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04/01/2021 20:38:31
Computadores, notebooks, smartphones, tablets, e tantos outros dispositivos que hoje fazem parte do nosso dia a dia. A tecnologia está aí, e querer ignorá-la é tentar andar para trás; é rejeitar que o futuro bateu na nossa porta, entrou em nossa casa, e em nosso lar fez morada; é desmerecer que a evolução natural do que antes se restringia a um rádio de pilha, aconteceu.
É inegável que os inúmeros recursos tecnológicos baseados em dispositivos computacionais que nos geram todo tipo de informação nos auxiliam nesse novo cotidiano acelerado em que vivemos, e também é inegável que tais recursos tecnológicos são modificados numa velocidade espantosa, sendo até difícil de acompanhar. É só pegar como exemplo nossos smartphones, que por mais que sejam atualizados, provavelmente já saiu algum modelo mais atualizado, com câmera com mais megapixels, tela maior, ou algo do tipo. Enfim, o avanço é frenético, e cada vez mais o mundo se enche de todo tipo de máquina.
Dentro desse contexto de um mundo abarrotado de chips e circuitos surgiu, quase que inevitavelmente, uma preocupação com o meio ambiente que nos cerca, nascendo assim, na década de 1990, a TI Verde, uma tendência global da tecnologia da informação que tem como premissa a preocupação com as questões ambientais, visando a redução do impacto dos recursos tecnológicos no meio ambiente. Em outras palavras, a TI Verde aparece como uma coleção de práticas para tornar o uso da tecnologia algo mais sustentável e menos danoso ao meio ambiente, como, por exemplo, recursos tecnológicos que gastem menos energia, e/ou, que tenham um gerenciamento melhor; que utilizem menos materiais tóxicos em seu processo de produção; que reduzam a emissão de gases que causam o efeito estufa; que possam ter materiais recicláveis; etc.
Empresas do mundo todo estão aderindo a iniciativa da TI Verde, com uma verdadeira preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade. Em 2020, duas empresas muito conhecidas por profissionais da computação entraram na lista das seis mais sustentáveis do mundo, sendo elas a Autodesk Inc. (em 5º lugar) e a Cisco Systems Inc. (em 4º lugar). A Cisco conseguiu reduzir em 49% a emissão dos gases de efeito estufa, e vem fazendo uso de energias renováveis de maneira gradativa, estando na casa dos 80% de sua energia vindas de origens renováveis. A Autodesk, por outro lado, é um caso de sucesso completo, pulando do 48º lugar em 2019, para 5º em 2020, graças a 100% de uso de energia renovável, além da total migração de reuniões e eventos do mundo real para o mundo virtual, reduzindo a emissão de gás carbônico.
Porém, não são todas as empresas que aderiram ao movimento da TI Verde, e talvez o que mais preocupe o mundo hoje é a questão do descarte dos dispositivos eletrônicos. Infelizmente não existe uma educação para a população, empresas e empresários, sobre o descarte consciente de certos aparelhos, e muitas pessoas e empresas preferem jogá-los no lixo comum, sem se preocupar com a degradação ao meio ambiente que tais equipamentos trazem. Vários dos aparelhos que usamos no dia a dia tem substâncias tóxicas, como o mercúrio, que aparece em algumas baterias, e o chumbo, material muito usado em eletroeletrônicos.
As consequências de tais descartes são devastadoras para o meio ambiente, e ficou conhecida mundialmente como Electronic Waste (E-Waste). Anualmente são descartados cerca de 50 milhões de toneladas de materiais eletrônicos, e desses, 70% vão parar em países pobres, principalmente na África. O maior exemplo disso é o distrito de Agbogbloshie, em Accra, capital de Gana, onde uma pesquisa realizada em 2019 constatou que ovos de galinhas que viviam nos arredores do local, se consumidos por humanos, traziam um excesso de 220 vezes os limites de substâncias químicas aceitáveis para o nosso corpo. Um outro exemplo é o solo do local, que infelizmente foi considerado morto.
Outro dado alarmante vem da cidade de Guiyu, na China, onde o solo registra uma das maiores concentrações de substâncias químicas e materiais pesados do planeta. Cerca de 80% das crianças de Guiyu sofrem com envenenamento por chumbo graças ao nível da substância na água, sendo 2.400 vezes maior que o considerado seguro. Estudos também mostram que, graças a essas substâncias e materiais, danos são frequentes aos pulmões, fígados, rins e sistema nervoso, sendo observado também casos de câncer de variados tipos, e leucemia.
Computadores, notebooks, smartphones, tablets, e tantos outros dispositivos eletrônicos que hoje fazem parte do nosso dia a dia, e são nossa realidade, estão no mundo para nos ajudar e melhorar nossa produtividade, mas, pra tudo, existe um preço. Movimentos como o da TI Verde são muito bem vindos, e apesar de grandes empresas estarem aderindo a essa ação, promovendo o desenvolvimento sustentável, ainda é necessário um grande esforço para educar não só a população mundial, mas também empresas e empresários que parecem acreditar que a matéria prima usada para produzir os produtos eletrônicos será eterno. Locais como Agbogbloshie, em Gana, e Guiyu, na China, estão diariamente nos dando o alerta de que, se nós não cuidarmos do nosso planeta de maneira sustentável, o planeta não irá se sustentar sozinho, e quem será mais prejudicado seremos nós mesmos.
Sustentabilidade e tecnologia: como alcançar melhorias para a sua gestão?. Microcity Exclusive, 2020. Disponível em: <https://www.microcity.com.br/sustentabilidade-e-tecnologia-como-alcancar-melhorias-para-a-sua-gestao/>. Acesso em: 04 jan. 2021.
TI Verde. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/TI_verde> Acesso em: 04 jan. 2021.
Conheça as empresas mais sustentáveis do mundo. Econômica Telemetria, 2020. Disponível em: <https://economicatelemetria.com.br/blog/sustentabilidade/conheca-as-empresas-mais-sustentaveis-do-mundo/2020/>. Acesso em: 04 jan. 2021.
Lixo eletrônico da Europa causa contaminação grave nos alimentos de Gana. Revista Galileu, 2019. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2019/04/lixo-eletronico-da-europa-causa-poluicao-grave-nos-alimentos-de-gana.html>. Acesso em: 04 jan. 2021.
MARINHO, Julia. O lado sujo da era digital: saiba onde seu PC velho vai parar. Tecmundo, 2020. Disponível em: <https://www.tecmundo.com.br/mercado/153435-lado-sujo-digital-saiba-onde-pc-velho-parar.htm>. Acesso em: 04 jan. 2021.