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09/01/2021 21:35:38
A tecnologia da informação(TI) causa um impacto global em vários aspectos, e uma das principais tendências do desenvolvimento sustentável é abordar o que pode ser feito para reduzir os impactos que a TI causa no meio ambiente. Essa área é chamada de TI verde e possui alguns pontos chaves para o sucesso, como a melhoria da eficiência energética de dispositivos, utilização de substâncias menos nocivas ao meio ambiente, e o descarte responsável do chamado “Lixo Eletrônico”. No final de 2019, a união europeia declarou “guerra” contra o lixo eletrônico, e que estaria tomando medidas e definindo diretrizes que outras empresas devem seguir para mitigar esse problema, como facilitando o reparo de equipamentos eletrônicos, evitando o descarte, e outras medidas, como anunciado em 2020, que todas as empresas fabricantes de telefones que operam na união europeia devem utilizar um modelo comum de cabo de carregador, medida também para facilitar o reuso e desperdício desse tipo de produto eletrônico.
Segundo dados da União Europeia, a Europa é o segundo continente que mais produz lixo eletrônico, ficando atrás apenas da Ásia. Na Europa, são produzidos anualmente mais de 12 milhões de toneladas de lixo eletrônico anualmente, que incluem lâmpadas, televisores, geladeiras , computadores e outros. Buscando diminuir a necessidade do descarte de dispositivos eletrônicos, muitos lutam com as grandes fabricantes pelo “direito de reparo”(right to repair), para que os consumidores tenham o direito de conseguir reparar seu produto em caso de defeito, e evitar produtos que tornem-se descartáveis após aparecer algum defeito mínimo. Essa questão do direito de reparo também coloca em evidência a seguinte pergunta: Quanto tempo deve durar um produto eletrônico para que ele seja considerado sustentável? Ainda não existe um modelo que consiga determinar quantos anos um dispositivo deve durar para que ele seja considerado sustentável, mas entende-se que se um produto for mais fácil de reparar, menos terão que ser produzidos, e menos lixo será gerado. Em um exemplo, especialistas consideram que para ser considerada sustentável, uma máquina de lavar deveria durar pelo menos 20 anos, com reparos, porém a vida útil média desse produto hoje são 11 anos.
Para o impacto da emissão de carbono na atmosfera, várias empresas têm tomado medidas para ao longo do tempo irem diminuindo o seu impacto de operação, e com a meta atingir a neutralidade na emissão de carbono. Atingir essa neutralidade significa que durante a operação da entidade ela remove da atmosfera a mesma quantidade de dióxido de carbono que coloca. Um exemplo é a Federação Internacional Automobilística(FIA), que por meio das categorias esportivas que promove, incentiva as diversas equipes a procurar inovações tecnológicas e sustentáveis para os desafios de cada categoria. A FIA definiu seu calendário de metas a serem cumpridas de 2021 até 2030, para atingir a neutralidade na emissão de carbono em sua operação, começando com a implementação de um combustível 100% sustentável que atendem a especificações rigorosas definidas pela própria FIA. A FIA não é a única empresa a se comprometer com esse tipo de meta de sustentabilidade, empresas como Apple, Unilever e Amazon têm essa mesma meta, para 2030, 2039 e 2040 respectivamente. Já a Microsoft considera que apenas a neutralidade não é o suficiente, e que quer ser negativa na emissão de carbono até 2030.
Está claro que o problema do lixo eletrônico precisa ser resolvido, e que precisa da colaboração de grandes empresas, e também dos consumidores, que devem pesquisar se as alegações de uma empresa sobre a sustentabilidade de sua operação realmente são reais. Algumas decisões tomadas por empresas em prol da preservação do meio ambiente podem inclusive sair com anti-consumidor, por isso é realmente importante validar se as decisões de cada empresa realmente trarão o impacto positivo ou não para o meio ambiente. Para promover a sustentabilidade, grandes empresas devem se ajustar para reduzir o impacto da sua operação e melhorar a longevidade e reparabilidade dos seus produtos, já os consumidores devem se preocupar com o uso e descarte sustentável dos produtos, evitando desperdício de energia e descarte irregular desse tipo de produto.
FIA INTRODUCES SUSTAINABLE FUEL INTO FORMULA 1 AND COMMITS TO BECOMING CARBON NEUTRAL FROM 2021 AND NET ZERO BY 2030, FIA, disponível em: https://www.fia.com/news/fia-introduces-sustainable-fuel-formula-1-and-commits-becoming-carbon-neutral-2021-and-net-zero
More companies want to be “carbon neutral.” What does that mean?, VOX, disponível em: https://www.vox.com/the-goods/2020/3/5/21155020/companies-carbon-neutral-climate-positive
Call to introduce common charger for all mobile phones, European Parliment, disponível em: https://www.europarl.europa.eu/news/en/agenda/briefing/2020-01-13/13/call-to-introduce-common-charger-for-all-mobile-phones
Apple joins list of companies promising to go carbon neutral, Marketplace, disponível em: https://www.marketplace.org/2020/07/22/apple-joins-list-of-companies-promising-to-go-carbon-neutral/
The EU declares war on e-waste, DW, disponível em: https://www.dw.com/en/the-eu-declares-war-on-e-waste/a-51108790