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26/12/2020 22:54:25
"Bem vindo ao futuro! O ano é 2020, você não precisa mais ir ao banco para pagar boletos, não precisa se deslocar até um restaurante para pegar sua refeição, nem precisa ir a locadora próxima a sua casa para assistir filmes. Em décadas passadas esse cenário seria algo que se pensaria sob a ótica de alguém que viajou com um DeLorean equipado com um capacitor de fluxo ou em outras ficções científicas.
Um termo que vem ganhando bastante notoriedade nos últimos anos é a transformação digital, que é definida por Silvio Meira como: “A destruição criativa, em rede, dos modelos de negócios [tradicionais] provocada pela maturidade das plataformas digitais”. Ou ainda como um fenômeno que incorpora o uso da tecnologia digital às soluções de problemas tradicionais. Mas apesar de seu reconhecimento tardio esse processo já vem ocorrendo a vários anos; em 1983 o banco Bank of Scotland já oferecia um serviço de internet banking para alguns clientes. Até mesmo negócios ilegais se digitalizaram, por exemplo: em 2011 na Darknet(Deep Web) foi lançado o SilkRoad que foi referenciado pelo The Economist como “A amazon.com de drogas ilícitas”. Atualmente, apesar de existir quem ainda seja resistente à ideia, pessoas e empresas têm ao menos um perfil ou página em alguma rede social, e negócios estão sendo feitos cada vez mais pela internet, desde empréstimos bancários até aluguéis de roupas.
Isso só se tornou possível graças ao amadurecimento de um conjunto de fatores, como tecnologias que vão desde protocolos de criptografia e pagamento eletrônico até as redes sem fio. Tudo isto tem levantado questões sociais tais como democratização de acesso à internet e dispositivos eletrônicos. Em 2019, completados 50 anos de idade da internet, 51% da população mundial já possuía acesso a WEB. O Brasil teve 228 milhões de acessos ao mês através de redes móveis e 32,6 milhões em banda larga fixa.
Apesar de ser essencial para a sobrevivência de negócios em tempos de redes sociais e mais horas dentro de casa graças a pandemia do novo coronavírus, a transformação digital não é um processo muito fácil para quem não está habituado. Existem alguns desafios a serem superados, tais como quebrar a resistência a mudanças, investir nas pessoas antes de investir em novas ferramentas (afinal do que adianta um novo programa se quem deveria utilizá-lo não está habituado com tal dispositivo/sistema?), entender e promover o amadurecimento da empresa (para ir para um novo patamar é preciso entender em que etapa se está), encontrar possíveis parceiros (métodos de pagamento, logística, fornecedores, etc.) e a divulgação de seus canais.
Projeções para o futuro indicam que todos os âmbitos profissionais de alguma forma irão se digitalizar; esse processo já começou em áreas antes impensáveis como coleta de materiais recicláveis através de redes sociais, cirurgias realizadas remotamente e até fiscalizações de obras, e a tendência é que cada vez mais áreas sejam abrangidas. Existem plataformas que conectam clientes a serviços como: encanadores, pedreiros, relojoeiros, e mais uma infinidade de outros profissionais.
Quem ainda assim relutar e tentar ficar totalmente de fora deve repensar suas escolhas em algum momento. Ainda no ano de 2019, antes mesmo da pandemia, 97% dos consumidores informaram que consultavam online informações como preço antes de realizar uma compra em loja física, e ainda existe uma parcela dessa amostra que fazem o caminho inverso e realizam a compra online. Não importa qual profissão ou negócio, deve-se preparar, pois este é um caminho sem volta, deve-se buscar alternativas para o modelo de negócio atual, mesmo que seja um caminho para se conectar com seus clientes através de aplicativos de mensagem instantânea, ou ao menos e-mail, ainda que este último esteja cada dia mais em desuso, oferecer trabalho remoto para funcionários quando possível. Em caso de restaurantes, quem não conseguiu prover um serviço de entrega, próprio ou de terceiro, provavelmente enfrentou grandes dificuldades, tendo em vista que de acordo com o Sebrae, 7% dos restaurantes fecharam em todo o Brasil durante o surto do COVID. Um dos principais fatores foi a dificuldade de se reinventar.
Através das diversas revoluções sociais, industriais, econômicas e científicas que tivemos na história da humanidade, muitos serviços, profissões e produtos deixaram de existir, e atualmente vemos o declínio de alguns ofícios com a automatização. Fábricas são ocupadas cada vez mais por robôs ao invés de humanos, máquinas agrícolas aram a terra numa atividade que antes era realizada por humanos e animais, e até mesmo guerras são feitas por meio dessas ferramentas, através de drones pilotados remotamente ou mesmo as chamadas guerras cibernéticas.
Na contramão de tudo isso, existe um movimento retrô que, movido pela nostalgia, vem buscando artigos analógicos como vinis, filmes de câmeras analógicas, bibliotecas físicas, entre outros. Mas ainda assim muitos destes grupos fazem isso de maneira digital, através das redes sociais. Resistir ao avanço da tecnologia digital tem sido cada vez mais difícil, o que nos faz criar expectativas sobre o futuro de inovações que nos espera."
PEIXOTO, E - Transformação Digital: 8 fundamentos para Impacto, 2019 Disponível em: <https://www.cesar.org.br/index.php/2019/03/25/transformacao-digital-8-fundamentos-para-impacto/> Acesso em: 26 de Dezembro de 2020
King, Howard - What is digital transformation?, 2013 Disponível em: <https://www.theguardian.com/media-network/media-network-blog/2013/nov/21/digital-transformation> Acesso em: 26 de Dezembro de 2020
Noberto, Cristiane, Loiola, Catarina - 51% da população mundial têm acesso à internet, mostra estudo da ONU, Correio Braziliense, 2019 Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/11/04/internas_economia,803503/51-da-populacao-mundial-tem-acesso-a-internet-mostra-estudo-da-onu.shtml> Acesso em: 26 de Dezembro de 2020