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09/01/2021 13:26:38
Nos países desenvolvidos, muitas das inovações que foram produzidas têm causado grandes mudanças na maneira como fazemos pesquisa, nos relacionamos ou fazemos negócios. Como é o caso dos Estados Unidos, que abriga um dos maiores polos de tecnologia, desenvolvimento e pesquisa do mundo, o vale do silício. Mas apesar de muitas dessas inovações serem produzidas nos Estados Unidos, os profissionais que trabalharam ou foram autores das inovações em grande parte vieram de outros países.
Esta grande fuga de profissionais pode ser observada em relação ao Brasil para com os Estados Unidos. Em uma pesquisa feita pela Institute For Employment Research mostrou que, em 2010, mais de 12 mil homens optaram por migrar do Brasil para os Estados Unidos, sendo 42,1% com alta qualificação. Um padrão semelhante ocorre no caso das mulheres, em que das mais de 15 mil mulheres que migraram para os Estados Unidos, 42,8% têm alta qualificação.
O fato da grande importação de profissionais em países desenvolvidos é causado por um fenômeno conhecido como de fuga de cérebros ou brain drain. Fuga de cérebros trata-se da emigração de profissionais altamente capacitados e talentosos, como cientistas, engenheiros e técnicos para países mais desenvolvidos que seus países de origem em busca de melhores oportunidades de emprego, benefícios, reconhecimento ou remuneração.
Para o país que importa estes talentos, trata-se de uma situação extremamente vantajosa, pois tratam-se de mentes capacitadas, capazes de contribuir não só com a pesquisa e desenvolvimento do país como também com a economia. Para os países menos desenvolvidos “exportadores” de talentos a perda de talentos resulta em um grande desperdício de seus recursos, pois os mesmos estariam investindo em um profissional ao qual não ficará no país, isso também se soma ao aumento da dependência do país que “exporta” talentos com tecnologias, recursos e serviços vindo de outros países, que muitas vezes são países aos quais muitos profissionais decidiram emigrar.
Das possíveis causas que levam profissionais capacitados a deixar o país onde nasceram para se aventurar no estrangeiro podemos citar a falta de oportunidades no mercado do país de origem, que muitas vezes é resultante da falta de investimento por parte das instituições governamentais. Outro fator mencionado como uma das causas principais, em uma postagem feita por José Diniz pela revista Leia Já, seria a falta de conexão do mercado com as universidades, o que diminui as perspectivas de emprego de profissionais recém formados e a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Uma vez sem perspectivas no próprio país, os mesmos não hesitam em buscar oportunidades no estrangeiro.
As causas da evasão de profissionais ficam cada vez mais evidentes quando olhamos para o Brasil. O país com uma das maiores cargas tributárias, e uma das maiores taxa de juros do mundo, que também é considerado como um dos países mais burocráticos e corruptos do mundo tais fatores somados a diminuição dos investimentos por parte do governo em pesquisa e desenvolvimento tem servido de desestímulo para pessoas cientistas, empresários e técnicos a continuarem investindo seu tempo recursos e dinheiro em um ambiente que é extremamente desvantajoso para inovação e empreendedorismo.
Situações de países como o Brasil acabam deixando os profissionais com poucas opções, que por outro lado só teriam a ganhar caso decidam buscar oportunidades em países mais desenvolvidos. Em uma entrevista ao jornal BCC o biólogo Glauco Machado comenta sobre as possíveis causas da evasão de pesquisadores: “Ela tem a ver com a redução do número de bolsas, o baixo valor das de mestrado e doutorado, que não são reajustadas há vários anos, e o pessimismo em relação a uma futura contratação …” MACHADO, Glauco 2020. Ou seja, sem perspectivas favoráveis os profissionais acabam optando por sair do país.
Apesar dos impactos negativos na “nação exportadora de cérebros"" causadas pela grande evasão de talentos, quem pode culpar estes profissionais por buscarem oportunidades melhores? Quem de nós não faria o mesmo havendo os meios e as oportunidades necessárias? Se a falta de perspectiva de um futuro promissor é o que faz com que os profissionais saiam do país, melhorar as perspectivas no país de origem é o que os fará ficar. Políticas de retenção de talentos são necessárias para mitigar a grande “fuga de cérebros”.
Brücker H., Capuano, S. and Marfouk, A. (2013). Education, gender and international migration: insights from a panel-dataset 1980-2010, mimeo.
SANTIAGO, Emerson. Fulga de Cérebros - Atualidades. Disponível em: https://www.infoescola.com/trabalho/fuga-de-cerebros/ , Acesso em: 09/01/2021
DINIZ, José. Como evitar a evasão de nossos cientistas, Disponível em: https://www.leiaja.com/coluna/2018/04/04/como-evitar-evasao-de-nossos-cientistas-brain-drain-ou-fuga-de-cerebros, Acesso em: 09/01/2021
SILVEIRA DA, Evanildo. Fulga de cérebros: os doutores que preferiram deixar o Brasil para continuar as pesquisas em outro país. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51110626 , Acesso em: 09/01/2021
ROITMAN, Isaac. Fulga de cérebros, uma calamidade para o Brasil. Disponível em: https://noticias.unb.br/artigos-main/3942-fuga-de-cerebros-uma-calamidade-para-o-brasil , Acesso em: 09/01/2021