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04/01/2021 22:40:07
Em tempos antigos, boa parte do conhecimento produzido pela humanidade, caso não fosse passado de forma oral de um mestre para seu aprendiz, era copiado a mão em pergaminhos ou em livros, sendo este tipo de conhecimento um privilégio concedido apenas a uma elite da sociedade com recursos ou influência o suficiente para acessá-lo. Não só o acesso ao conhecimento naquela época era restrito, como também as habilidades necessárias para compreendê-lo, a leitura e a escrita , apesar de ser uma invenção antiga, não era acessível às massas em algumas civilizações.
Com a invenção da imprensa, tendo como grande marco a invenção da prensa com tipos móveis por Gutemberg, a produção de informação escalou de maneira impressionante, para a época. Produzir livros ficou mais barato e bem mais rápido que os métodos tradicionais, facilitando a divulgação de informação e conhecimento, porém na época boa parte da população ainda não sabia ler ou escrever. Com o tempo, para lidar com esta desigualdade, mudanças no sistema educacional dos países permitiu com que o aprendizado alcançasse as drásticas mudanças causadas pelas inovações tecnológicas.
Avançando para o século XXI, mais especificamente entre 2007 ano do lançamento do primeiro iPhone, e 2020. Estamos na era dos smartphones, onde num estudo feito pela Common Sense Media e apresentado no jornal El País, 98% dos lares continham um celular só em 2017. A internet já é considerada a “biblioteca de Alexandria” do mundo moderno, e o smartphone sua porta de entrada. O conhecimento está literalmente ao alcance da ponta de nossos dedos.
Porém, em contraste com os avanços dos sistemas educacionais de tempos antigos em relação aos avanços tecnológicos de suas épocas, sistemas e modelos educacionais têm sido deficitários no quesito evolução relativa às inovações tecnológicas. Muito deste déficit tem se dado por causa da resistência de certos grupos à inclusão da tecnologia em sistemas educacionais, mas por que não utilizar as inovações presentes nas práticas de ensino?
Segundo o jornal El Pais, os assim ditos “gurus digitais” como Steve Jobs ou Bill Gates proibiram o uso de celulares pelos seus filhos até uma certa idade alegando que a exposição excessiva às telas pode afetar negativamente a criatividade e o foco. E segundo o mesmo jornal, existem estudos que relacionam a mesma exposição excessiva a problemas do sono e problemas psicológicos com depressão e suicídio.
Apesar das afirmações alarmantes ainda estudos por um período maior de tempo são necessários para que seja possível dizer quais são os reais impactos negativos da exposição excessiva às telas. E, contrastando com os malefícios da tecnologia, o uso da mesma na educação dos estudantes tem o potencial não somente de auxiliar, como também de aprimorar o aprendizado.
Com a facilidade do acesso à informação vem a diminuição de desigualdades entre classes. Pois, estudantes de famílias com diversos tipos de rendas têm a capacidade de acessar o mesmo tipo de informação. O uso da tecnologia também pode auxiliar na produtividade de profissionais da educação, a partir do uso de plataformas educativas tais como edmodo. E somada a outras diversas vantagens no uso da tecnologia, existe a diminuição do uso de papel.
Mudanças e impactos sociais causados pelas tecnologias são inevitáveis, e já estão acontecendo. E mesmo havendo desvantagens inerentes ao uso da tecnologia na educação, é necessário pensar em maneiras de como tirar proveito das vantagens trazidas pelas inovações antes que a insistência no uso de métodos tradicionais de ensino se torne um obstáculo no desenvolvimento dos estudantes.
O aprender não está mais restrito às quatro paredes das salas de aula. Os estudantes podem agora acessar conteúdos específicos na internet, assistir vídeo aulas das melhores universidades do mundo diversas vezes e entrar em contato remotamente com os professores via aplicativo de mensagem, vídeo-conferências, ou e-mails. Os professores também não estão mais restritos aos materiais base oferecidos pelo currículo escolar, e os mesmos podem utilizar de seu conhecimento para filtrar muito do conteúdo disponível, levando a um aprendizado mais focado e relevante.
Mesmo com todas as vantagens a serem oferecidas, contato e interações humanas ainda são necessários para o aprendizado. Numa reportagem divulgada pelo site UOL 72,6% dos estudantes consideraram o estudo remoto pior que o estudo presencial durante a pandemia. Uma evidência marcante que as tecnologias desenvolvidas, por mais inovadoras que sejam, não podem substituir o fator humano no aprendizado.
Re-inventing Education for the Digital Age, MIDDELBECK, David, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ArI6albrkuY , Acesso em 04/01/2021
Durante a pandemia, 67% dos alunos têm dificuldade para organizar estudos online, OKUMURA, Renata Disponível em https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2020/10/30/durante-a-pandemia-67-dos-alunos-tem-dificuldade-para-organizar-estudos-online.htm?cmpid=copiaecola , Acesso em 04/01/2021
Os gurus digitais criam filhos sem telas, GUMIÓN, Pablo Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/20/actualidad/1553105010_527764.html, Acesso em 04/01/2021
12 Barriers to Innovation in education, HEICK, Terry Disponível em: https://www.teachthought.com/the-future-of-learning/12-barriers-innovation-education/ , Acesso em 04/01/2021
Future of technology in education, NOVOSELTSEVA, Ekaterina, Disponível em: https://apiumhub.com/tech-blog-barcelona/future-technology-education/ , Acesso em 04/01/2021