huan_lima3@yahoo.com.br
08/01/2021 15:22:17
Estamos dentro explosão tecnológica do século XXI, caracterizado pela inclusão digital mais e mais presente na realidades das pessoas e em especial pelo uso dessas tecnologias cada vez mais cedo. Dentro desse contexto, há um debate sobre a nova babá moderna, os aparelhos eletrônicos com tela que podem ser smartphones, tablets, aparelhos de televisão, etc. Esse debate põe na mesa questões sobre quais os malefícios e benefícios que o uso dessas tecnologias pelas crianças podem trazer. Afinal, o que pode ser considerado saudável para as crianças que já nascem dentro dessa realidade de tecnologias de tela?
Vivemos numa sociedade marcada pela comunicação digital, caracterizada pela multimedialidade (várias tipos de mídia ao mesmo tempo, como por exemplo quando lemos um artigo numa aba do navegador de internet e em outra aba está aberto um vídeo para escutarmos música durante a leitura), pela intermedialidade (convergência das mídias ao digital, como por exemplo já podemos ouvir uma estação de rádio pelo Youtube, abrir caixa de e-mails pela televisão), pela portabilidade(Os smartphones são grandes exemplos por trazerem cada vez mais funções além da original, como funções de computadores, televisões e câmeras) e versatilidade. E meio a isso tudo, não há mais a centralidade das mídias, mas sim as de sujeitos. Somos os protagonistas desse cenário social caracterizado pela multiplicação de telas onde o “surf” pelos canais da televisão se tornaram o “surf” multimidiático.
Diante do quadro acima, é possível observar diferentes possibilidades que fazem parte do cotidiano da criança, tanto em casa, quanto na escola, e o uso desses aparelhos tecnológicos. Somado a isso, de acordo com um estudo feito pela empresa de cibersegurança Kaspersky, cerca de 73% das crianças brasileiras ganham seu próprio smartphone ou tablet antes dos 10 anos de idade. Então nasce uma necessidade de analisar como essa exposição à tela e o contato aberto com múltiplas informações e pessoas influenciam no desenvolvimento da criança. Em bora algumas pesquisas não sejam conclusivas, muitos pesquisadores defendem o controle do tempo de exposição das crianças às telas. De acordo com cada faixa etária, há um tempo máximo recomendado, por exemplo a Sociedade Brasileira de Pediatria adverte que crianças com menos de 1 ano não devem ser expostos aos smartphones e tablets. Esse tempo está ligado diretamente à saúde corporal da criança que pode vir a desenvolver sedentarismo, obesidade, sono prejudicado, ansiedade, irritabilidade, falta de noção de espaço, problemas de concentração, problemas de visão como miopia. Outros riscos podem envolver o fator psicológico da criança como o cyberbullying, o contato com conteúdos legais ou ilegais, impróprios ou inadequados como: pornografia, violência, racismo e outros, pessoas mal intencionadas podem fazer contato através de e-mail, chat, fórum, whatsapp, jogos online com crianças, o comércio e práticas publicitárias não-éticas que atualmente conseguem driblar as restrições impostas pela Lei de Publicidade Infantil(Lei n°: 5.921/2001). Esses riscos em conjunto com o fato de que não há como excluir do forma total a criança, em determinadas faixas etária, do acesso a aparelhos como smartphones configura uma responsabilidade ainda maior dos pais e dos educadores para promover às crianças o melhor uso dos meio tecnológicos.
Sabendo dos riscos do uso de tecnologias e como administrar o melhor uso das mesmas por partes das crianças, os pais podem focar nos benefícios que essa mesma tecnologia trará, preparando a criança para o mundo conectado e digital em que vivemos atualmente. Além do universo de informações com vídeos, textos, imagens sobre todos os temas que a criança precisa estudar, temos determinadas áreas que podem ajudar muito no desenvolvimento do raciocínio lógico, como é o caso da programação. Na programação, a criança aprende o conceito de algoritmo, normalmente ligado à receita de bolo, isto é, o caminho de passos finitos e ordenados que resultam num resultado buscado e que caso algum passo não tenha sido feito ou efetuado de forma errado, o resultado final não será o esperado. Ao aprender esse conceito, as crianças são instruídas à organizar seus pensamentos e pensar de forma estruturada, dessa maneira a criança desenvolve o lado esquerdo do cérebro, responsável pelo raciocínio lógico, analítico e crítico. Isso maximiza a capacidade de organizar tarefas e atividades e até mesmo na maneira de estudar. A programação ajuda em outras áreas como matemática, física e língua inglesa, visto que muitas expressões e palavras dentro da programação estão em inglês. A programação é um enorme exemplo dentro de um leque de possibilidades gerados pelo acesso á tecnologia e que irão preparar as crianças de forma mais completa e adequada para a sociedade atual.
Sabemos que cada caso é uma realidade diferente e há situações onde não há alternativas e o responsável pela criança precisa que a mesma fique entretida para que possa fazer outra atividade com tranquilidade, então os pais e educadores precisão ter ciência dos riscos e saber como prevenir as crianças dos mesmos. A educação é a base para a formação da geração que está nascendo e crescendo dentro dessa realidade, e o desenvolvimento adequado precisa ser explorado tanto pelos pais, quanto pelas escolas e educadores. Temos uma infinidade de benefícios em especial no conhecimento de várias áreas usando os smartphones e outros aparelhos tecnológicos e essa ferramenta, se usada de forma correta, será uma bússola para o futuro das crianças.
Crianças e telas: Especialistas alertam para riscos do uso exagerado das tecnologias. G1, 2021. Disponível em: <http://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/videos/v/criancas-e-telas-especialistas-alertam-para-riscos-do-uso-exagerado-das-tecnologias/7584768/>. Acesso em: 08/01/2021.
Mais de 70% das crianças brasileiras tem o próprio celular antes dos 10 anos. tecnologia.ig.com.br, 2020. Disponível em: <https://tecnologia.ig.com.br/2020-06-18/mais-de-70-das-criancas-brasileiras-tem-o-proprio-celular-antes-dos-10-anos.html>. Acesso em: 08/01/2021.
Silveira, Luis et al. Como a programação pode auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico em crianças, adolescentes e jovens. Anais II Cong. Int. Uma Nova Pedagogia para a Sociedade Futura | ISBN 978-85-68901-07-6 | p. | set. 2016.
Fantin, Monica et al. CRIANÇAS NA ERA DIGITAL: DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO E DA EDUCAÇÃO. REU, Sorocaba, SP, v. 36, n. 1, p. 89-104, jun. 2010.