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08/01/2021 20:57:53
A educação é sempre focada como um do pilares de qualquer país pois é através dela que podemos formar profissionais qualificados e com eles fazer o país crescer economicamente. Porém são justamente esses profissionais qualificados que acabam migrando para países cujas oportunidades e investimentos nas áreas de ciências são muito superiores. Esse fenômeno de migração é denominado “fuga de cérebros”. Neste ponto, quais são as causas mais detalhadas dessa migração da mão de obra qualificada? O que os países podem fazer para reduzir essa migração?
A “fuga de cérebros”, ou brain drain em inglês, é uma expressão criada pela Royal Society of London for the improvement of natural knowledge (Real Sociedade de Londres para o melhoramento do conhecimento natural), fundada em 1660, destinada a promoção do conhecimento científico. Os Estado Unidos são atualmente o país que mais recebe as melhores mãos de obra do mundo, ainda que gere muitos profissionais qualificados em seu território. E é por conta desses “cérebros” que vemos os Estados Unidos estarem a frente no desenvolvimentos de tecnologias de ponta tendo como desenvolvedores pessoas de nacionalidades indianas, árabes, latinos, inclusive brasileiros. Do outro lado, o país perdedor fica carente de granes potenciais de inovação, o que é extremamente ruim para a economia do país perdedor.
Dentre as causas desse fenômeno no Brasil, podemos ressaltar a falta de investimento do país e das empresas que aqui estão em ciência e tecnologia, com o investimento do governo federal decrescendo a cada ano desde 2015 e atualmente correspondendo à 1,3% do PIB, segundo a SBPC, Ipea e Unesco. Mesmo diante da pandemia, onde fica claro a necessidade de investimento no setor tecnológico, há essa queda que somado a situação econômica do país, alta carga tributária e a extrema burocracia para conseguir equipamentos e insumos para pesquisa ou mesmo para criar alguma empresa, aumenta cada vez mais a quantidade de brasileiros migrando para outros países como Portugal, Estados Unidos e Canadá. Mesmo em 2015, ano em que o Brasil investiu mais dinheiro no setor de Ciência e Tecnologia (cerca de 13,97 bilhões de reais), segundo a CAPES e o CNQP, quase 50 mil cientistas saíram do Brasil para universidades estrangeiras, especialmente para os setores de medicina, engenharia e cinematografia. Ilustrando a situação de outros países da América Latina, uma pesquisa no ano 2000 mostrou que naquele ano a Argentina perdeu 2.9% dos seus profissionais, o Brasil 3.3%, o Chile 5.3%, o Equador 10.9%, a Colômbia 11% e o México 14.3%.
Para reduzir a crescente fuga de cérebros, o país deve investir em oportunidades para esses profissionais trabalharem e desenvolverem seus projetos. Um grande exemplo é o Porto Digital, no Recife, um polo tecnológico responsável por 4% da arrecadação do imposto sobre serviços da cidade e que serve de base para outras cidades no Brasil. O Porto Digital está instalado no bairro do Recife Antigo, um património histórico de Recife, mas com pouco uso. Completando vinte e um anos de idade em 2021, o Porto Digital tem números de Vale do Silício brasileiro: quase 12000 empregos diretos. Isso com um apoio inicial de 30 milhões de reais do governo federal, muito pouco perto dos bilhões de reais investidos na indústria automobilística e outros setores considerados estratégicos. O maior conceito do Porto Digital é seu componente urbano, profissionais chegam muitas vezes de bicicleta, de ônibus, são jovens com grandes ideias e potencial para serem futuros CEO. Essa grande quantidade de empregos gerou um aumento considerável em carreiras como ciência da computação, engenharia da computação e de software, sistema de informação e licenciatura em computação. Em Recife, há uma estudante nessa área para cada 346 habitantes, sendo a maior proporção entre todas as capitais com mais de 500 mil habitantes. Em São Paulo, há um para cada 704 (15º lugar entre 23). Mais de 300 empresas digitais surgiram ali, como Mr. Plot (do Mundo Bita), Neurotech, Insole e In Loco, a grande maioria se instalando e restaurando casarões históricos. Gigantes como Accenture, Microsoft e Samsung abriram escritórios ali para aproveitar o ambiente. O crescimento do Porto Digital em questão de espaço só não é maior devido à grande burocracia e lentidão do patrimônio.
Tendo em vista que enquanto houver discrepância no investimento na área de ciência e tecnologia, países como o Brasil irão continuar a ceder profissionais qualificados para outros países e por consequência, o desenvolvimento econômico continuará lento e passará ainda mais temos para deixar de se um país cuja economia tem como base o setor primário. O investimento na educação de base também é fundamental para termos mais e mais estudante preparados para o mundo universitário. Uma maior conexão entre as universidades e o mercado de trabalho. E por fim, oferecer benefícios ou incentivos fiscais para as empresas privadas em caso de inovação em novas tecnologias ou ideias que sejam desenvolvidas por seus funcionários.
DINIZ, Janguiê. Como evitar a evasão dos nossos cientístias. LeiaJa, 2018. Disponível em: < https://www.leiaja.com/coluna/2018/04/04/como-evitar-evasao-de-nossos-cientistas-brain-drain-ou-fuga-de-cerebros>. Acesso em: 08 jan.2021
SANTIAGO, Emerson. Fuga de Cérebros. Infoescola, 2018. Disponível em: < https://www.infoescola.com/trabalho/fuga-de-cerebros/>. Acesso em: 08 jan.2021.
LORES, Raul. Emprego, restauro e vida de rua: o que aprender com polo tecnológico de PE. VejaSãoPaulo, 2020. Disponível em: < https://vejasp.abril.com.br/blog/sao-paulo-nas-alturas/polo-digital-recife-vale-do-silicio-brasileiro/>. Acesso em: 08 jan.2021.