wellington.cunha@gmail.com
26/12/2020 17:55:16
"Economia Compartilhada
“Os melhores carecem de qualquer convicção, enquanto os piores estão repletos de apaixonada intensidade. O centro não pode resistir”. Lemos o inicio dessa dissertação com uma aparente desconexão temática, que nos levam a uma provocação contextual, como e qual contexto essas palavras ditas pelo poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939) presentes em “O Livro das Citações”, de Eduardo Giannetti, nos conecta com a temática da economia compartilhada. Yeats descreve extremos, e no centro está o capitalismo corporativo sedimentado na economia tradicional que aos poucos rui e não resistirá a sua própria reinvenção. Eduardo Giannetti que é economista faz ponte com a economia do bem-estar para a economia compartilhada. São outros saberes que se permeiam e que se reinventam sobre a ótica materializada na tecnologia da computação.
Quando falamos em escambo, tal palavra nos remente na suposta linha do tempo por nós criada, a algo antigo e ultrapassado, geralmente não nos damos conta de que muitas das coisas inovadoras em nosso dia a dia, são ideias antigas que não se dilui com o tempo. Estão sempre presentes, aguardando o momento exato de reaparecer, como uma ideia nova revestida de todo poder. Assim conecto a palavra escambo a ideia de economia compartilhada. Sem esquecermos da definição abstrata de Economia, e suas conexões politicas, a definição de economia compartilhada, nos leva primeiramente aos aspecto social e a ideia de justiça em termos de valorização. Quando nos pensamos em recursos humanos, físicos ou recursos intelectuais, sendo compartilhados na sociedade de forma econômica, estamos definindo a economia compartilhada. O ator principal são esses valores materializáveis num cenário chamado sociedade. Valores e valorização são distintos e imperceptíveis quanto a sua complexidade.
Mas o conceito de economia compartilhada ainda não é bem definido, ou tem em si sua área de atuação ainda não definida. Assim outros conceitos coadunam com a ideia de compartilhar, como a economia colaborativa, por exemplo, ou ainda as praticas de consumo consciente e suas responsabilidades socioambientais. Isso nos leva a percepção de quem pratica o compartilhamento também curte o mesmo aspecto ideológico. Isso quer dizer que são atores ativos socialmente. Então comprar materiais usados ou sublocar imóveis também contextualiza o compartilhamento. Ideias e definições entram em disputa de uma possível definição clara do que seja realmente a economia compartilhada, enquanto alguns pesquisadores tentam associar diretamente com grupos isolados da economia formal, outros analisam o aspecto subversivo que impactam a logica da economia tradicional.
É importante evidenciar a correlação entre a WEB e o advento da economia compartilhada, as tecnologias computacionais sedimentaram e impulsionaram de maneira imensurável todas as ideias de economia compartilhada. Em um dado momento é possível verificarmos como tudo se relacionam; redes sociais, transformações digitais e mudanças de paradigmas econômicos. Não apenas esses citados, mas todos os aspectos da vida humana sendo impactado pela computação. Podemos lembrar-nos da EAD, do facebook ou dos currículos e vida profissional a disposição do LinkedIN. Para ser bem claro na diversidade de um compartilhamento, vamos analisar o site da estante virtual, ela funciona como uma cooperativa de diversos sebos espalhados no mundo todo, se não tem ainda assim, pode ter com certeza. Nessa logica de compartilhamento, a interface disponibiliza aos clientes exemplares de livros com diversos preços e propriedades do produto, sendo oferecido por vários livreiros. E muitas outras empresas trabalham ate de forma mista, com uma ação na mentalidade de compartilhamento, mas com outra ação em paralelo nas praticas da economia tradicional, como por exemplo a Uber.
O importante a ser considerado é que essas ações parte do social para o social, subvertendo a logica do capitalismo corporativista. Num futuro bem próximo, e já existem vários estudos que indicam essa condição de vanguarda, iremos ser levados pela uma consciência maior a se prover de bens e serviços compartilhados. O que será bom para o individual será melhor para o coletivo. Estudos na área de sociologia investigam o quanto as ideias de compartilhamento mantém a subsistência de grupos sociais.
Como as plataformas tecnológicas só tendem a crescer, esperamos igualmente que a economia compartilhada acompanhe esse fenômeno, sendo imprevisível essa forma de crescimento e sua ação no tecido social. Em termos de mudanças culturais já observamos seus efeitos benéficos, quando participamos da velocidade e da qualidade dos serviços prestados por diversas ferramentas espalhadas na WEB. Quando falamos em mudança de paradigma econômico, imaginamos uma ruptura lenta e irreversível, cuja coexistência de ideias e valores de todas as coisas, redefine o fluxo de riqueza gerado por muitos, mas detidos por poucos. A logica da economia compartilhada caminha da direção de uma sociedade mais justa, estamos indo nessa direção mesmo de forma intuitiva. Portanto é bom ser economicamente compartilhável.
Gannetti, Eduardo, 1957 O livro das citações – companhia das letras – Rio de Janeiro – Brasil, 2002
CHENG, D. Barriers to growth in the “sharing economy”. A Vision for the Economy of 2040, p. 1–14, 2015. Disponível em: <https://static1.squarespace.com/static/53a9eb66e4b0c45df57dd975/t/55a3c907e4b04267aaf5941c/1436797191675/The+Gig+Economy.pdf>. Acesso em: fev. 2016.
BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 2011.
CHOI, H. R.; CHO, M. J.; LEE, K.; HONG, S. G.; WOO, C. R.. The business model for the sharing economy between SMEs. WSEAS Transactions on Business and Economics, 2014. Disponível em: <http://www.wseas.org/multimedia/journals/economics/2014/a125707-287.pdf>.
COMPARTILHAR serviços e produtos vira tendência entre consumidores. Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/07/compartilhar-servicos-e-produtos-vira-tendencia-entre-consumidores.html>.