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09/01/2021 21:25:09
Convencionou-se chamar de nativos digitais, as crianças que nasceram e foram criadas e educadas em um ambiente computacional, em uma época de interação computacional, na qual artefatos e ferramentas computacionais em pleno desenvolvimento influenciam ate nossos dias atuais a criação e a formação das crianças. A chamada quarta revolução industrial, impulsionada pela crescente exponencial de uso e aplicação da internet, fez um marco divisório entre gerações passadas e futuristas. É possível já a partir de 1980 dizermos que vivenciamos o inicio de tempos assim.
Quando se muda o ambiente muda-se também a percepção em relação a este mundo, e para o próprio desenvolvimento da computação, este ponto de partida é primordial. A interação do social delimitam estratégias dos avanços computacionais, direcionam as ciências aplicadas e determinam o quanto e modo de saltos tecnológicos são necessários para mudar o padrão de vida humana em nosso planeta. A questão por hora nos convida a refletir, o quanto isso tem influenciado nossas crianças e até nos mesmo, quando nos deparamos com a questão de saber lidar com o problema de dimensionar o uso das crianças em relação aos computadores.
Como a complexidade do assunto pode nos levar a muitos caminhos diferentes para podermos formular ideias e opiniões sobre a relação de crianças e computação, pode-se partir de um ponto inicial que questiona porque ficamos apegados à tecnologia computacional. Pesquisadores afirmam que o nosso cérebro busca o que dá prazer. Então estudos recentes em neurologia indicam a produção de neurotransmissores específicos, que traduzindo aos detalhes finais, são os que promovem na mente a sensação de bem estar. Isso acontece com as crianças que usam todas as maravilhas de um mundo computacional. Eles nasceram em outro mundo, dizem os pais que também estão inseridos nessa problemática. Mas no caso das crianças torna-se um problema maior, porque nos leva a reconstruir a definição de infância.
Partindo de uso moderado por parte das crianças poderemos elencar pontos positivos no uso das crianças com a tela do computador, o aumento das habilidades cognitiva e motora das crianças, essa pratica moderada também permite a facilitação no processo de aprendizagem, podendo lembrar aqui da gamificação. Na questão da gamificação, observamos cada vez mais adeptos a essa pratica educacional, com resultados bastante positivos. Existe também a questão da socialização da criança, quando algumas delas diminuem a questão de ser introvertida demais e o aprendizado constante de pesquisar informações.
Mas agora partindo para uma analise num contexto de uso exagerado das crianças com a computação, podemos listar alguns pontos preocupantes em nossa sociedade atual, o vicio observado em práticas de jogos e uso de redes sociais de uma forma excessiva. Muitas crianças sente dificuldade em diminuir o uso das redes, observamos também isolamento das crianças com os pais e com as outras crianças, quando usam por muito tempo as telas computacionais. De uma maneira geral tem ocorrido atualmente um agravamento na saúde, em termos de rotinas domésticas, sono prejudicado e baixa atenção em interações e tarefas diárias. Esse quadro patológico já tem sido objeto de estudos recentes em diversas áreas da saúde. Tem-se observado aumento de doenças da visão e do sono. Tanto nossos olhos não se adequaram as tecnologias das telas, como muitas telas emitem radiações, cuja incidência por muito tempo em nossos olhos tem nos prejudicado bastante.
Outras questão também são emergentes nessa interação das crianças com as telas computacionais como a exposição, o bullying e outros crimes realizados através de redes sociais.
Muitas ações no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil tem se mobilizado em um trabalho permanente, no qual estão construindo um modo de lidar com essa situação. Orientações são dadas aos pais, aos educadores nas escolas, aos pediatras e outros médicos e as próprias crianças. No Brasil temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8069 de 1990, que contem artigos que protegem a Criança. A própria Constituição Federal no artigo 5 inciso X, o direito de proteção é assegurado a Criança. Outra Lei, a de 2014, a Lei 12.965 discorre sobre controle, vigilância parental e educação digital. Essa Lei mais atual tem sido mais abrangente no que diz respeito a diversos atores e papeis sociais que contribuem para orientação e proteção das Crianças.
É evidente que demais membros representativos da sociedade, como a classe médica e pesquisadores científicos demandam legislações e complementações legislativas que contribuam de forma positiva para uma convivência tecnológica em sociedade. Fica claro que estamos desenvolvendo uma maneira de se manter sadio, nesse mergulho das coisas tecnológicas que se parecem inofensivas para as Crianças ainda em formação. Fica mais claro ainda a nossa necessidade de sermos éticos enquanto desenvolvedores de telas computacionais para as Crianças, também éticos enquanto Pais moderadores e Educadores que orientam as telas computacionais.
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