rannierylp@gmail.com
09/01/2021 20:05:10
Pensar em práticas sustentáveis tem se tornado cada vez mais urgente no mundo moderno. O hiperconsumo e o descarte exacerbado de itens que se tornam obsoletos cada vez mais rapidamente são elementos que levarão a humanidade a uma crise iminente. Trazendo à tona a barbárie da ética e da estética, Lipovetsky (2006) conclui que a atual sociedade do hiperconsumo deve criar formas de sustentabilidade, não sendo apenas destrutiva, como se vem observando, mas também responsável. O que ainda é um objetivo a ser alcançado é exatamente esta auto responsabilidade, que ainda está longe de ser enxergada por muitos indivíduos.
Para entender a situação atual do meio ambiente de maneira panorâmica, faz-se necessário refletir sobre o modelo econômico vigente e a evolução dos seus impactos. As práticas de consumo previamente mencionadas se relacionam diretamente com o Capitalismo, que em sua estrutura fortalece determinadas maneiras de agir sobre bens e serviços.
“A aceleração da crise ecológica remonta ao século XVIII, com a Revolução
Industrial, levando a forma capitalista de produzir a avançar destrutivamente sobre o meio ambiente, no intuito de fazer cumprir aquilo que lhe é próprio: a acumulação e a reprodução ampliada do capital. Devastação de florestas, extração predatória de recursos naturais,
poluição de rios, etc. configuram o modus operandi da desregulada produção capitalista.” (LEITE, 2016)
Porém, quando se leva em conta os avanços tecnológicos no acesso à informação, é possível observar alguns novos caminhos e possibilidades. Histórias inspiradoras surgem e se tornam marcos para o desenvolvimento de políticas e práticas sustentáveis. Um grande exemplo é a americana Lauren Singer, que na sua época de estudante de Meio Ambiente na universidade de Nova York criou o blog Trash is for tossers, onde compartilhava o seu estilo de vida onde havia desperdício mínimo. Em sua página ela exibia as duas pequenas jarras de vidro onde estava todo o lixo que ela produziu em 2 anos.
Blogs como este fortaleceram o movimento zero waste, que mobilizou muitos jovens ao redor do mundo que passaram a compartilhar suas dicas para reduzir a produção de lixo. Fazer a própria pasta de dente ou desodorante, maneiras de fazer compostagem em casa e outras práticas se tornaram populares e possíveis para muita gente. Isto com certeza foi uma vantagem trazida pelo mundo digital, que facilita o acesso à informação através de poucos cliques.
Por outro lado, o crescente uso de novas tecnologias vem gerando um grande problema: o descarte de eletrônicos. Em 2019, foram geradas mais de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo, dos quais apenas 10 milhões de toneladas foram descartadas de forma correta e recicladas. A quantidade de aparelhos eletroeletrônicos está crescendo de 3% a 4% ao ano. Assim, até 2025 estaremos desperdiçando 60 milhões de toneladas ao ano, o equivalente a 290 mil Estátuas da Liberdade. Para se ter uma ideia, no mesmo ano, o sistema de coleta de lixo do estado de São Paulo teve como materiais mais coletados em primeiro lugar por acessórios para impressoras, como cabos(8 mil unidades coletadas), seguido por eletroportáteis, como liquidificadores, mixers e purificadores de água(6.497 unidades) e celulares(4.144 unidades). Além do prejuízo ao meio ambiente existe o prejuízo financeiro, por exemplo, com a destinação inadequada do lixo eletrônico, estima-se que até hoje 7% do ouro do mundo tenha sido perdido. Tomamos como exemplo celulares antigos e placas de computadores, podemos encontrar ouro e prata que geralmente são descartados junto com o lixo comum. É possível fazer a reciclagem desses metais e reutilizá-los na produção de novos produtos.
Faz-se então necessário que medidas para um descarte seguro destes materiais sejam estudadas e incentivadas, uma vez que seus impactos são extremamente maléficos ao meio ambiente.
Logo, ao observar este panorama a respeito das relações entre a sustentabilidade e o meio digital, é possível concluir que é necessária uma compressão exatamente do significado deste termo: sustentável. Se não atingirmos este equilíbrio entre o consumo e o trato do meio ambiente, viver com qualidade de vida neste planeta se tornará logo logo algo insustentável. Chegar a esse equilíbrio não é simples, mas pode-se ver que há caminhos. A humanidade só precisa aprender a segui-los.
LEITE, I. (2015). Educação Popular, ontem e hoje: perspectivas e desafios. Revista Espaço Acadêmico, 15(176), 89-98. Disponível em: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/28156
LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. Companhia das Letras, 2017.
SINGER, Lauren. Trash is for tossers. Disponível em: https://www.trashisfortossers.com
Green Eletron, 5 Curiosidades sovre o lixo eletrônico. Disponível em: https://www.greeneletron.org.br/blog/5-curiosidades-sobre-o-lixo-eletronico