte de empresas grandes como a Google e o incentivo desde a educação base será um diferencial para o aumento gradativo da participação das mulheres na área tecnológica, em especial na computação. Mudar um fator cultural é difícil, mas com a difusão de informações e a descaracterização da computação como sendo algo voltado ao público masculino será o primeiro passo para que as mulheres voltem a ocupar um espaço que nunca deveriam ter saído. Precisamos de mais mentes trabalhando nessa área, e quanto mais mentes diversas, maior será a contribuição para a humanidade.
MULHERES EM INOVAÇÃO, NEGÓCIOS E ARTES (MINAS). PortoDigital, 2020. Disponível em: <portodigital.org/capital-humano/iniciativas-para-a-diversidade/mulheres-em-inovacao-negocios-e-artes-minas>. Acesso em: 14, jan.2021.
SANTOS, Carolina. Por que as mulheres “desapareceram” dos cursos de computação?. Jornal da USP, 2018. Disponível em: <https://jornal.usp.br/universidade/por-que-as-mulheres-desapareceram-dos-cursos-de-computacao/>. Acesso em: 14, jan.2021.
ACHUTTI, Camila. Mulheres na computação.2018. (12m41s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Qq9h2vVBZmQ&feature=emb_title&ab_channel=TEDxTalks>. Acesso em: 14, jan.2021.